As Casas do Norte fazem parte da memória afetiva das periferias paulistas. Criados por migrantes nordestinos, esses comércios são espaços de encontro, convivência e pertencimento. Um deles ganha nova vida à noite como o Fecha Nunca, botequim cultural que reúne moradores, histórias e vivências. Quando uma caixa de correio comunitária desaparece do lugar, um inusitado inquérito coloca todos sob suspeita e revela segredos, memórias e histórias inimagináveis guardadas.
Esta é a premissa de “Casa do Norte”, novo espetáculo do Grupo Clariô de Teatro, que estreia em São Paulo (SP) no dia 25 de setembro, sexta-feira, às 20h, no Teatro Anchieta do Sesc Consolação. A temporada inaugural vai até 1º de novembro. Criada para celebrar os 20 anos de trajetória do Clariô, a montagem combina irreverência, música, memória e mistério em uma celebração da resistência cultural periférica. Os ingressos estão à venda no site do Sesc São Paulo, no aplicativo ou nas bilheterias.
A dramaturgia é de Jhonny Salaberg, enquanto Naruna Costa assina a direção e também integra o elenco, que reúne Alexandre Souza (o Juão), Cleydson Catarina, Martinha Soares, Naloana Lima, Rager Luan e Washington Gabriel. Fundado em 2005, o Grupo Clariô estabeleceu sua história produzindo teatro pela periferia, na periferia e para a periferia. Ao longo de duas décadas, consolidou uma pesquisa artística voltada às culturas populares brasileiras.
Nascida em Taboão da Serra (SP), cidade de origem do grupo, Naruna construiu sua trajetória no audiovisual com destacada atuação na cultura negra e periférica. Em 2026, fez parte do elenco da novela global “Coração Acelerado”. Ela pode ser vista em produções recentes para o cinema como “Pele de Rinoceronte”, pelo qual recebeu o Kikito de melhor atriz coadjuvante este ano, e “Dolores”. Também participa das séries para TV e streaming “Habeas Corpus”, “Todas as Flores” e “Beleza Fatal”.
“Casa do Norte é muito especial para mim. É a celebração dos 20 anos do Grupo Clariô, que ajudei a fundar e onde, até hoje, faço minhas principais pesquisas teatrais”, explica Naruna Costa. “É uma comédia, que trata de inúmeros assuntos relevantes para as nossas comunidades periféricas, com humor e beleza. E eu, além de dirigir, também terei o desafio de atuar, fazendo uma cantora de brega de botecos da quebrada”, resume. “Casa do Norte” é o quarta trabalho de sua premiada parceria com o dramaturgo Jhonny Salaberg.
Com espetáculos como “Hospital da Gente”, “Urubu Come Carniça” e “Voa, Severina – Da Morte à Vida”, o Clariô conquistou prêmios como CPT, Aplauso Brasil, APCA e Shell e ganhou projeção nacional. Em “Casa do Norte”, o coletivo revisita uma investigação iniciada com “Hospital da Gente” para refletir sobre as ameaças aos espaços culturais independentes diante da especulação imobiliária, da falta de políticas públicas e da redução dos investimentos em cultura.
Mais do que mercearias, as Casas do Norte preservam sabores, cheiros, rituais e lembranças das terras deixadas para trás. Mercado de dia e boteco à noite, o local que dá título ao espetáculo vira palco do sumiço de uma caixa de correio utilizada por frequentadores sem endereço regular. Misturando melodrama, humor popular, música e referências ao brega, “Casa do Norte” aborda, com leveza, temas como migração, pertencimento, memória, direito ao território e resistência.
Serviço
O que: “Casa do Norte” – temporada inaugural – São Paulo (SP)
Onde: Sesc Consolação - Teatro Anchieta (Rua Dr. Vila Nova, 245)
Temporada: 25 de setembro a 1º de novembro de 2026
Dias e horários: Quintas a sábados, às 20h; Domingos, às 18h
Não haverá sessões: Dias 1º, 4 e 25 de outubro
Sessões em horários diferenciados: Dias 9 e 23 de outubro (sextas), às 15h e às 20h
Sessões com acessibilidade em Libras: Dia 23 de outubro (sexta), 15h e às 20h
Ingressos: R$ 70 (inteira) R$ 35 (meia entrada) e R$ 21 (credencial plena)
Venda on-line: centralrelacionamento.sescsp.org.br e no App Credencial Sesc SP
Venda presencial nas bilheterias do Sesc São Paulo
Lotação: 280 lugares
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 2h10min
Redes sociais: @grupoclariodeteatro
Ficha Técnica:
Texto: Jhonny Salaberg
Direção: Naruna Costa
Elenco: Alexandre Souza (o Juão), Cleydson Catarina, Martinha Soares, Naloana Lima, Naruna Costa, Rager Luan e Washington Gabriel
Direção musical: Naloana Lima
Músicas Originais: Grupo Clariô de Teatro
Cenógrafo: Rager Luan
Figurino: Martinha Soares
Criação e operação de luz: Zerlô
Direção de movimento: Castilho
Preparação vocal: Rani Guerra
Assistência de direção: Ailton Barros
Arenga cênica: Cleydson Catarina
Sonoplastia e Trilha Sonora: Eddu Ferreira
Visagismo: Martinha Soares e Thayame Costa
Técnico de som: Tomé de Souza
Cenotécnicos: Rager Luan, Davi Damasceno, Fábio Luís, Silmar, Nayú Araú e José Achilles
Costureiros: Thayame Costa e Felipe Árabe
Assistente de Figurino: Thayame Costa
Assistência técnica de iluminação: Diego França
Técnico de palco: Davi Damasceno
Montadores Cenográfico : Rager Luan, Davi Damasceno e Alexandre Souza (o Juão)
Coordenadora de Comunicação: Ju Dias – Bora Lá Produção
Identidade Visual: Lais Oliveira
Mídias Sociais: FEFÉL PRÓD
Fotos: Laio Rocha
Produção Geral: Washington Gabriel e Ju Dias – Bora Lá Produção
Realização: Grupo Clariô de Teatro
Agradecimentos:
SESC SP; CPT – Centro de Pesquisa Teatral do Sesc Consolação e todas as pessoas que fizeram parte da RESIDÊNCIA CASA DO NORTE, que colaboraram profundamente com a compreensão, investigação e aprofundamento de muitas camadas do nosso espetáculo.
Mae Yara de Obá por todo acolhimento e consultoria espiritual, Dona Nice por ser nosso porto seguro, Fatoumata Ayita pela beleza e por acompanhar os ensaios de nossa Casa do Norte com sua energia erê, Ana Bombom, Ana Beatriz Cangussu, Gabriel Coupe, Barbearia Só Estylo e todas as pessoas da Rua Santa Luzia, que direta ou indiretamente, contribuem cotidianamente para nossas narrativas teatrais e de vida; todo o movimento de cultura periférica que ampara nossa linguagem no jeito de criar e fazer arte PELA periferia, NA periferia e PARA a periferia.
Sobre Naruna Costa
Naruna de Lima Costa é cantora, compositora, atriz e diretora. Nascida em Taboão da Serra (SP), consolidou-se como uma das principais artistas negras de sua geração, desenvolvendo uma trajetória marcada pela valorização poética das periferias brasileiras, da cultura popular e da presença negra nas artes. Cofundadora do Grupo Clariô de Teatro, do Espaço Clariô e do grupo musical Clarianas, desenvolve, há mais de duas décadas, uma pesquisa que articula música, teatro e tradição oral. É vencedora do Prêmio Shell de Teatro na categoria Direção Musical, primeira diretora negra a conquistar o Prêmio APCA de Melhor Direção e vencedora do Prêmio APCA de Dramaturgia. Protagoniza o musical Elza, dirigido por Duda Maia, interpretando Elza Soares.Recentemente ganhou o prêmio de melhor Atriz Coadjuvante na 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado com o filme “Pele de Rinoceronte”.
