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Confira a história, o elenco completo e os perfis dos personagens da novela “Lá Na Minha Terra”

by Priscila Martz
03/11/2026 - 15:49 PM
Dira Paes (Foto: Reprodução)

Dira Paes (Foto: Reprodução)

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Uma história sobre amor, fé e pertencimento. Criada e escrita por Mario Teixeira, com direção artística de Allan Fiterman, ‘Lá na Minha Terra’, a próxima novela das seis da TV Globo, é uma nova obra do universo da dupla que assinou os sucessos ‘Mar do Sertão’ e ‘No Rancho Fundo’. A trama, que estreia dia 9 de novembro, acompanha a trajetória de Rosenda (Dira Paes), uma mulher que luta para descobrir a verdade sobre o sumiço do marido e se reencontrar consigo mesma.

Há pouco mais de 15 anos, Severino (Daniel de Oliveira) deixou a fictícia Lavra Seca, no interior do Nordeste, rumo a São Paulo, com a promessa de construir uma vida melhor para a família. Mas nunca mais voltou. Para trás, ficaram a esposa Rosenda e os cinco filhos: Lina (Arianne Botelho), Damaso (Miguel Rômulo), Brícia (Jessica Marques), Dodô (Vicenthe Delgado) e Águeda (Carol Pinheiro). O tempo passou, mas a ausência de Severino permanece cercada de perguntas. Ele está vivo? E, se está, o que o impediu de voltar para casa?

Desde então, Rosenda criou os filhos com afeto, coragem e muito sacrifício, enfrentando as dificuldades da vida em Lavra Seca. Mesmo depois de tantos anos, continua fiel ao casamento e mantém vivo o vínculo com Severino, chegando a guardar para ele um lugar à mesa. O sustento da família vem principalmente de uma pequena criação de cabras, mantida nas terras arrendadas de Almerindo Mourão (Mateus Solano), poderoso fazendeiro viúvo que é completamente apaixonado por Rosenda. Ela não é indiferente aos seus sentimentos e, no fundo, também o ama. Mas, dividida entre o que sente e a devoção ao marido desaparecido, Rosenda não consegue se permitir viver esse amor.


O ponto de partida da trama se dá quando ela decide tomar as rédeas dessa história e ir atrás do paradeiro de Severino em São Paulo. Enfrentando muitas adversidades, se depara com uma realidade ainda mais difícil do que imaginava ao reencontrar o homem que a abandonou. Com a identidade de Cesário, ele vive uma vida luxuosa ao lado de Ismália (Camila Morgado), com quem teve uma filha, Alice (Giulia Benite). Sem nunca ter decidido se separar legalmente de Rosenda, ou ao menos dar notícias, Severino está sempre dividido entre a nova vida e as lembranças da família. Quando toda a farsa vier à tona, ele tentará se redimir. Mas será que Rosenda e seus filhos conseguirão perdoá-lo?

“A partir da trajetória de Rosenda, a novela acompanha personagens que vivem entre a vontade de partir e a necessidade de permanecer, entre o passado que carregam e o futuro que desejam construir. É uma história de encontros e desencontros, de paixões, rivalidades, disputas familiares, humor e emoção. Tudo isso num universo lúdico, fictício, construído a partir de diversas referências, como a literatura nordestina, a tradição do cordel e elementos do imaginário popular brasileiro”, revela o autor Mario Teixeira.

Como em ‘Mar do Sertão’ e ‘No Rancho Fundo’, Mario Teixeira e Allan Fiterman voltam a explorar um Brasil povoado por gente movida pela coragem. Ao mostrar um país diverso, criativo, empreendedor e conectado com o presente, a obra conta com um elenco de diferentes partes do Nordeste, como Bahia, Paraíba e Pernambuco, entre eles Danilo Mesquita, Lucy Alves, Jesuíta Barbosa, Luis Miranda, Jessica Marques, Thardelly Lima, Clarissa Pinheiro, Rhaisa Batista, Suzy Lopes, Max Petterson e Gustavo Falcão.

“‘Lá na Minha Terra’ conta uma história completamente diferente do que a gente já viu, mas partindo de um universo que tem uma similaridade com as novelas anteriores que fiz com o Mario. Estamos contando uma história dentro de uma cidade fictícia, mais uma vez, com personagens que trazem comicidade, suspense e drama, todos os elementos que se procura numa teledramaturgia, dentro de um universo ficcional. Existe essa similaridade artística dentro das novelas assinadas pelo Mario, a gente tem uma assinatura, mas o público pode esperar novidades. São Paulo desta vez traz uma nova arena, com outros núcleos e possibilidades narrativas”, descreve o diretor artístico Allan Fiterman.

Produzida nos Estúdios Globo, ‘Lá na Minha Terra’ é criada e escrita por Mario Teixeira com colaboração de Marcos Lazarini, Letícia Mey, Mariana Torres, Pedro Alvarenga e Raul Damasceno. A novela tem direção artística de Allan Fiterman e direção geral de Pedro Brenelli. A produção é de Mariana Pinheiro e a produção executiva, de Lucas Zardo. A direção de dramaturgia é de José Luiz Villamarim.

O desaparecimento que mudou uma família

Há mais de 15 anos esperando notícias de Severino (Daniel de Oliveira), Rosenda Madeira (Dira Paes) começa a perceber que não consegue adiar as perguntas que a acompanham desde o desaparecimento do marido. Na fictícia Lavra Seca, as dificuldades da família Madeira se acumulam, e as contas da casa já não fecham. É Brícia (Jessica Marques), a filha mais pragmática, quem chama a atenção da mãe para a situação financeira. Ao perceber que Rosenda continua assumindo trabalhos pesados para garantir o sustento dos filhos, ela passa a insistir para que a mãe vá a São Paulo e descubra, de uma vez por todas, o que aconteceu com Severino. “São 15 anos de espera. Quinze anos que, para ela, foram muito difíceis, vivendo cada dia, cada semana, cada mês, cada ano, com um só objetivo: esperar o marido voltar para casa. Só que a Rosenda vai, ao longo desse tempo, descobrindo quem ela é. Vamos acompanhar o despertar dessa mulher e sua busca pela verdade”, analisa Dira Paes.

Enquanto decide se vai atravessar o país novamente atrás do marido, Rosenda segue resistindo aos cortejos de Almerindo Mourão (Mateus Solano). Dono da Fazenda Canto Sereno, onde ela vive como arrendatária, ele construiu do zero uma das maiores propriedades da região. Viúvo e pai da jovem Lurdinha (Julia Dalavia), é respeitado por funcionários e vizinhos. Almerindo nunca escondeu os sentimentos que nutre por Rosenda. A relação entre os dois é antiga e já foi além da amizade. No passado, durante uma viagem a Fortaleza, Almerindo a salvou de um afogamento. O episódio aproximou os dois e culminou em um beijo. Mas Rosenda decidiu interromper qualquer possibilidade de romance porque continuava se considerando comprometida. No presente, Almerindo volta a insistir para que dê uma nova chance ao amor. Rosenda, porém, permanece presa à esperança do retorno do marido. “Almerindo é um homem que cuida muito bem de todos. Ele se apaixonou por Rosenda já tem bastante tempo e espera a sua vez para ocupar o coração e a vida dela. Vejo Almerindo como uma árvore centenária, que dá abrigo, sombra, alimento e amor”, comenta Mateus Solano.

O acontecimento que muda definitivamente o rumo da vida de Rosenda e vai aproximá-la ainda mais de Almerindo é a morte repentina de Padre Honório (Haroldo Guimarães). Figura respeitada e querida por todos em Lavra Seca, ele mobiliza a cidade em seu velório. Diante daquele adeus, Rosenda entende que o tempo está passando rápido demais. A constatação de que a vida pode acabar sem respostas faz com que tome a decisão de ir atrás de Severino de uma vez por todas.

Determinada a viajar, procura Almerindo e decide vender suas cabras para levantar dinheiro. Durante a negociação, os dois voltam a falar sobre o futuro. Almerindo pergunta se ficaria com ele caso descubra que Severino está morto. Ela não responde diretamente, mas admite o carinho que sente pelo fazendeiro.

A despedida emociona a família Madeira. A viagem, no entanto, complica o que já é difícil. Sozinha em uma cidade desconhecida, ela tem a mala e o celular roubados. Sem saber o que fazer e sem poder se comunicar com Lurdinha, a filha de Almerindo, encontra ajuda em Marleide (Castorine), que a leva para a casa da própria família. Lá, Rosenda descobre uma inesperada ligação com Lavra Seca e passa a conviver com pessoas que atravessam dificuldades semelhantes às suas.

É nessa nova convivência que ela ouve o nome de Celestina Guerreiro (Lilia Cabral), agiota e dona da pensão que hospedou Rosenda no passado, quando esteve em São Paulo pela primeira vez atrás de Severino. Ao descobrir que a família de Marleide tem dívidas com a picareta, Rosenda imediatamente a reconhece e alerta a todos sobre seu caráter. Disposta a ajudar quem a acolheu, vai até a pensão de Celestina para se hospedar e consegue convencer a mulher a parar de pressionar a família.

Ao descobrir que Rosenda está na cidade, Celestina chantageia Cesário (Daniel de Oliveira) para manter em segredo a verdade sobre seu passado e impedir o reencontro com a esposa que ele abandonou.

A resiliência dos Madeira

Em Lavra Seca, os filhos de Rosenda (Dira Paes) aguardam ansiosos pela volta da mãe. Na família da matriarca, cada um cresceu enfrentando seus próprios conflitos. Maria Lina (Arianne Botelho), que herdou de Rosenda o apego à terra e a certeza de que Severino está vivo, divide seus dias entre o rebanho de cabras da família e a busca por pistas sobre o paradeiro do pai.

Sua vida ganha outros tons quando conhece Raimundo Gerardo (Danilo Mesquita), vaqueiro guia da Fazenda Canto Sereno. Os dois se encontram em meio a uma disputa entre rebanhos durante uma tempestade. O primeiro contato é marcado por provocações, mas a convivência logo dá lugar ao interesse mútuo. “Maria Lina tem adoração pela mãe, pela família, e sente uma dor profunda pelo abandono do pai. Tem uma conexão com os bichos e com a natureza muito grande, é uma pessoa que respira a terra. Ela sabe viver o momento presente, o aqui e agora, com muita intensidade. De todos de sua família, eu acho que ela é a que mais se permite viver o amor”, descreve Arianne Botelho.

O romance com Raimundo Gerardo enfrenta obstáculos desde o início. Socorro (Lucy Alves), vaqueira da fazenda Canto Sereno e antiga paixão de Raimundo, não aceita facilmente perder espaço e entra em conflito direto com Lina. Entre encontros escondidos, ciúmes, mal-entendidos e declarações de amor, os dois passam a construir uma relação que se fortalece à medida em que a história avança. Mais tarde, Lina verá seu coração dividido com a chegada de Daniel (Jesuíta Barbosa), herdeiro de uma grande empresa paulistana que desembarca em Lavra Seca.

O filho mais velho de Rosenda, Damaso (Miguel Rômulo), cresceu assumindo responsabilidades que herdou com a ausência do pai. Acostumado à rotina do campo e da vaquejada, ele demora a aceitar a aproximação entre Lina e Raimundo. Ao longo da trama, porém, encontra em Socorro (Lucy Alves) uma parceria capaz de transformar sua forma de enxergar a vida.

Brícia (Jessica Marques), por sua vez, carrega um segredo dentro da família. Encontrada ainda bebê e criada por Rosenda como filha, se tornou uma professora dedicada e passou a cuidar das contas da casa.
Já o silencioso Dodô (Vicenthe Delgado) tem na arte em barro e argila sua forma de expressão. Observador, ele acompanha de perto os dramas e as mudanças que atravessam a família, enquanto também lida com suas próprias transformações. A caçula, Águeda (Carol Pinheiro), na fase da adolescência, quer impor suas vontades.

Severino se torna Cesário: a vida que construiu em São Paulo

Em São Paulo, Severino (Daniel de Oliveira) é um empresário bem-sucedido e guarda escondido no cofre de seu escritório um relicário com a fotografia da família que deixou para trás. O objeto é visto por Ismália (Camila Morgado), que acredita tratar-se da mãe e dos irmãos do marido. Cesário permite que ela continue acreditando nisso, mas leva seus dias perturbado por saber que o passado nunca deixou de persegui-lo.

Mesmo cercado de luxo, ele demonstra culpa constante ao revisitar lembranças da antiga família, especialmente dos filhos. “A ambiguidade do personagem de cara me chamou atenção. Defendo e condeno Cesário/Severino o tempo inteiro. Os desejos genuínos, as mentiras, tudo isso faz com que ele seja ao mesmo tempo cativante e repulsivo”, comenta Daniel de Oliveira. “Esse homem deixou para trás não somente sua simplicidade e a vida dura que levava, mas a ética e o caráter”, destaca.

A relação entre Cesário e Ismália é marcada por ambição e controle. Ela participa ativamente dos negócios da empresa Veredon, tenta influenciar decisões estratégicas e tem planos claros de consolidar o poder da família para garantir o futuro dos filhos Daniel (Jesuíta Barbosa) – do primeiro casamento – e Alice (Giulia Benite) – fruto da união com Cesário.

O casamento dos dois está longe de ser estável. Ismália demonstra desconforto com qualquer sinal de autonomia do marido, o coloca para baixo em vários momentos, relembrando sua origem humilde como jardineiro de sua casa e tudo o que deve a ela. “Uma personagem individualista, elitista e cheia de preconceitos como a Ismália é a oportunidade para criarmos um diálogo sobre empatia, questões regionais e os processos migratórios do nosso país, sobre os privilégios que pertencem às classes mais abastadas. E é muito instigante pontuar temas espinhosos através de uma linguagem própria da faixa das seis”, observa Camila Morgado.

A verdadeira identidade de Cesário permanece enterrada por anos graças a Celestina (Lilia Cabral). A dona da pensão sabe que o empresário abandonou uma família inteira para construir outra. Por isso, mantém sobre ele uma chantagem permanente. Quando Rosenda volta a São Paulo para procurá-lo, a situação explode. Celestina lembra constantemente a Cesário que o ajudou a esconder sua verdadeira identidade no passado e deixa claro que, se a verdade for descoberta, ele poderá responder por bigamia e ver sua vida desmoronar.

Ao passo que Rosenda avança em sua busca, a farsa construída por Cesário começa a apresentar fissuras. A relação com Ismália se deteriora. O empresário percebe atitudes cada vez mais preocupantes da esposa, especialmente diante da obsessão dela por dinheiro e poder. Paralelamente, ele também mantém um envolvimento amoroso com Delfina (Débora Nascimento), advogada da empresa e esposa de seu sócio, Aluísio (Gustavo Vaz).

Um reencontro inevitável

A situação atinge um ponto sem retorno quando Rosenda (Dira Paes) finalmente vê Severino (Daniel de Oliveira) em São Paulo. Após uma sequência de coincidências, ela o encontra na pensão de Celestina (Lilia Cabral). Atordoado, Cesário foge. Pela primeira vez, porém, ela tem certeza de que o marido está vivo. A partir desse momento, o medo passa a dominar Cesário, e ele percebe que não conseguirá mais sustentar a mentira por muito tempo.

Sem conhecer a ligação entre elas, as duas esposas acabam se encontrando no jóquei clube, onde Rosenda consegue um emprego como cavalariça. Ismália se impressiona com aquela mulher que demonstra segurança e intimidade com os cavalos. E é nesse lugar, durante um exercício de equitação, que Rosenda encontra o marido mais uma vez. Agora, frente a frente com o passado, ele precisa enfrentar a realidade.

Depois do reencontro com Rosenda, Cesário já não consegue evitar as perguntas de Ismália. Pressionado, admite que teve uma vida anterior e que se chamava Severino. A revelação é devastadora. Aos poucos, Ismália descobre que a mulher que conheceu no jóquei é justamente a esposa que ele nunca deixou legalmente. Sentindo-se traída, manda Cesário sair de casa sem levar nada. A vida confortável que ele construiu em São Paulo começa a ruir no mesmo instante em que sua verdadeira identidade vem à tona. Atormentado com a descoberta de sua farsa, Cesário vai tentar corrigir os erros do passado. Mas tanto Ismália quanto Rosenda não se mostram dispostas a perdoá-lo.

O dia a dia em Lavra Seca

Em Lavra Seca, boa parte da vida cotidiana passa por um grupo de personagens que observam, comentam, investigam e interferem nos acontecimentos da região. Viúva e cunhada de Almerindo Mourão (Mateus Solano), Jacinta (Mariana Lima) é uma das figuras mais inquietas da Fazenda Canto Sereno. Administrando a casa ao lado da governanta Natércia (Clarissa Pinheiro), ela acompanha de perto a paixão do cunhado por Rosenda e não perde a oportunidade de incentivá-lo a declarar seus sentimentos.

Ao mesmo tempo que se mete na vida dos outros, Jacinta tenta resolver a própria. Há anos ela mantém um relacionamento com o delegado Gofredo Gondim (Welder Rodrigues), que vive fazendo promessas de casamento sem jamais marcar a cerimônia e não perde a chance de frequentar o cabaré administrado por Anamara (Gabriela Loran). O problema é que Jacinta já cansou de esperar. Enquanto cobra o delegado por um compromisso definitivo, ela inicia um envolvimento secreto com Biró (Thardelly Lima), vaqueiro da Canto Sereno. O romance clandestino cria uma série de situações cômicas.

Pouca coisa acontece em Lavra Seca sem que Cosminha (Cris Larin) e Saviana (Rhaisa Batista) saibam. Irmãs de Severino (Daniel de Oliveira) e cunhadas de Rosenda, elas acompanham diariamente a movimentação da cidade e fazem questão de comentar tudo o que veem. Cosminha, especialmente, considera-se uma espécie de autoridade moral da região e está sempre pronta para opinar na vida alheia. Saviana vive sob a influência da irmã mais velha. Embora seja mais discreta, acaba participando das observações e especulações sobre os moradores da cidade.

Completando esse trio está Otacília (Olívia Araújo), escrivã da delegacia e principal fonte de informações das irmãs. Amiga próxima de Cosminha e Saviana, ela conhece os bastidores de praticamente todos os moradores de Lavra Seca e frequentemente compartilha detalhes sobre dívidas, prisões, desentendimentos e outros acontecimentos da cidade.

Após a morte de Padre Honório (Haroldo Guimarães), Lavra Seca recebe um novo vigário: Padre Otávio Alacocque (Luis Miranda). Com um visual moderno, ele causa estranhamento na chegada. Quem o ajuda é justamente o Pastor Geison (Felipe Simas), que acredita no diálogo entre diferentes crenças e rapidamente desenvolve uma amizade com o novo padre.

Ao mesmo tempo, Geison desperta sentimentos variados entre as mulheres da cidade. Brícia (Jessica Marques) se interessa por ele, enquanto Saviana passa a ocupar um lugar cada vez mais importante em sua vida. Quando Lucijane (Nina Tomsic) chega a Lavra Seca, o pastor também se torna uma espécie de mentor para a jovem.

A startup Mar do Sertão

Filha de Almerindo (Mateus Solano), Lourdes (Julia Dalavia), conhecida como Lurdinha, construiu a vida em São Paulo e criou, ao lado do melhor amigo e sócio Elias (Igor Lorenzo), a startup Mar do Sertão, empresa fictícia voltada para soluções de tratamento e recuperação de água, que faz homenagem à novela homônima de 2022, primeira parceria entre Mario Teixeira e Allan Fiterman. O projeto desperta o interesse da companhia Veredon, comandada por Cesário (Daniel de Oliveira) e Aluísio (Gustavo Vaz).

Ao longo da trama, os dois jovens enfrentam negociações difíceis, pressões empresariais e divergências sobre o futuro da empresa. Lourdes demonstra firmeza ao recusar propostas que considera insuficientes para o potencial da startup, enquanto Elias busca equilibrar os desafios do negócio com questões familiares complexas.

É também através de Lourdes que Rosenda (Dira Paes) encontra importante apoio quando chega a São Paulo em busca de Severino (Daniel de Oliveira). A jovem envolve-se diretamente na investigação sobre o paradeiro do marido desaparecido e acaba se tornando uma das suas principais aliadas na capital. Ao mesmo tempo, Elias carrega uma ligação inesperada com outra peça fundamental da trama: Celestina (Lilia Cabral). A revelação dessa conexão cria novos conflitos e amplia ainda mais as pontes entre as histórias de São Paulo e Lavra Seca.

Gravações na Chapada Diamantina

A região da Chapada Diamantina, na Bahia, local de belezas naturais exuberantes, foi escolhida como locação que ambienta a próxima novela das seis. Sob liderança do diretor artístico Allan Fiterman, equipe e elenco desembarcaram no local para gravar cenas que vão compor a cidade fictícia Lavra Seca, onde a protagonista Rosenda (Dira Paes) vive com os filhos à espera de Severino (Daniel de Oliveira), seu marido desaparecido há mais de 15 anos.

Ao longo de cinco dias, cerca de 100 profissionais envolvidos no projeto, além de parte do elenco, incluindo Dira Paes, Mateus Solano, Lucy Alves, Danilo Mesquita, Miguel Rômulo, Thardelly Lima e Arianne Botelho, percorreram lugares com combinações únicas de vegetação, montanhas rochosas e cachoeiras, tais como Mirante do Camelo, Gerais do Dandá, Cachoeira dos Mosquitos, Morro do Pai Inácio e os complexos de grutas Lapa Doce e Torrinha, onde foram rodadas as primeiras cenas.

“A Chapada Diamantina nos ofereceu exatamente a grandiosidade e a autenticidade que procurávamos para contar essa história. Precisávamos de uma região marcada por horizontes amplos, serras imponentes, áreas de muito verde, belas cachoeiras e grutas que fossem possíveis de acessar com todos os equipamentos. A escolha desse local foi resultado de uma pesquisa muito cuidadosa da nossa equipe. Prospectamos diversos lugares para avaliar a viabilidade das gravações até encontrarmos cenários que traduzissem a força e a beleza de ‘Lá na Minha Terra’. Gravamos em locações desafiadoras e impressionantes, como o Morro do Pai Inácio, que renderam imagens de tirar o fôlego. Tenho certeza de que todo esse esforço estará na tela e vai emocionar o público. Fiquei encantado com a experiência e já quero voltar”, declarou o diretor artístico Allan Fiterman.

Arrendatária das terras de Almerindo Mourão (Mateus Solano), fazendeiro apaixonado por ela, Rosenda carrega a marca da ausência do companheiro desaparecido. Mas, assim como as rochas espalhadas pela Chapada, a esperança de Rosenda em reencontrar o marido permanece firme e resistente, mesmo com o passar do tempo. Para Dira Paes, gravar nesses locais ajudou na construção da personagem e na imersão na história imaginada pelo autor Mario Teixeira. “Rosenda e o lugar em que mora se misturam. Sem a Chapada eu não consigo mais imaginar a novela. Para mim, esse lugar foi fundamental para estabelecermos a conexão necessária com os personagens e para mergulharmos de vez em ‘Lá na Minha Terra’. Fizemos, ao todo, quase dez horas de viagem para chegar lá, e cada minuto valeu a pena”, contou a atriz.

Natural de Salvador, Danilo Mesquita, que vive o vaqueiro Raimundo Gerardo na trama, celebrou a chance de gravar em solo baiano. Homem simples, trabalhador e profundamente ligado à terra, Raimundo Gerardo é um dos personagens que mais vão movimentar a novela.“É sempre uma delícia atuar em casa, é o meu terceiro trabalho na Bahia. Esse lugar tem belezas e biomas diversos, o que tem tudo a ver com a obra. Acho que a novela está retratando a nossa terra e o nosso povo como um lugar de riquezas naturais e humanas”, ressaltou.

A locação teve um significado especial para a atriz Arianne Botelho, intérprete de Maria Lina, filha de Rosenda. Criada sob os cuidados da mãe e ressentida pela ausência do pai, Maria Lina divide com Rosenda o desejo de desvendar os mistérios que cercam o desaparecimento dele, ao mesmo tempo em que busca construir seu próprio caminho em meio às transformações que atingem Lavra Seca. “A Chapada Diamantina é muito mágica, eu sou suspeita pra falar porque estive lá há 10 anos e, no topo do Morro do Pai Inácio, fiz um pedido: protagonizar uma novela da TV Globo. E agora estou realizando esse sonho, por coincidência, ou não, no lugar onde mentalizei o que hoje é realidade”, revelou.

Gravações em São Paulo

No final de agosto, equipe e elenco deram início às gravações de ‘Lá na Minha Terra’ na capital paulista. A atriz Dira Paes percorreu lugares emblemáticos como a Avenida 9 de Julho, Avenida Paulista, Viaduto do Chá, Rua Augusta, Vale do Anhangabaú e Praça da Sé, representando cenas de Rosenda em busca de Severino. Outros nomes do elenco, como Daniel de Oliveira, Julia Dalavia, Gustavo Vaz, Castorine e Igor Lorenzo também foram a São Paulo para as gravações.

O Pátio Vitor Malzoni, na Avenida Faria Lima, serviu de cenário para a sede da empresa de Cesário (Daniel de Oliveira), onde ele multiplicou seu império após falsificar sua identidade e se casar com Ismália (Camila Morgado). Sequências gravadas com Dira Paes também foram rodadas no centro da cidade.

Cenografia, Produção de Arte e Tecnologia dão vida à novela

À frente da cenografia de ‘Lá na Minha Terra’ está Anne Bourgeois, que volta a trabalhar com Mario Teixeira e Allan Fiterman após a parceria em ‘No Rancho Fundo’. Para criar a cidade cenográfica de Lavra Seca, dentro dos Estúdios Globo, sua equipe mergulhou em referências da arquitetura popular do Nordeste e do Norte do Brasil, especialmente nas construções de platibandas, característica marcante das fachadas dessas regiões. A proposta, porém, não era reproduzir fielmente a realidade, mas construir um espaço com liberdade poética para dar vida ao universo fabular da obra.

“O mais curioso nesse projeto, para mim, foi trabalhar em cima da realidade das platibandas, mas com interferências que são extremamente lúdicas. Por exemplo, a casa das irmãs Cosminha (Cris Larin) e Saviana (Rhaisa Batista) parece um teatrinho. Ela tem um buraco na fachada e uma varanda enfiada dentro de uma casa de platibandas, algo que não existe nessa estética purista. Fizemos aquele buraco teatral para que elas fiquem na varanda, fofocando e olhando a cidade. Esse corte foi permitido por esse sertão fantasioso, essa é uma das partes mais interessantes de trabalhar com uma obra que não busca documentar a realidade”, comenta a cenógrafa.

A opção visual foi por uma cidade mais vibrante, com cores íntegras e saturadas. Tons vivos de laranja, azul, amarelo e vermelho dominam a paisagem e reforçam o caráter solar e acolhedor da trama. Outro elemento recorrente é a azulejaria presente em praticamente todos os ambientes internos, trazendo grafismos que ajudam a construir a identidade de Lavra Seca.

Essa combinação entre realismo e imaginação aparece em diversos cenários. O mercado laranja, um dos destaques da praça central, foi inspirado em uma construção existente na Paraíba, com ares de castelo. Já a principal igreja da cidade surpreende pela dualidade: toda branca por fora, revela um interior colorido, com azul intenso, detalhes vermelhos e guirlandas de papel típicas das festas religiosas populares.

“Optamos por ter elementos estéticos que, para além do lúdico, também tivessem uma pegada pop. É a igreja monocromática por fora e colorida por dentro, é o relógio da praça, é o mercado laranja que parece um castelinho. Trabalho com o Allan há bastante tempo e ele me permite ter essa liberdade”, afirma Anne.

Na Fazenda Canto Sereno e na casa de Rosenda (Dira Paes), o revestimento meia parede com azulejos estampados promove uma atmosfera de conforto e aconchego. Em São Paulo, o cenário da mansão de Ismália (Camila Morgado) conta com ambientes amplos, obras de arte, peças de design e uma arquitetura imponente.

A grandiosidade da produção de toda a cenografia da novela pode ser medida pelos números. Estão sendo usados dez cenários fixos de estúdio, que somam 42 ambientes, além de oito cenários pontuais com outros 20 ambientes e três cidades cenográficas que reúnem 18 cenários e 39 ambientes.

Referências regionais compõem visual da fictícia Lavra Seca

A produção de arte, comandada por Guga Feijó, buscou referências em artistas nordestinos para construir a atmosfera de Lavra Seca. Um dos destaques é a contribuição de Emanuel Vitalino, neto de Mestre Vitalino, que produziu peças artesanais em barro especialmente para a novela. As obras enriquecem a trajetória de Dodô (Vicenthe Delgado), filho de Rosenda (Dira Paes) e artista plástico na trama. As peças do artista fazem parte da decoração da sala da casa da família de Rosenda.

A regionalidade também guiou a escolha dos animais de cena. Como a narrativa se passa em um ambiente rural, a equipe precisou encontrar raças típicas do sertão brasileiro, respeitando características descritas pelo autor. “Essa é uma novela muito rural, precisamos contar com os animais que são próprios do sertão, o que é um desafio. O Mario escreveu uma cabra moxotó, então não podemos colocar em cena qualquer cabra. Nem qualquer gado ou cavalo. Existem raças diferentes, raças que são mais resistentes ao clima e às condições do local”, explica Guga.

Ao todo, cerca de 50 animais participam da produção. Para garantir a continuidade entre as gravações realizadas na Bahia e no Rio de Janeiro, houve uma criteriosa seleção de exemplares e até a utilização de animais “dublês”. A equipe também desenvolveu mock-ups – uma representação visual realista – para facilitar determinadas cenas. Um exemplo é a cabrinha carregada nas costas pela personagem Lina (Arianne Botelho) em diversos momentos. “De tão realista, uma cabra adulta que estava no set achou que era um dos filhotes dela e veio buscar”, diverte-se o produtor de arte.

Já no início do primeiro capítulo, a criatividade da equipe ganha destaque com uma sequência protagonizada por um passarinho e um teiú – o maior e mais comum lagarto nativo do Brasil e da América do Sul – produzidos artesanalmente na fábrica de cenários dos Estúdios Globo, e integrados a sofisticados efeitos visuais em 3D.

De acordo com Guga, representar São Paulo também exigiu um olhar cuidadoso. A proposta era preservar o tom fabular da novela mesmo em uma cidade tão conhecida pelo público. Por isso, a equipe priorizou locações com forte personalidade visual, capazes de dialogar com o universo imaginado para a trama, como o pátio com uma baleia metalizada de 20 metros no cruzamento entre a rua Faria Lima com a Leopoldo Couto de Magalhães.

“A coisa mais importante que existe em uma obra sempre é o texto. A partir do texto vamos trazendo várias camadas para a história. Acredito que o trabalho da arte, assim como da cenografia, caracterização e figurino, contribui muito como um caminho para que a história seja contada da melhor maneira possível”, resume Guga.

Figurino e caracterização revelam a atualidade de ‘Lá na Minha Terra’

Sob o comando da figurinista Julia Ayres e da caracterizadora Dayse Teixeira, as equipes desenvolveram uma estética que combina autenticidade, regionalidade e contemporaneidade para ‘Lá na Minha Terra’.

Para a criação dos figurinos, Julia Ayres mergulhou em pesquisas na região e passou uma semana em Fortaleza realizando compras ao lado de designers e estilistas do Ceará e de Pernambuco. A proposta foi valorizar a produção local e incorporar referências artesanais à narrativa. Elementos como crochê, macramê e tie-dye aparecem especialmente no núcleo de Rosenda (Dira Paes), reforçando o perfil criativo da família. “Estamos usando muitas coisas de designers e artistas nordestinos. Além disso, confeccionamos peças na fábrica de costura dos Estúdios Globo”, afirma Julia. “Como o Dodô (Vicenthe Delgado) é artista plástico na trama, trabalha com barro, a gente imaginou que a família toda pode fazer acessórios e ter essa veia artesanal. Águeda (Carol Pinheiro), por exemplo, vai usar muitas blusas de tie-dye”.

Na caracterização, Dayse Teixeira lidera uma equipe de 16 assistentes e apostou em transformações que ajudam a traduzir as diferentes jornadas dos personagens. Entre os destaques está o padre Otávio, vivido por Luis Miranda, inspirado em uma figura real do interior da Bahia que usa dreadlocks. Já Brícia, personagem de Jessica Marques, terá nas tranças um importante elemento de identidade visual. Thardelly Lima, para compor seu personagem Biró, contará com um aplique em estilo mullet – caracterizado pelo contraste marcado de comprimentos: curto no topo e nas laterais e mais longo na parte da nuca.

A equipe também desenvolveu soluções exclusivas para alguns personagens, como Gofredo Gondim, interpretado por Welder Rodrigues. “Esse personagem vai ficar tentando esconder a careca o tempo inteiro. Então desenvolvemos uma peruca com alguns fios soltos. A ideia partiu do próprio Welder e chegamos em um resultado que com certeza vai divertir o público”, adianta Dayse.

Referências clássicas também inspiraram algumas criações. Sophia Loren serviu como ponto de partida para o visual de Jacinta, personagem de Mariana Lima, enquanto a vilã Ismália (Camila Morgado) ganhou uma caracterização com aura angelical, criando um contraste visual com suas intenções na história.

As sonoridades que embalam a trama

A trilha sonora de ‘Lá Na Minha Terra’ celebra a riqueza, a diversidade e a potência cultural do Brasil. A seleção das músicas reúne diferentes gerações, estilos e sonoridades, combinando clássicos que fazem parte da memória afetiva do público brasileiro a artistas que representam a potência e a renovação da música nacional. Grandes nomes e referências da música brasileira marcam presença na trilha, como Clara Nunes, Elba Ramalho, Ney Matogrosso, Maria Bethânia, Gilberto Gil, Luiz Gonzaga, Falcão e Alceu Valença.

A trilha também abre espaço para novos nomes da nossa música, como Natascha Falcão que interpreta ‘Desafio de Amar’, faixa inédita composta especialmente para a novela, enquanto Ayrton Montarroyos apresenta uma gravação inédita de ‘Asa Branca’, um clássico que ganha uma nova leitura. Além disso, Chico Chico traz uma versão de estúdio de ‘Menino Bonito’, música já gravada por ele anteriormente, em uma versão ao vivo.

A diversidade sonora se revela ainda em faixas que surpreendem pela mistura de referências, como ‘Nouvelles Vagues’, de Barro com Juçara Marçal, e ‘Agulha’ com BaianaSystem e Claudia Manzo. Nomes populares da música contemporânea, como Natanzinho Lima, Wesley Safadão, Anitta e Mestrinho completam a seleção, reforçando o diálogo entre clássicos e expressões atuais da música brasileira.

ENTREVISTA COM O AUTOR MARIO TEIXEIRA

Mario Teixeira assinou a autoria das novelas ‘Liberdade, Liberdade‘ (2016), ‘O Tempo Não Para’ (2018) e ‘I Love Paraisópolis’ (2015), esta última ao lado de Alcides Nogueira. Foi coatuor das novelas ‘Os Ossos do Barão’ (1996), ‘O Cravo e a Rosa’ (2000) e ‘Ciranda de Pedra’ (2008), além de ter colaborado com Silvio de Abreu em ‘Passione’ (2010). Também foi roteirista de séries infanto-juvenis como ‘Sítio do Pica-pau Amarelo’ (2001-2007) e ‘Castelo Rá Tim Bum’ (1994). Tem uma importante carreira literária que já lhe rendeu os Prêmios Jabuti e Fundação Biblioteca Nacional de 2015 com o romance ‘A Linha Negra’. ‘Salvando a Pele’, ‘Alma de fogo’ e ‘O Golem do Bom Retiro’ são outros livros de destaque em sua carreira. É o autor de ‘Passaporte para a Liberdade’ (2021), primeira produção da Globo em parceria com a Sony Pictures Televison, totalmente falada em inglês. Ao lado de ‘Mar do Sertão’ (2022) e ‘No Rancho Fundo’ (2024), ‘Lá na Minha Terra’ soma mais uma novela à sua carreira em parceria com o diretor artístico Allan Fiterman.

Qual é a história que ‘Lá na Minha Terra’ vai contar ao público?
‘Lá na Minha Terra’ é uma fábula sobre amor, fé e pertencimento. A história gira em torno de Rosenda (Dira Paes) que, mais de 15 anos após o sumiço do marido, decide assumir o protagonismo da própria história e atravessa o país em busca de verdade, reconstrução de sua família e reencontro consigo mesma. Ela sai da cidadezinha fictícia de Lavra Seca, no interior do Nordeste, para procurar o marido em São Paulo, e, quando chega lá, descobre que ele tem uma outra família e passa a ter de lidar com isso. A partir da trajetória dela, a novela acompanha personagens que vivem entre a vontade de partir e a necessidade de permanecer, entre o passado que carregam e o futuro que desejam construir. É uma história de encontros e desencontros, de paixões, rivalidades, disputas familiares, humor e emoção. Tudo isso num universo lúdico, fictício, construído a partir de diversas referências, como a literatura nordestina, a tradição do cordel e elementos do imaginário popular brasileiro.

Quais foram as suas inspirações para criar essa novela?
Eu me inspiro muito na vida e nas minhas memórias de infância. Passei parte da infância entre o sertão do Ceará, onde meu pai nasceu, e o interior de Roraima, terra da minha mãe, ouvindo histórias de pessoas que deixavam a família para tentar a vida em São Paulo, cidade onde nasci e moro atualmente. Mas a inspiração também vem dos livros e personagens que atravessam a minha formação. Ismália (Camila Morgado), por exemplo, carrega algo das histórias shakespearianas: mulheres que atravessam um mundo dentro de si para conquistar aquilo que desejam. Ela tem um pouco de Lady Macbeth, personagem da tragédia ‘Macbeth’, escrita por William Shakespeare. Já Rosenda (Dira Paes) me lembra Penélope, da Mitologia Grega, alguém que vive na expectativa do retorno, preservando uma esperança que desafia os anos. ‘Lá na Minha Terra’ fala justamente sobre sobre amores que resistem ao tempo e sobre o lugar para onde sempre voltamos. Pode ser a nossa casa, a nossa origem ou apenas uma lembrança. É aquele lugar que carregamos por dentro, mesmo quando estamos longe dele.

Como você descreve a Rosenda (Dira Paes) e quais são os principais objetivos e desafios dela nessa jornada?
Rosenda é uma mulher digna, que se considera casada e honra esse vínculo. Vive como arrendatária nas terras de Almerindo Mourão (Mateus Solano), o fazendeiro local, apaixonado por ela. Rosenda parte para São Paulo atrás do paradeiro do marido, o principal objetivo dela é trazer de volta o pai para os filhos, não porque ela ache que uma mulher precise de um homem para criá-los, mas porque acredita que eles têm o direito de conhecê-lo. Ela também está tentada a se envolver com Almerindo, porque, no fundo, ama esse homem. Então vai a São Paulo para dar um ponto final nessa história: ou encontra a sepultura do marido, ou o encontra vivo. Os principais desafios são a nova família de Cesário, especialmente Ismália (Camila Morgado). Depois do choque inicial de descobrir que Cesário se chama Severino e tem outra família, Ismália decide que esse homem é dela. Rosenda, por sua vez, ficará dividida, especialmente por causa dos filhos. O grande desafio dela é viver o dilema do perdão.

Podemos falar que seu texto traz um pouco do realismo mágico? Quais são as suas principais referências?
‘Lá na Minha Terra’ é uma novela fabular, como todas que escrevo. Não é calcada na realidade, apesar do tom realista. Nas entrelinhas está a realidade, não o contrário. Quando falo da realidade, jamais abro mão do sonho, e vice-versa. Ela não bebe exatamente do realismo mágico latino-americano, como o de Gabriel García Márquez. Minhas obras têm mais semelhança com o universo de Ariano Suassuna e o de Graciliano Ramos. São novelas que tratam de lugares muito específicos e que falam com o mundo, são um microcosmo do mundo. Eu lido com arquétipos, coisa que Ariano fazia e que outros autores brasileiros também faziam, especialmente ligados ao movimento armorial, uma iniciativa artística lançada no Recife em 1970, idealizada pelo Ariano Suassuna. Também uso muito o universo popular, o cordel, a estrutura fabular e picaresca que vem do cancioneiro da Idade Média e da tradição ibérica. ‘O Auto da Compadecida’, por exemplo, utiliza elementos do teatro de Gil Vicente, de histórias do cordel nordestino. Uma de suas maiores influências foi o pioneiro Leandro Gomes de Barros, nas peças “O testamento do cachorro”, o “Cavalo que defecava dinheiro”, e outras. Ariano Suassuna rende homenagem à tradição popular em peças repletas de elementos eruditos – eu humildemente tento replicar esses mesmos temas, na eterna repetição da arte, que aponta o futuro sem abrir mão do passado.

‘Mar do Sertão’ e ‘No Rancho Fundo’, suas novelas anteriores, apresentam um fio condutor temático e estético que reflete a marca autoral da parceria entre você e o diretor artístico Allan Fiterman, que continua em ‘Lá na Minha Terra’. Desde o início havia um desejo de criar esse universo conectado ou isso foi acontecendo naturalmente?
Eu acho que eu sempre quis contar uma história como essa. Porque essa é a história dos meus pais, eu cresci no interior do Ceará. A primeira vez que eu tive a oportunidade de falar dessa realidade foi em ‘Mar do Sertão’. E desde então eu cheguei lá e não quero mais sair (risos). Eu acho que não foi planejado, mas ao mesmo tempo as coisas aconteceram na hora certa e como deveriam ter acontecido.

O que significa para você mais esta parceria com o diretor artístico Allan Fiterman?
Repetir uma parceria não é uma repetição, é uma renovação. Acredito que é uma forma de reconstruir a relação, criar coisas novas. Eu sempre falo que a novela foi escrita para ser vista, não foi escrita para ser lida. O diretor tem uma caneta na mão, e essa caneta é imprevisível. A câmera é a caneta do diretor e ela é imprevisível, pode ir para qualquer lugar e é bom que ela aponte para caminhos diferentes. A repetição da parceria nos desafia a criar novos caminhos.

De que forma ‘Lá na Minha Terra’ se conecta com o universo de suas novelas anteriores? E de que forma ela se diferencia e se destaca?
Enquanto ‘Mar do Sertão’ e ‘No Rancho Fundo’ permaneceram majoritariamente dentro de universos sertanejos ficcionalizados, ‘Lá na Minha Terra’ conecta diretamente Lavra Seca à cidade de São Paulo, considerada um segundo grande cenário da trama. O contraste entre Lavra Seca e a maior metrópole do país é um dos motores da narrativa e da identidade visual da novela. Os dois locais vão ser mostrados em tom fabular e com tintas mais fortes. Se as novelas anteriores exploravam conflitos familiares, amorosos e disputas de poder dentro do Nordeste, ‘Lá na Minha Terra’, além desses temas, traz como assunto central o desaparecimento de Severino (Daniel de Oliveira), que deixa Lavra Seca para tentar a vida em São Paulo e nunca retorna. A jornada de Rosenda (Dira Paes) em busca da verdade permite discutir deslocamento, pertencimento, saudade e reconstrução familiar.

Você gosta de trabalhar com histórias atemporais, em que a tecnologia aparece de forma muito particular. Como pretende incluir a tecnologia em ‘Lá na Minha Terra’?
A tecnologia estará presente, mas inserida no cotidiano da história, como um tema da atualidade dentro desse universo fabular. Vamos falar de um universo pulsante, dos polos de tecnologia do Nordeste, temos uma startup que visa fornecer água limpa e impacta na questão da seca na região. Essa empresa é criada pela filha de Almerindo, Lourdes (Julia Dalavia), e seu sócio Elias (Igor Lorenzo), filho de Celestina (Lilia Cabral), um jovem gênio da informática. Lina (Arianne Botelho) decide reconstruir a criação de cabras da família e desenvolve um projeto sustentável ligado à startup de água. Ela é uma jovem inovadora, com um arco que combina afeto, empreendedorismo e transformação. Mas a inovação e a sustentabilidade são camadas da narrativa; o coração da novela continua sendo a jornada dos personagens.

O que você deseja despertar no público com a história que está contando?
Acredito que o público vai se sentir à vontade em ‘Lá na Minha Terra’, porque é uma história que poderia se passar dentro da casa de cada um. Cada pessoa recebe a novela de uma forma. Acho que se você consegue fazer com que uma história chegue a pessoas tão diferentes, e que elas consigam encontrar uma identificação, isso é o que faz com que a obra seja lembrada daqui a algum tempo.

ENTREVISTA COM O DIRETOR ARTÍSTICO ALLAN FITERMAN

Allan Fiterman começou sua carreira em Los Angeles, nos Estados Unidos, trabalhando em vários setores da indústria cinematográfica. Trabalhou em curtas-metragens como fotógrafo, até dirigir seu primeiro longa ‘Living the Dream’ (2006), filmado no Exterior e estrelado por Sean Young e Danny Trejo. De volta ao Brasil, fez ‘Embarque Imediato’ (2009), com Marília Pêra e Jonathan Haagensen, e se destacou pela direção de ‘Berenice Procura’ (2017). Na Globo, atuou como diretor do especial ‘Natal do Menino Imperador’ (2008), no remake de ‘O Astro’ (2011), nas novelas ‘Ciranda de Pedra’ (2008), ‘Tudo Novo de Novo’ (2009), ‘Cheias de Charme’ (2012), ‘Geração Brasil’ (2014), ‘Verdades Secretas’ (2015), produção consagrada com o Emmy Internacional de Melhor Novela, ‘A Força do Querer’ (2017), e no seriado ‘Louco por Elas’ (2012). Como diretor geral, esteve à frente da série ‘Mister Brau’ (2015) e da novela ‘Sétimo Guardião’ (2018). Como diretor artístico, assinou as novelas ‘Quanto Mais Vida, Melhor!’ (2021), ‘Mar do Sertão’ (2022), ‘No Rancho Fundo’ (2024) e ‘Dona de Mim’ (2025). ‘Lá na Minha Terra’ é seu terceiro trabalho em parceria com o autor Mario Teixeira.

Do ponto de vista da direção, como você pretende contar a história de ‘Lá na Minha Terra’?
‘Lá na Minha Terra’ conta uma história completamente diferente do que a gente já viu, mas partindo de um universo que tem uma similaridade com as novelas anteriores que fiz com o Mario. Estamos contando uma história dentro de uma cidade fictícia, mais uma vez, com personagens que trazem comicidade, suspense, drama, enfim, todos os elementos que se procura numa teledramaturgia, dentro de um universo que não é realista. Existe essa similaridade artística dentro das novelas assinadas pelo Mario, a gente tem uma assinatura em relação a isso, mas o público pode esperar novidades. São Paulo desta vez é personagem da história e trará novas possibilidades narrativas.

O que significa ter a Dira Paes como protagonista de ‘Lá na Minha Terra’?
A Dira Paes é uma atriz muito importante para a teledramaturgia brasileira e para o cinema nacional. A Dira representa muita gente. E é uma mulher de muita personalidade, que é o que a gente busca na Rosenda. Ela foi uma escolha nossa, conjunta minha e do Mario. A gente tem muito prazer de ter a Dira com a gente. Foi uma pessoa muito querida por nós para estar no elenco.

Esteticamente, como é Lavra Seca? E como São Paulo será representada nas telas?
A geografia dessa novela promete encantar o público de uma forma diferente. Em ‘Mar do Sertão’ gravamos em Alagoas, no Vale do Catimbau, Piranhas, lugares lindos. Já em ‘No Rancho Fundo’, fomos para Diamantina, em Minas Gerais, onde encontramos grutas incríveis, para contar a história em torno da Turmalina Paraíba. E agora gravamos na Chapada Diamantina, na Bahia. Desde a primeira novela, sempre foi um lugar desejado por nós. A representação de ‘Lá Na Minha Terra’ vai estar inserida em áreas com muito verde, cachoeiras. E também temos São Paulo na nossa história, que vai trazer uma mistura interessante. E como a gente também tem a liberdade de estar fazendo uma obra de ficção e fabular, estamos misturando as geografias de uma forma mais lúdica.

Como funciona a sua parceria com o autor Mario Teixeira?
Eu tenho uma parceria muito feliz com o Mario, baseada em respeito e na capacidade que temos de nos complementar. Quando autor e diretor caminham na mesma direção, ele contando a história em palavras, e eu, transformando aquilo em imagem, ajudando a concretizar o que ele escreveu, é muito engrandecedor artisticamente. Saber que estamos um acrescentando ao trabalho do outro, é muito gratificante. Ele é um autor muito colaborativo.

O que você deseja despertar no público com a história que está contando?
Quero levar entretenimento, felicidade para a casa das pessoas, que elas consigam se identificar com os personagens, acompanhar a história. É muito gratificante quando você chega num ponto de ônibus e vê as pessoas falando sobre o seu trabalho. A gente atinge tanta gente diferente ao mesmo tempo. Novela é uma paixão nacional, então as pessoas todas se sentem pertencentes a essa história. Isso eu acho a coisa mais linda.

PERFIL DOS PERSONAGENS

Família Madeira
Rosenda Madeira (Dira Paes) – Afetuosa sem perder a autoridade, criou praticamente sozinha os filhos Lina (Arianne Botelho), Damaso (Miguel Rômulo), Brícia (Jéssca Marques), Dodô (Vicenthe Delgado) e Águeda (Carol Pinheiro) depois que Severino (Daniel de Oliveira), seu marido, partiu para São Paulo há mais de 15 anos e desapareceu. Desde então, sustenta a casa, a memória da família e a esperança de reencontrá-lo, sem deixar que a dureza da vida apague sua doçura. Vive como arrendatária na fazenda de Almerindo Mourão (Mateus Solano), que a respeita, admira e corteja com a paciência de um eterno apaixonado. Afeto que não é correspondido por Rosenda, que ainda se considera casada mesmo depois de tantos anos do sumiço do marido. Após tanto tempo de sua partida, Rosenda ainda não perdeu as esperanças de reencontrá-lo e descobrir as respostas para tantas perguntas que a perseguem.

Lina Madeira (Arianne Botelho) – Maria Lina da Anunciação Madeira é filha de Rosenda (Dira Paes). Saudosa do pai, Severino (Daniel de Oliveira), jamais deixou de procurá-lo, seja pela internet ou buscando notícias. Como a mãe, a quem ela respeita acima de tudo, tem certeza de que Severino está vivo, seja onde for. Encontrará o amor no vaqueiro Raimundo Gerardo (Danilo Mesquita). Ao menos até o jovem rico e urbano, Daniel (Jesuíta Barbosa) aparecer em Lavra Seca.

Damaso Madeira (Miguel Rômulo) – Primogênito de Rosenda (Dira Paes). Vaqueiro, é imbatível. Desde muito cedo teve que ajudar a mãe no sustento da casa e se ressente da falta do pai, Severino (Daniel de Oliveira). No amor tumultuado com a vaqueira Socorro (Lucy Alves), Damaso vai descobrir mais sobre si mesmo e a vida.

Brícia Madeira (Jessica Marques) – Abandonada quando pequena, foi criada por Rosenda (Dira Paes) e se tornou uma mulher arredia e arisca, que vive às turras com o mundo. É tratada com todo cuidado por Rosenda, despertando o ciúme dos irmãos. Guarda um grande segredo do passado que ainda a assombra, mas também ilumina o seu presente.

Dodô Madeira (Vicenthe Delgado) – Teodomiro Madeira, conhecido como Dodô, é o filho do meio de Rosenda (Dira Paes). Tímido, reservado e sensível, se encontra na sua arte em barro e argila.

Águeda Madeira (Carol Pinheiro) – Caçula de Rosenda (Dira Paes), é inteligente e valente como Lina (Arianne Botelho), mas, na fase da adolescência, ainda não tem a maturidade da irmã. Ao longo da história, segredos que a envolvem prometem mexer com a família.

Família Mourão
Almerindo Mourão (Mateus Solano) – Dono da Fazenda Canto Sereno. Fazendeiro e criador de gado, o maior da região, conquistou tudo do zero, com muito trabalho. É educado e justo com todos. Viúvo e pai de Lurdinha (Julia Dalavia), que foi estudar em São Paulo e não voltou mais. Ele descobriu com espanto que, em sua vida, cabe ainda mais um amor, e dos grandes: por Rosenda (Dira Paes), que não considera qualquer possibilidade de amar novamente, por ainda se ver como uma mulher casada após o desaparecimento do marido há mais de 15 anos. Mas Almerindo não desistirá de lutar por esse amor.

Maria de Lourdes Mourão (Julia Dalavia) – Filha de Almerindo Mourão (Mateus Solano). Lurdinha vive em São Paulo desde os 18 anos, quando entrou na universidade. Para tristeza do pai, foi estudar e não voltou mais. Integrou-se perfeitamente à cidade. É bem-humorada, mas durona. Empreendedora, é o cérebro por trás da Mar do Sertão, startup com uma solução inovadora para recuperação e purificação de águas que vai levá-la de volta a sua terra de origem.

Jacinta Mourão (Mariana Lima) – Cunhada de Almerindo (Mateus Solano), viúva de seu irmão, levada a morar com ele depois da morte de sua esposa para ajudar na criação de Lurdinha (Julia Dalavia). É noiva do delegado Gofredo Gondim (Welder Rodrigues), que há muito tempo lhe promete casamento.

Natércia Almedina (Clarissa Pinheiro) – Trabalha na fazenda de Almerindo (Mateus Solano) e ajudou a criar Lurdinha (Julia Dalavia). É quem manda de verdade na casa. Grande conhecedora do Lunário Perpétuo, almanaque popular escrito na idade média, cuja influência no Nordeste perdura até os dias de hoje, aconselha Almerindo ao longo dos anos sobre agricultura, saúde e previsões climáticas.

Os Vaqueiros
Raimundo Gerardo da Conceição Evangelista (Danilo Mesquita) – O vaqueiro guia mais famoso de Lavra Seca. Trabalha na fazenda Canto Sereno, e é um dos funcionários de maior confiança de Almerindo Mourão (Mateus Solano). Apaixonado por Lina (Arianne Botelho), com quem se abre para um grande aprendizado sobre a vida e suas próprias emoções. Essencialmente bom, tem um entendimento da Justiça rápido e certeiro. Seu lado um tanto desastrado poderá decepcionar Lina, que verá em Daniel (Jesuíta Barbosa) um contraponto. É o melhor amigo de Biró (Thardelly Lima).

Biró (Thardelly Lima) – Vaqueiro e cantador, está sempre com seu chapéu de couro e a viola a tiracolo. É o melhor amigo de Raimundo Gerardo (Danilo Mesquita). Graças ao parceiro, mora na fazenda Canto Sereno, onde trabalha como “salta-moita”, mas, para as mulheres, se apresenta como vaqueiro guia, contando vantagem. Vive atrás de uma nova aventura romântica e não raro se mete em confusões por causa disso.

Socorro (Lucy Alves) – Em um meio dominado por homens, não desistiu até tornar-se uma vaqueira, vontade que a fez ser expulsa de casa pelo pai. Perseverante, resiliente e corajosa no limite da irresponsabilidade, trabalha na fazenda Canto Sereno. Se apaixonou por Raimundo Gerardo (Danilo Mesquista), e reage bastante ao amor repentino dele por Lina (Arianne Botelho). Mas irá se envolver com Damaso (Miguel Rômulo).

Dalton Maciel (Max Petterson) – Vaqueiro recém-chegado a uma fazenda da região que tem má reputação especialmente pela demarcação duvidosa das divisas e pelo desvio de gado alheio. É uma exceção entre os vaqueiros agressivos e maldosos da propriedade, que vivem às turras com os vaqueiros de outras fazendas, especialmente os da Canto Sereno.

Outros moradores de Lavra Seca

Cosminha Madeira (Cris Larin) – Cunhada de Rosenda (Dira Paes), irmã de Severino (Daniel de Oliveira). Viúva e rica, se considera o farol moral de Lavra Seca, e procura controlar as vidas dos outros. Vive com a irmã mais nova, Saviana (Rhaisa Batista).

Saviana Madeira (Rhaisa Batista) – Também cunhada de Rosenda (Dira Paes), irmã caçula de Cosminha (Cris Larin). Tímida, vive à sombra do temperamento forte da irmã mais velha. É cortejada pelo delegado Gofredo Gondim (Welder Rodrigues) e por outros homens da cidade, mas, por conta dos conselhos da irmã invejosa, não se decide por nenhum.

Otacília Epitácia Marcondes (Olivia Araujo) – Escrivã da delegacia, melhor amiga das irmãs Cosminha (Cris Larin) e Saviana (Rhaisa Batista), a quem fornece informações sigilosas sobre os moradores da cidade.

Gofredo Gondim (Welder Rodrigues) – Delegado metido a galã. Joga charme para todas as mulheres que encontra. Enrola Jacinta (Mariana Lima) há muito tempo com promessas de noivado e casamento. Tem medo de Almerindo Mourão (Mateus Solano), cunhado de Jacinta, e tenta manter, inutilmente, a compostura diante dele. Frequentador assíduo do cabaré da cidade.

Padre Honório (Haroldo Guimarães) – Padre de Lavra Seca há décadas. Querido por todos na cidade, interessado genuinamente no bem-estar doa fiés, que trata igualmente.

Padre Otávio Alacocque (Luis Miranda) – O novo vigário da cidade. Se tornará um grande amigo do pastor Geison (Felipe Simas).

Pastor Geison (Felipe Simas) – Íntegro e justo, se tornará um mentor para Lucijane (Nina Tomsic), quando ela chegar a Lavra Seca. A fé o aproximará do padre Otávio (Luis Miranda).

Anamara (Gabriela Loran) – Dona do cabaré e da hospedaria da cidade. Durona, orgulhosa e independente, não se curvará às vontades de Celestina (Lilia Cabral) quando ela se mudar para Lavra Seca ao longo da história.

Dindim (Letícia Vieira) – Recém-chegada ao cabaré, é deslocada por Anamara (Gabriela Loran) para a recepção da hospedaria do local. Seu maior objetivo é juntar um dinheiro e trazer sua avó, que vive em outra cidade, para junto de si.

Ana Rosa (Larissa Goes) – Veterinária de animais de grande porte, chega da capital a Lavra Seca já com conhecimento e experiência, mas aberta às surpresas que a cidade oferece. Altiva, a jovem mantém os homens à distância e os animais por perto.

São Paulo
Ismália Alencar (Camila Morgado) – Apaixonada pelo marido Cesário (Daniel de Oliveira). Sedutora, sabe intimidar quando quer. Mãe de Daniel (Jesuíta Barbosa), fruto do primeiro casamento, e de Alice (Giulia Benite), da união com Cesário. Ama e odeia com a mesma intensidade e fúria. Vai fazer de tudo para recuperar Cesário depois que descobrir que ele tem outra família, custe o que custar.

Cesário Ávila/Severino Madeira (Daniel de Oliveira) – Marido desaparecido de Rosenda (Dira Paes), que se mudou para São Paulo há mais de 15 anos e nunca voltou para casa. Quando vivia em Lavra Seca como Severino, era um homem da lida. Na nova vida em na capital paulista como Cesário, virou empreendedor, abriu seu próprio negócio, a Veredon, e tornou-se um homem rico. Decidido a esquecer o passado, inventou para si uma nova identidade. Adotou novos hábitos, que aprendeu com a atual mulher, Ismália (Camila Morgado). Ao mesmo tempo em que se arrepende de sua atitude imperdoável de abandonar a família, jurou a si mesmo jamais voltar para Lavra Seca.

Daniel Alencar (Jesuíta Barbosa) – Filho do primeiro casamento de Ismália (Camila Morgado). Idealista, terno e tolerante. Por causa da diferença de temperamento, tem uma relação difícil com a mãe, impulsionada pelo fato de Ismália ter traído o pai dele com Cesário (Daniel de Oliveira).

Alice Ávila Alencar (Giulia Benite) – Filha de Ismália (Camila Morgado) e Cesário (Daniel de Oliveira). É o retrato em menor escala de Ismália, porém, quando descobrir que é a filha de um farsante, vai colocar sua própria identidade e seus valores em questão.

Josélia Machado (Suzy Lopes) – Governanta da casa de Ismália (Camila Morgado) e Cesário (Daniel de Oliveira). Casada com Heraldo (Leandro Daniel) e mãe de Marleide (Castorine) e Lucijane (Nina Tomsic). É uma pessoa boa, mas mal-humorada.

Heraldo Machado (Leandro Daniel) – Marido de Josélia (Suzy Lopes), pai de Marleide (Castorine) e Lucijane (Nina Tomsic). Motorista de Cesário (Daniel de Oliveira). Sabe de alguns segredos do patrão, mas é discreto.

Marleide Machado (Castorine) – Filha mais velha de Josélia (Suzy Lopes) e Heraldo (Leandro Daniel), trabalha como esteticista. Batalhadora, ainda não conheceu o amor e sonha com esse momento. Ganha seu próprio dinheiro, mas não gasta com futilidades – ao contrário de Lucijane (Nina Tomsic), irmã caçula que não trabalha e gasta o que é ganho com sacrifício pelos pais.

Lucijane Machado (Nina Tomsic) – Filha caçula de Josélia (Suzy Lopes) e Heraldo (Leandro Daniel). Fascinada por compras na internet e por produtos caros de maquiagem, que compra com o dinheiro dos pais. Para afastá-la do consumo desenfreado, os pais a mandam para Lavra Seca, onde vive sua madrinha, Otacília (Olívia Araújo).

Aluísio Fortunato (Gustavo Vaz) – Sócio de Cesário (Daniel de Oliveira) na Veredon. Casado com Delfina (Débora Nascimento) e pai de Francisco (Theo Kawai), não dá atenção à família. É capaz de qualquer coisa para alcançar seus objetivos e adapta-se a qualquer ambiente. No fundo, despreza Cesário, considera-o um bruto.

Delfina Almeida Fortunato (Débora Nascimento) – Advogada da empresa do marido, Aluísio (Gustavo Vaz), e de Cesário (Daniel de Oliveira). É apaixonada por Cesário, com quem tem um caso. Ama incondicionalmente seu filho Francisco (Theo Kawai) e faz tudo por sua felicidade.

Francisco Almeida Fortunato (Theo Kawai) – Filho de Aluísio (Gustavo Vaz) e Delfina (Débora Nascimento), tem tudo que o dinheiro pode comprar, mas sente falta da atenção do pai, que vive imerso no mundo dos negócios.

Celestina Guerreiro (Lilia Cabral) – Dona da pensão que hospedou Rosenda (Dira Paes) no passado, quando ela esteve em São Paulo pela primeira vez atrás de Severino (Daniel de Oliveira), sem sucesso. Também a recebe quando ela retorna. Manipuladora, tem um quê de perversidade. É mãe de Elias (Igor Lorenzo), cujo pai é desconhecido. Chantageia Cesário (Daniel de Oliveira), porque é a única que sabe que ele assumiu uma nova identidade. Além disso, é proprietária oculta do Cabaré e da Hospedaria de Lavra Seca.

Elias Arjan Guerreiro (Igor Lorenzo) – Filho de Celestina (Lilia Cabral). Sócio de Lourdes (Julia Dalavia) na startup Mar do Sertão e platonicamente apaixonado por ela. Disfarça o amor pela sócia na forma de um senso de humor. Nessa estranha relação de sociedade e codependência profissional e afetiva, eles se entendem – até que o sentimento que nutre por Lourdes começa a consumi-lo.

Ezequiel Gomes do Rosário (Jaime Leibovitch) – Tratador de cavalos do jóquei clube. Grande conhecedor de animais, inteligente e intuitivo. Mora na pensão de Celestina (Lilia Cabral). É um homem reservado, que se torna um bom amigo de Rosenda (Dira Paes).

Maurílio Fronde (Thiago Brianti) – Advogado ousado e competente, Maurílio sabe ser malicioso e cínico quando necessário. É assim que chama a atenção e conquista a admiração de Ismália (Camila Morgado). Por trás do profissional confiante e do discurso sempre afiado, existe um homem perigoso, capaz de tudo para alcançar seus objetivos.

Josias Peixoto (Gustavo Falcão) – “Faz-tudo” de Celestina (Lilia Cabral), aprendeu cedo que ninguém faria nada por ele de graça. Infiltra-se em espaços e se aproxima das pessoas de olho no lucro que pode ganhar. Ambicioso, considera-se mais esperto do que é e aposta alto, acreditando que o próximo golpe será seu golpe de mestre.

Tânia Souza (Alane Dias) – Veterinária dos cavalos de Cesário (Daniel de Oliveira) no jóquei clube. Íntegra, objetiva e extremamente cuidadosa, é a única profissional em que Cesário confia de olhos fechados.

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