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Conheça a história, o elenco completo e os perfis dos personagens da novela ‘Por Você’

by Priscila Martz
04/08/2026 - 15:43 PM
Alinne Moraes (Foto: Reprodução)

Alinne Moraes (Foto: Reprodução)

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Todos os dias, Bela (Sheron Menezzes) acompanha o instante em que uma mulher dá à luz. Ginecologista e obstetra, vivencia na profissão o propósito de ajudar novas famílias a nascer, sem jamais imaginar esse destino para si. Por outro lado, Juli (Lucy Ramos), sua amiga inseparável desde a infância, parecia naturalmente vocacionada a ser mãe: criou quatro filhos com coragem, entrega e um afeto capaz de sustentar uma casa inteira. Quando uma tragédia interrompe essa história, a médica recebe o pedido mais doloroso e transformador de sua trajetória: acolher o quarteto que ficou órfão.

Em ‘Por Você’, nova novela das sete da TV Globo, o luto conduz a uma experiência inesperada, construída não pelo sangue, mas pela promessa, pela presença e pelo amor que insiste em continuar. Ambientada em um Rio de Janeiro contemporâneo, solar e plural, a obra levanta a reflexão sobre até onde alguém é capaz de ir por quem ama, além de conectar o rumo de diferentes personagens com tramas que abordam múltiplas perspectivas sobre a maternidade e os laços de afeto. Criada e escrita por Dino Cantelli e Juliana Peres, com direção artística de André Câmara e produção de Erika da Matta, a obra tem estreia marcada para o dia 17 de agosto.

Bela e Juli cresceram como irmãs na Vila Maravilha, comunidade fictícia na Zona Sul carioca. Enquanto Bela construiu uma carreira sólida na Medicina, Juli permaneceu no bairro e criou sozinha Peixe (Cauê Campos), Glorinha (Laura Luz), Ítalo (Fabrício Assis) e Samuca (Kadu Spinola). Apesar dos diferentes percursos, as duas mantiveram a relação de parceria e cumplicidade até que um acidente interrompe brutalmente essa história.


No carro conduzido por Bela, as amigas são atingidas por outro veículo em alta velocidade. Gravemente ferida, Juli faz à amiga uma súplica: que assuma o cuidado de seus quatro filhos. A partir desse momento, a protagonista precisa conciliar a própria tristeza e as inseguranças da rotina materna inesperada. É nesse movimento que a novela conduz uma narrativa sobre amizade, família e recomeço.

Para Dino Cantelli e Juliana Peres, a ideia de “por você” atravessa toda a trama. “A trama fala de histórias de dedicação profunda às pessoas que se ama. Essa entrega aparece em relações entre pais e filhos, irmãos, no trabalho e nas escolhas pessoais”, define o autor. Juliana destaca que a obra aposta em um realismo lúdico para tratar da maternidade em suas múltiplas formas, da saúde, da juventude, da educação e de conflitos éticos que cruzam as trajetórias dos personagens. “Todos esses eixos se desdobram naturalmente em subtemas e subtramas, ampliando o universo da história e aprofundando suas camadas”, reflete.

A direção artística de André Câmara parte da ausência de Juli para traduzir visualmente uma história de continuidade do afeto. “A presença se transforma em ausência, mas essa ausência não é vazio. O luto é o amor insistindo em existir mesmo diante da falta. Essa ideia atravessa toda a obra”, afirma. A partir da amizade que funda a trama, a novela fala de memória, comunidade, reparação e reconstrução.

Em ‘Por Você’, a Zona Sul do Rio de Janeiro aparece como parte ativa da dramaturgia. Entre os bairros da Lagoa e Humaitá, onde estão a Vila Maravilha, o fictício Hospital & Maternidade Luz, a feira livre, os bares e os espaços de educação e esporte, a novela reflete modos de viver, relações de pertencimento, redes de apoio e disputas. O cenário amplia o olhar para além do Rio-cartão-postal e aposta em uma ambientação urbana, cotidiana e cheia de contrastes, onde a cidade é apresentada a partir de sua vitalidade e potência humana.

Produzida pelos Estúdios Globo, ‘Por Você’ é criada e escrita por Dino Cantelli e Juliana Peres, com colaboração de Cleissa Martins, Fausto Galvão, Mario Viana, Michel Carvalho e Nathalia Sambrini, e supervisão de texto de Glória Barreto. A direção artística é de André Câmara, com direção geral de Jeferson De, direção de Ana Paula Guimarães, Lúcio Tavares, Larissa Fernandes e Jully Irie, produção de Erika da Matta, produção executiva de Lucas Zardo e direção de gênero de José Luiz Villamarim.

Mesa para cinco

É dentro de casa que a novela apresenta sua reflexão central: a maternidade pode ganhar forma no cotidiano e se fortalecer entre afetos, conflitos e aprendizados. Sob o mesmo teto, Bela (Sheron Menezzes), Peixe (Cauê Campos), Glorinha (Laura Luz), Ítalo (Fabrício de Assis) e Samuca (Kadu Spinola) carregam, cada um à sua maneira, as marcas da morte de Juli (Lucy Ramos) e tentam seguir em frente. A obstetra tenta transformar a dor em presença enquanto aprende, na prática, a cuidar dos quatro, com suas personalidades distintas e demandas particulares de cada idade.

Na tentativa de formar uma família, Bela enfrenta a resistência de Peixe. Consumido pela dor do luto e pelo ressentimento diante da desigualdade que se estabeleceu entre ela e sua mãe depois que a médica deixou a Vila Maravilha, o primogênito acredita ser capaz de assumir as responsabilidades da casa e dos irmãos, recusando qualquer ajuda. Em contrapartida, Bela encontra apoio nos gêmeos Glorinha e Ítalo. Inseparáveis, os dois passam, na convivência com a obstetra, a se enxergar como indivíduos e a se distanciar da necessidade de viver sempre em dupla. No dia a dia, a melhor amiga de Juli também constrói uma relação especial com o pequeno Samuca.

Ao enfrentar os desafios da maternidade, Bela descobre uma nova faceta de si mesma. “Após a perda da Juli, sua irmã de vida, a Bela se vê, do dia para a noite, responsável por quatro pessoas. A partir desse momento, acho que ela começa a entender o que é não estar sozinha em casa, o que é ter louça na pia, um lar cheio de vida. Ela passa a se importar com outras coisas além de si mesma. Com isso, de certa forma, também começa a reviver a Juli dentro dela. Aquele pedaço que estava faltando volta a existir. As duas acabam se tornando uma só através desses filhos. A Bela descobre, depois dessa perda, que tudo aquilo que nunca imaginou querer já fazia parte dela o tempo todo”, reflete a atriz Sheron Menezzes.

Entretanto, antes que os cinco possam se adaptar uns aos outros, representantes do conselho tutelar informam que os irmãos não podem permanecer com a médica de forma irregular e que deverão ser encaminhados para uma casa de acolhimento. Já profundamente envolvida com eles e comprometida com a promessa feita à amiga, Bela decide lutar judicialmente pela guarda com a ajuda de Gabriel (Thiago Lacerda), seu ex-namorado e advogado do Hospital & Maternidade Luz, onde a obstetra trabalha.

Um novo amor para Bela

Ao transformar sua promessa em compromisso, Bela descobre um novo significado de família e maternar. Nessa nova composição de vida, ela encontra em Lucas (Amaury Lorenzo), professor e diretor pedagógico da escola dos filhos de Juli (Lucy Ramos), uma rede de apoio fundamental. Sensível e comprometido a orientar seus alunos, o educador acompanha as crianças desde o acidente, ajudando-as a retomar a rotina escolar e oferecendo a elas e à obstetra suporte diante da nova realidade. A convivência, marcada pela atenção com os irmãos, aproxima os dois e abre espaço para o surgimento de uma paixão. O vínculo leva Bela a reavaliar escolhas que mantiveram sua vida afetiva em segundo plano desde o fim do noivado com Gabriel (Thiago Lacerda), quando deixou o Brasil para se dedicar a uma residência em Londres.

Por trás da postura acolhedora, Lucas também carrega uma história traumática. Anos antes, quando vivia no interior, perdeu a esposa em um episódio de violência. O ataque, cometido por um jovem, trouxe à tona sentimentos de culpa e impotência que o acompanharam por um longo tempo. A dor, no entanto, o levou a recomeçar e a transformar a educação em propósito. “O Lucas chega ao Rio de Janeiro depois de uma tragédia que acontece na vida dele e, curiosamente, é também a partir de uma tragédia na vida da Bela que os dois acabam se conectando. O luto e o cuidado com os irmãos faz com que eles se aproximem. Ele não quer ver Peixe, Glorinha, Ítalo e Samuca se perderem pelos caminhos mais difíceis da vida após tudo que passam. É um homem que acredita que a educação pode abrir outras possibilidades e oferecer novos horizontes. É através da escola que ele tenta fazer essa diferença”, destaca Amaury Lorenzo.

O Hospital & Maternidade Luz

Enquanto aprende a reorganizar a própria vida, a Bela (Sheron Menezzes) também terá de enfrentar embates decisivos no trabalho, onde sua ética, sua história e seu lugar no Hospital & Maternidade Luz são colocados à prova. À frente do negócio está Pérola (Renata Sorrah), uma mulher empática e comprometida com a medicina humanizada, que sempre buscou conduzir o hospital com responsabilidade. Viúva do Dr. Edgar Romano – médico fundador da casa de saúde – e mãe de Vanessa (Alinne Moraes), Pérola mantém uma forte conexão com a neta Leandra (Giovanna Grigio) e uma boa relação com o genro Gabriel (Thiago Lacerda). No entanto, a matriarca guarda de todos um segredo que a obriga a repensar o futuro e a sucessão no comando do hospital, tendo em mãos uma decisão capaz de redefinir os rumos da família.

Decidida a iniciar a transição da presidência, inicialmente Pérola acredita que Vanessa, como herdeira direta, esteja preparada para assumir o posto. Porém, a situação toma um novo rumo quando ela descobre que a sucessora natural desviou verba do setor de oncologia para projetos que distorcem os princípios do trabalho que sempre procurou desenvolver. Tomada pela decepção, a atual presidente passa a considerar Bela (Sheron Menezzes), médica a quem admira por sua ética e dedicação, para ocupar a posição após sua saída, decisão que acirra um conflito entre mãe e filha.

Vanessa representa um contraponto direto à mãe: é uma mulher competitiva e marcada por ressentimentos do passado. Médica anestesista por formação, abandonou a prática clínica para se dedicar exclusivamente à gestão do hospital sob uma lógica empresarial, conduzindo o negócio com foco em expansão e lucro. Fascinada por status e sofisticação, investe em iniciativas como uma área voltada a experiências de luxo para parturientes, o que gera constantes confrontos com Bela, defensora de uma medicina voltada ao cuidado integral da saúde do paciente, alinhada aos valores de Pérola.

“A Vanessa acredita que a mãe tem ideias ultrapassadas e que não prioriza os lucros do hospital da forma que deveria. Uma grande vontade da Pérola é ampliar o atendimento do hospital para mulheres em situação de vulnerabilidade. A vilã tem outros planos. O sonho dela é inaugurar uma ala destinada a mães que buscam uma experiência diferenciada, com infraestrutura de alto padrão, estética sofisticada e serviços exclusivos. Ela está realmente empenhada em transformar esse projeto em realidade e em deixar sua marca na gestão do hospital”, adianta Alinne Moraes.

Em um cenário de incertezas sobre o futuro da instituição hospitalar, surge Junqueira (Mauricio Mattar), investidor influente e dono da Rede Saúde Integral, interessado em expandir seus negócios. Com forte trânsito em diferentes instâncias de poder, ele identifica no Hospital Luz uma oportunidade estratégica e se alia a Vanessa para viabilizar sua entrada na instituição. A parceria entre os dois promete acirrar ainda mais as disputas internas, colocando em jogo valores, interesses financeiros e o futuro da organização.

Uma janela para o passado

Se, para Bela, o cuidado se constrói na presença, entre os Romano se observa outra face da maternidade: aquela atravessada por diferentes valores e distâncias afetivas. O antagonismo entre a obstetra e a anestesista vem de anos e atravessa boa parte de suas vidas. Desde a infância, apesar da convivência no mesmo ambiente, viviam separadas por um abismo social: Vanessa, filha dos patrões; Bela, filha da empregada. O carinho de Pérola pela menina despertou sentimentos permanentes de inveja, rejeição e competição na própria filha. O embate se intensificou na juventude, quando as duas ingressaram na mesma faculdade de Medicina. Bela passou a se destacar academicamente, conquistando o reconhecimento de Dr. Edgar, que a convidou para trabalhar no Hospital & Maternidade Luz, para a frustação e ira de sua herdeira, Vanessa.

A hostilidade da herdeira ganha novas camadas com a presença de Gabriel (Thiago Lacerda). Advogado de boa índole, carrega marcas profundas de uma infância sem referências familiares. Criado em uma casa de acolhimento, encontrou na relação com os Romano a sensação de pertencimento que nunca teve. Antes de ingressar na família, viveu um grande amor com Bela, interrompido quando ela se mudou para fazer residência em Londres. Fragilizado pela distância, cedeu às investidas de Vanessa, que sempre o desejou. Com ela, Gabriel logo realizou seu sonho de ser pai e se viu diante de uma relação e uma vida aparentemente estáveis, que também o permitiu se formar em Direito.

Hoje, o casamento dos dois atravessa uma crise alimentada pelas inseguranças, ciúmes e feridas não curadas de Vanessa. Gabriel, por sua vez, percebe que também carrega sentimentos mal resolvidos. Ao apoiar Bela na luta judicial pela guarda dos filhos de Juli (Lucy Ramos), movido pelo desejo de reparar as ausências de sua própria história, o advogado se dá conta de que ainda nutre sentimentos pela ex-namorada.

No centro dessa relação conturbada está Leandra (Giovanna Grigio). Filha do casal, a residente encontra no pai uma presença acolhedora enquanto convive com a distância afetiva da mãe. Em busca de aprovação, a jovem vive na tentativa de corresponder às expectativas de Vanessa, tornando-se, muitas vezes, vulnerável às suas manipulações.

“O Gabriel é um personagem que carrega uma fragilidade afetiva muito grande. Ele tem um trauma de infância marcado pela ausência dos pais e pela falta de pertencimento dentro de um lar. Acho que a relação dele com a família Romano diz muito sobre esse lugar emocional. Com a Pérola, sinto que ele encontra uma figura à qual pode dedicar verdadeiramente seu respeito, sua admiração e seu afeto. Com a esposa, vive uma situação muito delicada, que pode se transformar à medida que a nossa história avança. Mas a relação com a filha é, para mim, a grande tradução do personagem. A maneira como o Gabriel exercita, na convivência com ela, a paternidade que ele próprio nunca teve é o grande motor da sua transformação”, analisa Thiago Lacerda.

O segredo de Juarez

Na Vila Maravilha, as redes que amparam Bela (Sheron Menezzes) e os filhos de Juli (Lucy Ramos) revelam ainda uma dimensão coletiva do cuidado. Ao mesmo tempo, tornam mais doloroso um segredo capaz de abalar essa família ampliada. É na comunidade que ela construiu amizades que guarda com carinho até hoje, apesar de não viver mais lá. Após a morte de Juli, a médica busca acolhimento em Iara (Noemia Oliveira), outra amiga dos tempos de juventude e terceira ponta daquela trinca. Juntas, refletem sobre o futuro dos quatro irmãos que ficaram órfãos. Embora acredite que a amiga deva ponderar com calma essa decisão, Iara é a maior aliada de Bela no enfrentamento do luto e nos desafios da criação dos meninos, sem imaginar que sua própria família está diretamente ligada à tragédia.

Iara é casada com Juarez (Milhem Cortaz) e mãe da espevitada Dalila Cristina (Lívia Silva). A família mantém uma barraca de frutas, verduras e queijos na feira livre dos arredores do Hospital & Maternidade Luz. Juarez é um homem íntegro, trabalhador e dedicado à família. No entanto, seu caráter é colocado à prova quando o assunto é o acidente que tirou a vida de Juli.

Em um dia comum de trabalho, após deixar o próprio veículo mais uma vez na oficina, Juarez pega um carro emprestado com Zé (Angelo Antonio), dono do estabelecimento, para não comprometer as vendas na feira. Ao passar por um cruzamento, o feirante avança o sinal vermelho em alta velocidade e colide com o carro de Bela, atingindo o lado do carona, onde está Juli.

Num primeiro momento, Juarez não se dá conta de quem ocupava o carro atingido e, em um ato de desespero, diante da impossibilidade de arcar com o prejuízo financeiro, foge do local sem prestar socorro. Horas depois, ao receber a notícia da morte de Juli, constata que o acidente que tirou a vida da amiga foi o mesmo em que esteve envolvido. Consumido pela culpa, ele tenta, em diferentes momentos, revelar o ocorrido à família, mas sempre recua. Desencorajado, passa a carregar sozinho o segredo devastador que será um grande tormento em sua vida.

A situação do comerciante se torna ainda mais desesperadora devido à proximidade entre sua família e a de Juli. Bela está sempre por perto, compartilhando com Iara os desafios da nova realidade e expressando o desejo de encontrar o responsável pela morte da comadre. Dalila, por sua vez, é a melhor amiga de Peixe (Cauê Campos) e acompanha de perto a turbulência pela qual o rapaz e seus irmãos passam após a morte da mãe, levando, com frequência, notícias deles para os pais. O convívio próximo aumenta o peso do segredo para Juarez, que se vê encurralado por suas escolhas e pressionado pelo remorso.

Os retratos de diferentes maternidades em ‘Por Você’

Na história escrita por Dino Cantelli e Juliana Peres, a maternidade se revela em suas mais diversas formas, mostrando que ser mãe vai muito além dos laços biológicos. Juli (Lucy Ramos) representa a maternidade como escolha diária de amor e renúncia, dedicando a vida aos quatro filhos mesmo diante das dificuldades e da ausência do pai. Mesmo após sua partida, sua presença continua ecoando nas escolhas, nas lembranças e nos afetos de seus filhos. Bela (Sheron Menezzes) vive a maternidade inesperada, assumida por afeto e lealdade quando decide honrar a promessa feita à melhor amiga e acolher crianças que não gerou, mas que passa a amar como suas.

“A gente quis contar essa história porque ela fala de mulheres do nosso tempo. Algumas muitas vezes adiam a maternidade ou optam, conscientemente, por não serem mães – seja em função da vida profissional ou por priorizarem outras experiências. Em paralelo, temos a realidade das mães solo no Brasil, que são uma força enorme. Hoje, o país é, em grande parte, sustentado por essas mulheres que lideram suas famílias sozinhas. Partimos dessas duas frentes: das mulheres que adiam ou redefinem a maternidade, e das mães solo, que são protagonistas do cotidiano brasileiro. E ampliamos a discussão nos diferentes núcleos com outras abordagens da maternidade”, declara a autora Juliana Peres.

Outros personagens trarão à tona dilemas e questões relacionadas ao ato de maternar, como Silvia (Fernanda de Freitas), amiga de infância de Vanessa (Alinne Moares) e dona de uma academia de dança. Ela encarna os conflitos de quem precisou abrir mão de um sonho pessoal para criar uma filha, carregando as marcas das escolhas que a maternidade lhe impôs e os desafios de equilibrar expectativas, frustrações e afeto nessa relação. Já Margô (Regiane Alves) simboliza a vocação para o cuidado, exercida fora dos modelos tradicionais, ao transformar seus alunos na família que não conseguiu construir.

Novelinha vertical: a história antes de tudo começar

Antes da estreia na TV Globo, marcada para 17 de agosto, a história de Bela (Sheron Menezzes) e Juli (Lucy Ramos) será apresentada em um prólogo, produzido em formato de microdrama. Disponível a partir do dia 10 de agosto, a novelinha vertical que faz parte do lançamento de ‘Por Você’ traz a relação da dupla antes do acidente, mostrando como as amigas enfrentaram juntas os obstáculos da vida. Em uma ação inédita de pré-estreia, o conteúdo em 20 capítulos tem como ponto de partida o abandono de Juli pelo marido, que a deixa sozinha na criação dos filhos e desamparada para resolver problemas gerados por ele.

Nesta introdução, a técnica de enfermagem conta com o apoio de Bela para se livrar das ameaças de Caveira (Daniel Bouzas), homem de más intenções que exige que ela arque com dívidas feitas pelo ex. Além disso, Juli precisa estar mais do que nunca ao lado das crianças, que sofrem os impactos da ausência do pai. Em meio a esse turbilhão, também se aproxima de Otto (Diogo Almeida), professor de judô de Glorinha e Ítalo.

“Estamos fazendo algo inovador, já que é a primeira vez que a Globo lança uma novela vertical derivada que vai ao ar antes mesmo da estreia da obra principal”, explica Cleissa Regina Martins, autora da novelinha e integrante do time de colaboradores de ‘Por Você’. A roteirista ainda destaca as oportunidades narrativas do microdrama. “O formato vertical enriquece a experiência porque o público consegue conhecer nossos personagens num momento diferente”, completa ela.

A iniciativa reforça o investimento contínuo da Globo na inovação da dramaturgia, proporcionando à audiência uma experiência multiplataforma e multiformato, em histórias que se adaptam a variados tipos de telas e se conectam com diversas gerações.

Produzida nos Estúdios Globo, a novelinha vertical de ‘Por Você’ é criada e escrita por Cleissa Regina Martins, com supervisão de texto dos autores da telenovela, Dino Cantelli e Juliana Peres. Com direção artística de André Câmara e direção de Jully Irie, a produção é de Erika Matta e Renata Rossi. A direção de gênero é de José Luiz Villamarim. O microdrama garante uma imersão antecipada em ambientes importantes da trama, como a Vila Maravilha e o Hospital & Maternidade Luz. Os capítulos poderão ser assistidos todos de uma vez nos perfis da TV Globo nas redes sociais e, a partir do dia 17 de agosto, no Globoplay.

Disponível no TikTok; Instagram; Facebook; X; YouTube; Globoplay

Figurino e caracterização traduzem alma colorida e diversa de ‘Por Você’

Com uma proposta visual que celebra a alegria, a diversidade e a identidade carioca, ‘Por Você’ aposta em um trabalho integrado de figurino e caracterização para construir personagens autênticos e universos marcantes. Inspiradas pelo conceito da novela e pela linguagem visual concebida pelo diretor artístico André Câmara e o diretor de arte Billy Castilho, as equipes lideradas pelas figurinistas Natalia Duran e Daniela Garcia e pela caracterizadora Nubia Maisa desenvolveram uma estética que retrata um Rio de Janeiro vibrante, onde diferentes realidades convivem lado a lado.

As cores são o principal elemento dessa construção. Presentes em figurinos, maquiagem, cabelos e cenários, elas ajudam a transmitir leveza, otimismo e afeto. A proposta valoriza a chamada “carioquice”, explorando visualmente espaços da Zona Sul, a comunidade fictícia da Vila Maravilha e até mesmo o hospital onde a trama se desenrola. Para este último, foram criados uniformes exclusivos, com tons vibrantes e identidade própria – onde se sobressaem azul turquesa e vermelho – rompendo com a estética tradicionalmente neutra dos ambientes hospitalares.

Um dos destaques do trabalho está na composição da protagonista e da antagonista. Enquanto Bela, personagem de Sheron Menezzes, é representada por um visual colorido, moderno e cheio de espontaneidade, Vanessa surge como seu oposto estético. A roupagem da vilã aposta em uma imagem mais calculada, marcada pela ausência de cores, maquiagem bem definida e uma aparência cuidadosamente planejada para causar impacto. Na caracterização, Bela usa tranças que reforçam identidade e versatilidade, exibindo vários tipos de penteados, enquanto Vanessa aparece sempre de cabelos loiros soltos e unhas e batom vermelhos, refletindo sua personalidade vaidosa e privilegiada.

“Embora ambas sejam mulheres de classe alta, que vestem peças caras e sofisticadas, a diferença está na intenção estética. Vanessa é construída e calculada. Ela é sexy e quer mostrar isso. É uma personagem preocupada com cada detalhe da própria composição visual: a roupa, os acessórios, o momento de entrar em cena. Tudo é estrategicamente elaborado pensando no impacto visual. Já a Bela não parte dessa lógica. Seu estilo é colorido, moderno e vibrante. A proposta foi construir uma imagem alegre, confortável e com uma sensualidade feminina natural, sem excessos ou exibicionismo”, explica a figurinista Natalia Duran.

O núcleo jovem da trama também recebeu atenção especial. Inspirados pela moda de rua e pela influência das periferias na cultura contemporânea, os personagens exibem visuais com forte identidade individual. A construção de cada um envolve uma combinação de roupas, acessórios, maquiagem e cabelos, fruto da parceria constante entre os departamentos de figurino e caracterização.

Já em cenas de flashbacks, que remontam acontecimentos das décadas de 1990 e 2000, o público verá nos figurinos peças com cós baixo, tendência que marcou a época e voltou à moda urbana. Na caracterização, o uso de perucas e apliques se sobressai nas sequências de anos passados.

Para alcançar esse resultado, a equipe de figurino realizou extensa pesquisa de campo em locais do Rio de Janeiro, como Madureira, o comércio de rua do Saara, feiras populares e brechós, além de viagens de pesquisa e compras em Belo Horizonte e São Paulo. O objetivo é valorizar a criatividade, a moda de rua e a expressão pessoal. O núcleo da Vila Maravilha, por exemplo, traz referências do estilo tropicalista, com uma explosão de cores, texturas e volumes que reforçam a riqueza visual e cultural desse universo. A novela segue um visual realista, mas com um toque de estilização. “A ideia foi elevar um pouco o visual sem perder a verdade”, observa Natalia.

Os cenários que contam histórias em ‘Por Você’

A construção dos ambientes da novela parte da mesma premissa que move seus personagens: a transformação. Entre o luto e o recomeço, a cenografia e a produção de arte traduzem sentimentos e relações por meio de espaços que evoluem ao longo da história e pela forte presença do Rio de Janeiro como cenário e personagem da trama.

Assinada por Keller Veiga, a cenografia parte de um esteio claro e acolhedor, sobre a qual as cores ganham protagonismo. “A ideia é de uma base neutra e suave que recebe amorosamente a turbulência das cores vivas e quentes”, explica. Segundo o cenógrafo, a escolha dialoga diretamente com o enredo, que aborda a dor da perda, mas também a possibilidade de reconstrução e novos caminhos. A partir desse conceito, cores, texturas e elementos cênicos ajudam compor os diferentes universos representados na trama, em um tratamento simultaneamente realista e simbólico.

A novela conta com 12 cenários de estúdio e duas frentes de cidade cenográfica que ajudam a montar um retrato da Zona Sul carioca, região onde a trama se desenrola. Entre os principais destaques estão o Hospital & Maternidade Luz e a Vila Maravilha, cenários centrais da obra. “Nossa intenção é representar plasticamente a variedade dos espaços urbanos, suas relações e conflitos, sempre enfatizando a potência e a vitalidade da cidade do Rio de Janeiro e do seu povo”, destaca Keller. Outra característica do projeto são os chamados “cenários vivos”, ambientes que se transformam ao longo da narrativa, acompanhando as mudanças vividas pelos personagens, como a escola, o comércio local, as academias esportivas e outros espaços de convivência coletiva.

Em sintonia com esse conceito, a produção de arte, comandada por Luiz Pereira, desenvolveu ambientes que revelam os valores, hábitos e transformações dos personagens ao longo da trama. “Cada objeto, obra de arte e peça de decoração ajuda a traduzir essa trajetória”, afirma o produtor. Um dos exemplos mais evidentes é o apartamento da protagonista, Bela (Sheron Menezzes). Inicialmente marcado pela organização, o espaço se transforma gradualmente com a chegada das crianças. “Aparecem brinquedos, desenhos, livros fora do lugar, travesseiros na sala – pequenos sinais do cotidiano familiar. Não é uma bagunça negativa; é uma casa que ganha vida, afeto e movimento”, reflete o produtor de arte.

A pesquisa sobre cada personagem também orientou a composição dos espaços. “Vou além do que está no roteiro. Quero saber qual é a formação daquela pessoa, quais são seus hábitos, o que ela lê, como organiza a própria casa”, conta Luiz. Esse cuidado aparece em detalhes, como os diplomas exibidos no consultório de Bela e os livros distribuídos pelos ambientes da escola, elementos que ajudam a reforçar características e valores de forma sutil.

O apreço pelos detalhes também orientou a criação da instituição hospitalar da trama. Para garantir verossimilhança aos ambientes e procedimentos, a equipe realizou pesquisas em hospitais brasileiros e internacionais, contou com assessoria especializada e utilizou equipamentos reais na composição dos cenários. O acompanhamento técnico se estende às gravações, auxiliando direção, elenco e equipes criativas na construção das cenas. A proposta era criar um ambiente fiel à rotina hospitalar sem renunciar à função dramática que o espaço desempenha na história, já que a casa de saúde se torna palco de momentos decisivos para diversos personagens.

Uma trilha musical contemporânea e brasileira

De forma complementar à estética visual da novela, a produção musical traduz a brasilidade presente na trama, com ritmos cariocas em evidência, como a música ‘Rio de Janeiro’ de Elza Soares. Apesar do episódio de perda, que marca o começo da história, a trilha sonora de ‘Por Você’ busca beleza e esperança ainda que dentro do luto. “Musicalmente, eu não quis tratar o luto apenas pela tristeza. Estamos buscando um caminho de esperança. Uma sensação de olhar para cima, de encontrar beleza mesmo dentro da dor. Algo até um pouco espiritualizado”, explica o produtor musical Sacha Amback, responsável pela trilha sonora original da obra, cujos temas instrumentais trazem sons orquestrais e eletrônicos, numa leitura que acompanha as emoções da trama passando por influências de diversos gêneros musicais. Nas canções comerciais, o time de produção musical dos Estúdios Globo, liderado por Juliana Constantini, apostou numa mistura de pop, funk, piseiro, samba e MPB.

Por meio dos flashbacks, exibidos ao longo da novela, a amizade entre Bela (Sheron Menezzes) e Juli (Lucy Ramos) atravessa as décadas de 1990 e 2000. Por isso, as músicas escolhidas ajudam a remontar a memória afetiva. As personagens são apaixonadas por Alcione e por Roupa Nova. Uma das canções importantes para as duas é “Anjo”, interpretada pela banda brasileira. A música aparece em momentos ligados à memória de Juli, inclusive em cenas com seus filhos e em recordações do passado. Para acompanhar a amizade da dupla, também estão presentes “Nosso Sonho”, de Claudinho & Buchecha e “Poema”, interpretada por Ney Matogrosso. Ainda nesse núcleo, há outra canção que surge junto ao tema da maternidade: “Todo Homem”, de Zeca Veloso, interpretada por ele, por Caetano Veloso, Moreno Veloso e Tom Veloso.

Na trilha, há também canções com Xande de Pilares e Vinny Santa Fé e Tiago Iorc e Marina Sena, além de nomes como Liniker, Milton Nascimento, Os Garotin e Gloria Groove.

ENTREVISTA COM OS AUTORES DINO CANTELLI E JULIANA PERES

Na TV Globo desde 2015, o autor e roteirista Dino Cantelli atuou como colaborador em novelas como ‘Malhação – Pro Dia Nascer Feliz’ (2016), ‘Deus Salve o Rei’ (2018), ‘Mar do Sertão’ (2022), ‘Elas por Elas’ (2023), ‘No Rancho Fundo’ (2024) e ‘Coração Acelerado’ (2026). Também integrou equipes de séries como ‘Tapas & Beijos’ (2015), ‘Filhos da Pátria’ (2017), ‘Mister Brau’ (2018), ‘Diário de um Confinado’ (2020) e ‘Segunda Chamada’ (2021). Em 2025, estreou como autor titular com o longa-metragem ‘Vítimas do Dia’, do Globoplay, premiado no New York Festivals TV & Film Awards 2026 na categoria de Longa-Metragem.

Formada em Jornalismo pela PUC-Rio, Juliana Peres é autora-roteirista. Iniciou sua trajetória na TV Globo como pesquisadora de dramaturgia em ‘Mulheres Apaixonadas’ (2003) e, posteriormente, em ‘A Favorita’ (2008). Como roteirista colaboradora, integrou equipes de produções como ‘Páginas da Vida’ (2006), ‘Viver a Vida’ (2009), ‘Divã’ (2011), ‘Roberto Carlos – Especial de Fim de Ano’ (2012), ‘Em Família’ (2014), ‘Malhação – Pro Dia Nascer Feliz’ (2016), ‘Orgulho e Paixão’ (2018), ‘Éramos Seis’ (2019), ‘Fuzuê’ (2023) e ‘Volta por Cima’ (2024). É autora da série ‘Não se Apega, Não’, exibida pelo Fantástico em 2015, criada ao lado de Mariana Torres.

Dino Cantelli e Juliana Peres se conheceram em 2016, quando integraram a equipe de colaboradores de Emanuel Jacobina na 24ª temporada de ‘Malhação’, onde estabeleceram uma parceria criativa. Com trajetórias marcadas pelo interesse em temas como relações familiares, questões femininas e os desafios da juventude, a dupla concebeu sua primeira sinopse autoral originalmente em formato de série. Durante a passagem de ambos na oficina Cria Globo – programa de formação e aceleração de talentos dos Estúdios Globo – o projeto ganhou contornos de folhetim. Em 2026, a obra, intitulada ‘Por Você’, chega às telas da TV Globo e marca a estreia de Dino e Juliana como autores titulares.

Que história ‘Por Você’ conta?

Juliana Peres – ‘Por Você’ conta a história de uma mulher que nunca priorizou a maternidade e assume a criação dos quatro filhos de sua melhor amiga após prometer, em seu leito de morte, que cuidaria das crianças. A partir disso, acompanhamos a trajetória de uma mulher contemporânea que precisa conciliar o trabalho como ginecologista e obstetra com a criação desses meninos em diferentes fases da vida – cada um com desafios típicos de suas idades, além de suas jornadas pessoais.

Dino Cantelli – Para além da premissa inicial, tem várias outras narrativas paralelas que ampliam esse universo. Toda a novela gira em torno da ideia do ‘por você’, do ‘o que você é capaz de fazer por alguém importante em sua vida’: histórias de dedicação profunda às pessoas que amam. Essa entrega aparece em diferentes relações – com familiares, grandes amigos e até vínculos de trabalho. Tudo fica abrigado sob esse grande tema ao longo da trama.

‘Por Você’ é uma obra contemporânea, ambientada em uma das maiores metrópoles do país e em um dos cenários mais conhecidos do público que assiste às novelas da Globo. Como veremos o Rio de Janeiro desta vez?

Dino – A nossa história tem uma geografia muito marcada, passando pelos bairros da Lagoa, Botafogo, Humaitá e suas imediações, onde estão a Vila Maravilha, o Hospital & Maternidade Luz e outros espaços fundamentais da narrativa, o que traz ao desenho paisagens de cartão-postal. Ao mesmo tempo, apresentamos um Rio de Janeiro para além desses pontos, abrindo espaço para o cotidiano popular e real da cidade. É uma Zona Sul em que diferentes mundos convivem no mesmo horizonte, com a mesma importância dramatúrgica.

Juliana – Trabalhamos essa convivência entre o cartão-postal, o cotidiano e a vida na comunidade. O Rio não é apenas um cenário, ele participa da história. Os espaços refletem modos de viver, relações de pertencimento e redes de afeto.

Quais os principais assuntos da atualidade abordados na obra?

Juliana – ‘Por Você’ é uma novela de realismo lúdico, em que abordamos, principalmente, a maternidade em suas múltiplas formas – seja ela tradicional ou não. Também trataremos questões relacionadas à saúde, tanto na esfera física quanto na mental; dos desafios comportamentais e sociais da juventude; da educação; e de conflitos éticos. Todos esses eixos se desdobram naturalmente em subtemas e subtramas, ampliando o universo da história e aprofundando suas camadas.

O luto é um dos pontos de partida dessa história. De que forma esse aspecto da narrativa aparece na novela?

Dino – Existem muitas formas narrativas de explorar isso, seja pela passagem do tempo, seja pela maneira como os personagens vivem esse processo. Tentamos trazer isso de forma prática na escrita: como pessoas reais lidariam com essa situação? Num primeiro momento, buscam tocar a vida da forma possível. Ao longo do caminho, a saudade vai atravessando. O luto tem esses movimentos: a gente chora ao lembrar de quem se foi; em outros, ri dessas mesmas lembranças. Não é só dor, nem só leveza; não é preto no branco. Ele vai sendo vivido dia após dia, é assim que a vida acontece. Apesar da fatalidade inicial, a novela se constrói a partir do afeto, da convivência e da humanidade dos personagens. E, mesmo nos momentos difíceis, a vida sempre encontra espaço para a alegria e o bom humor.

Juliana – Nossa protagonista, especialmente, vive o chamado “luto do sobrevivente” e, ao mesmo tempo, há nela uma pulsão de vida muito forte. Essa força vem da promessa que fez à amiga que se foi: garantir que seus quatro filhos estejam bem-cuidados. Isso lhe dá um impulso para seguir em frente, apesar da dor. Além disso, Bela tem uma personalidade naturalmente otimista e vigorosa, e, tanto ela quanto outros personagens, passam por um processo de redescoberta de si mesmos diante dessa ausência – o que é interessante de acompanhar. Essa mulher se descobre no lugar da maternidade; os filhos da Juli passam a experimentar novas aptidões e possibilidades. Embora o luto seja doloroso, a história se utiliza da memória da Juli como um legado que permanece, e como base na qual a vida deles continua. Isso que traz leveza à narrativa.

ENTREVISTA COM O DIRETOR ARTÍSTICO ANDRÉ CÂMARA

André Câmara é diretor e ator, nascido em Recife (PE). Na TV Globo desde 2003, integrou a equipe de diretores de novelas como ‘Passione’ (2010), ‘Avenida Brasil’ (2012), ‘Lado a Lado’ (2012), ‘Além do Horizonte’ (2013), ‘Boogie Oogie’ (2014), ‘I Love Paraisópolis’ (2015), ‘Liberdade, Liberdade’ (2016). Sua estreia como diretor geral foi em ‘Novo Mundo’ (2017), função que também ocupou em ‘Órfãos da Terra’ (2019) e ‘Um Lugar ao Sol’ (2021). Em 2023, estreou como diretor artístico em ‘Amor Perfeito’, assinando, na sequência, ‘Volta por Cima’ (2024). ‘Por Você’, com estreia marcada para agosto de 2026, é a terceira novela comandada por Câmara.

Qual visão artística orienta ‘Por Você’ desde o início?

Toda a construção artística nasce da mesma ideia que organiza a dramaturgia: a permanência. Nossa base conceitual é o branco – mas não um branco vazio, frio ou asséptico. É um branco com textura, matéria e memória. Um branco que carrega a persistência de uma ausência. Como a novela nasce da perda da Juli, queríamos que essa ausência continuasse habitando os espaços. Mesmo quando ela não está mais em cena, permanece presente por meio da memória, dos sonhos, dos afetos e das transformações que provocou. Nesse sentido, o branco funciona quase como uma memória emocional permanente. Ao mesmo tempo, ele permite que o que tem cor pulse com mais intensidade. E a cor surge como vida, infância, desejo, futuro, brasilidade. Existe uma tensão constante entre ausência e vitalidade, entre memória e presente. É essa tensão, entre elementos aparentemente antagônicos, que organiza a atmosfera de ‘Por Você’.

Essa é a sua terceira novela assinando a direção artística. O que diferencia ‘Por Você’ de outras obras que liderou?

Talvez seja justamente a forma como a obra compreende o luto. Normalmente, a ficção trata a morte como um encerramento. Nós buscamos abordá-la como transformação. A Juli continua presente na novela – não apenas por meio de flashbacks, mas também nas decisões dos personagens, nos espaços, nas relações e nas escolhas que fazem. A história parte da ideia de que o amor não desaparece quando alguém morre: ele se transforma. Isso produz uma experiência emocional muito particular. Há também uma preocupação clara em construir uma novela popular sem simplificar a complexidade humana.

Como a direção artística trabalha o contraste entre a Vila Maravilha e as áreas mais abastadas da Zona Sul do Rio?

A primeira preocupação foi fugir da ideia da falta. A comunidade não é apresentada como espaço de precariedade, mas como potência – um lugar de afeto, humor, criatividade, desejo, memória e pertencimento. A perda da Juli adquire a dimensão que tem por que se dá dentro de um universo afetivamente abundante. Da mesma forma, a Zona Sul não é retratada como um território idealizado. Ali também existem solidões, conflitos, disputas e vazios. O que nos move é justamente evidenciar que esses mundos coexistem e se atravessam. A novela nasce dessa convivência.

O Hospital & Maternidade Luz é quase como um personagem da novela. Como foi materializar esse ambiente na criação?

O hospital é, de fato, um personagem – provavelmente o espaço que melhor sintetiza o espírito de ‘Por Você’. A novela nasce de uma morte, mas se desenvolve dentro de uma maternidade. Há uma tensão constante entre fim e começo, ausência e presença, despedida e nascimento. Por isso, o Hospital Luz nunca foi pensado apenas como um cenário funcional. Ele se estabelece como uma espécie de coração simbólico da narrativa, onde vida e morte convivem cotidianamente. Enquanto alguns personagens atravessam despedidas, outros vivenciam chegadas. Enquanto algumas famílias se reorganizam diante da perda, outras estão apenas começando a existir. A própria Bela, como obstetra, ocupa esse lugar de mediação entre sofrimento e esperança. É uma mulher que dedica a vida a ajudar outras vidas a nascer, ao mesmo tempo em que precisa lidar com a perda da melhor amiga. De certa forma, toda a novela está contida nessa contradição. ‘Por Você’ trata da capacidade da vida de insistir em seguir adiante, mesmo depois das grandes rupturas.

A novela revisita o passado para entender o presente. Como a direção trabalha essas memórias?

Os flashbacks não existem apenas para explicar acontecimentos, mas para revelar a memória – e memória não é arquivo; é afeto. Ela reorganiza acontecimentos, ilumina certas experiências e apaga outras. Por isso, os flashbacks funcionam muito mais como uma experiência emocional do que como simples reconstituição narrativa. Há uma dimensão afetiva muito forte nesse retorno contínuo ao passado. Ainda assim, não buscamos idealizá-lo, mas compreender como ele permanece vivo dentro dos personagens.

Como tem sido o trabalho de integração entre direção, figurino, cenografia e caracterização?

Tem sido um processo muito colaborativo. Desde o início, buscamos construir uma visão comum para a novela. Fotografia, direção de arte, cenografia, figurino, caracterização e trilha sonora trabalham a partir das mesmas questões dramáticas e conceituais. A ideia nunca foi “decorar” a novela, mas de fazer com que cada departamento contribuísse ativamente para a narrativa. Costumamos dizer que o branco organiza e o colorido humaniza – mas essa lógica se estende a toda a construção artística. Cada escolha visual precisa nascer da dramaturgia.

E como foi construído o conceito visual de ‘Por Você’? Alguma referência foi determinante nesse processo?

‘Por Você’ nasce do diálogo entre referências artísticas muito distintas: o rigor geométrico de Stanley Kubrick, a precisão gráfica de Wes Anderson, a força simbólica das cores de Andy Warhol, o humanismo de ‘Paris, Texas’ e, sobretudo, a dimensão afetiva de Pedro Almodóvar em ‘Volver’. São artistas com linguagens diferentes, mas que compartilham um entendimento fundamental: a cor nunca é apenas um elemento decorativo; ela narra emoções. Nesse processo, a obra da artista plástica brasileira Fernanda Santos também se tornou uma referência importante para a pesquisa visual da novela. Suas pinturas colocam pessoas negras no centro da imagem reunindo delicadeza, sofisticação, força e pertencimento. Seus personagens ocupam a tela como protagonistas de suas próprias histórias. Esse olhar dialoga profundamente com o universo que buscamos construir na novela.

PERFIS DOS PERSONAGENS

A família de Bela

Bela (Sheron Menezzes) – Ginecologista e obstetra no Hospital & Maternidade Luz, Bela é uma profissional brilhante. É uma mulher livre, segura e obstinada que fez da profissão seu maior propósito de vida. Filha da falecida Domingas (Edlane Silva), empregada doméstica que prestou, por anos, serviços à família Romano, cresceu entre o quarto dos fundos da casa dos patrões da mãe e a Vila Maravilha, comunidade na Zona Sul do Rio de Janeiro. Lá, construiu laços que perduram até a vida adulta, como a grande amizade com Juli (Lucy Ramos) e Iara (Noemia Oliveira). Quando Juli morre após um acidente de carro, a médica se vê destinada a cuidar de Peixe (Cauê Campos), Glorinha (Laura Luz), Ítalo (Fabrício Assis) e Samuca (Kadu Spinola), que ficam órfãos, cumprindo a promessa que fez nos minutos finais de vida da amiga. Diante da maternidade inesperada, Bela conhece Lucas (Amaury Lorenzo), diretor da escola das crianças, e sente o despertar de um novo amor após muito tempo. No passado, viveu um romance com Gabriel (Thiago Lacerda), atual marido de Vanessa (Alinne Moraes), filha dos Romano e herdeira da instituição onde trabalha, com quem mantém fortes divergências.

Juli (Lucy Ramos) – Técnica em enfermagem no Hospital & Maternidade Luz, é a melhor amiga de Bela (Sheron Menezzes). As duas cresceram juntas na Vila Maravilha, comunidade na Zona Sul do Rio de Janeiro. Assim como a amiga realizou o sonho de se tornar médica, Juli também conquistou, desde cedo, o que mais desejava: ser mãe. Amorosa e dedicada, desdobra-se para cuidar da família e dar conta da criação solo dos quatro filhos – Peixe (Cauê Campos), Glorinha (Laura Luz), Ítalo (Fabrício Assis) e Samuca (Kadu Spinola) – após o pai das crianças deixá-los e sumir no mundo. Em meio à batalha diária pela subsistência e pela manutenção do lar, contando apenas com o apoio de Bela, que jamais se afastou, Juli morre em um acidente de trânsito. Antes de seu último suspiro, faz à amiga um pedido que se torna um laço eterno entre as duas: “Cuida dos meus filhos”.

Peixe (Cauê Campos) – Filho mais velho de Juli (Lucy Ramos), por quem tem profunda admiração. É um adolescente impulsivo que, por trás da marra, esconde sua doçura, graça e fragilidade. Renega veementemente o pai, que os deixou e sumiu no mundo. Com sua bicicleta, contribui nas despesas de casa como entregador de aplicativo. É um grande protetor dos irmãos – Glorinha (Laura Luz), Ítalo (Fabrício Assis) e Samuca (Kadu Spinola) – e, após a morte da mãe, tenta assumir o papel de “homem da casa”, resistindo ao apoio de Bela (Sheron Menezzes).

Glorinha (Laura Luz) – Filha de Juli (Lucy Ramos) e irmã gêmea de Ítalo (Fabrício Assis). Carinhosa e compreensiva, surpreende pela garra e determinação como atleta de judô e sonha em se tornar uma grande campeã. Perde a mãe no momento mais delicado de sua vida: a adolescência. Com seu jeito doce, aceita a aproximação de Bela (Sheron Menezzes) desde o início e a apoia na nova convivência, ajudando nos cuidados com Samuca (Kadu Spinola) e a confortando diante da rebeldia de Peixe (Cauê Campos).

Ítalo (Fabrício Assis) – Filho de Juli (Lucy Ramos) e irmão gêmeo de Glorinha (Laura Luz). É um adolescente sensível e introvertido, que se sente deslocado na academia de judô onde a mãe o matriculou junto com a irmã. Com o apoio de Bela (Sheron Menezzes), passa a trilhar um caminho de autoconhecimento e fortalecimento da autoestima, que o leva a descobrir outras aptidões.

Samuca (Kadu Spinola) – Filho caçula de Juli (Lucy Ramos). Doce e surpreendente, é um menino inteligente e sensível ao que o cerca, com paixões e interesses que se revelam pouco convencionais. A convivência com Bela (Sheron Menezzes) transforma sua rotina, criando possibilidades de troca e descoberta, enquanto Samuca encontra seus próprios caminhos para se expressar e se conectar com o mundo.

A família Romano

Vanessa (Alinne Moraes) – Filha de Pérola (Renata Sorrah) e do falecido Dr. Edgar Romano, é médica anestesista e herdeira do Hospital & Maternidade Luz. É uma mulher vaidosa, competitiva e amargurada com seu passado. Fascinada por beleza e luxo, deixou de exercer a Medicina para se dedicar exclusivamente à administração da casa de saúde da família, onde prioriza o sucesso dos negócios acima do cuidado humano. É mãe da jovem residente Leandra (Giovana Grigio), com quem mantém uma relação desafiadora. Vive um casamento desgastado com Gabriel (Thiago Lacerda) e culpa Bela (Sheron Menezzes) – paixão da juventude do marido e com quem trava uma rivalidade desde a adolescência – pelo fracasso do relacionamento. Por essas e outras desavenças, será implacável em sua missão de tirar a obstetra de seu caminho.

Gabriel (Thiago Lacerda) – Advogado bem-sucedido, carismático e de boa índole. Na juventude, viveu uma paixão com Bela (Sheron Menezzes), mas, após a partida dela para uma residência em Londres, acabou se envolvendo e se casando com Vanessa (Alinne Moraes), com quem teve uma filha, Leandra (Giovana Grigio). Hoje, atua no Hospital & Maternidade Luz, negócio da família da esposa, e mantém uma convivência amigável e respeitosa com a ex-namorada. Marcado pelo abandono dos pais, que o levou a crescer em uma casa de acolhimento, fará de tudo para ajudar a regularizar a situação dos filhos de Juli (Lucy Ramos) junto a Bela. Durante esse processo, perceberá que ainda nutre sentimentos pela médica.

Pérola (Renata Sorrah) – Dona do Hospital & Maternidade Luz e mãe de Vanessa (Alinne Moraes). É uma mulher gentil, altruísta e conectada às questões sociais. Diferente da filha, admira profundamente o trabalho de Bela (Sheron Menezzes) e investe em sua carreira. Procura ser firme, consciente e humanitária no comando da casa de saúde da família. Tem uma forte conexão com a neta, Leandra (Giovana Grigio), e uma ótima relação com o genro, Gabriel (Thiago Lacerda), mas esconde da família um segredo que representará um ponto de virada em sua vida.

Leandra (Giovana Grigio) – Filha de Vanessa (Alinne Moraes) e Gabriel (Thiago Lacerda), e neta de Pérola (Renata Sorrah). É médica residente na casa de saúde da família, o Hospital & Maternidade Luz. Inteligente, sensível e generosa, vive tentando se provar para a mãe, com quem mantém uma relação desafiadora, o que a torna insegura. Por outro lado, conta com todo o carinho, amor e apoio do pai. Namora seu colega de trabalho, o também médico residente Vitor (Lucas Leto).

Iracema (Ana Rosa) – Uma mulher simples, observadora e sábia, que trabalha a vida inteira como governanta da família Romano. Na juventude, foi amiga de Domingas (Edlane Silva), mãe de Bela (Sheron Menezzes), empregada na mansão. Lá, as duas dividiam o dia a dia e o quarto na área de serviço. Hoje, é protetora e confidente da médica, por quem sempre teve grande carinho.

O Hospital & Maternidade Luz

Ricardo (Paulo Vilhena) – Cardiologista e preceptor dos residentes no Hospital & Maternidade Luz. Corredor amador, começa o dia antes do nascer do sol e usa o esporte como forma de aliviar o estresse e as tensões da rotina da profissão. Atencioso, acolhedor e bem-humorado, torna-se um importante apoio emocional para Vitor (Lucas Leto) e outros jovens médicos ao longo de suas jornadas na residência. É também o melhor amigo de Gabriel (Thiago Lacerda).

Vitor (Lucas Leto) – Médico residente no Hospital & Maternidade Luz, brilhante no currículo e caótico na rotina. Agitado e obcecado com o trabalho, ultrapassa os limites de sua própria resistência para dar conta do cotidiano exaustivo no hospital. Namora Leandra (Giovana Grigio), neta da presidente da instituição e também médica residente no local.

Giovana (Larissa Murai) – Assistente de Vanessa (Alinne Moraes) no Hospital & Maternidade Luz. Parceira, é presença constante ao lado da herdeira e administradora da instituição.

Junqueira (Mauricio Matar) – Investidor e empresário, dono da Rede Saúde Integral. Tem interesses econômicos no Hospital & Maternidade Luz e se alia a Vanessa (Alinne Moraes) para garantir sua entrada na instituição. Influente, tem trânsito em todas as instâncias de poder.

Kátia (Dani Fontan) – Recepcionista do Hospital & Maternidade Luz.

Nelma (Ariane Souza) – Recepcionista do Hospital & Maternidade Luz e tia de Suelen (Bia Santana).

Dalva (Lucianna Magalhães) – Faxineira do Hospital & Maternidade Luz.

Guto (Gustavo Arthidoro) – Segurança do Hospital & Maternidade Luz.

A Escola Maria Firmina dos Reis

Lucas (Amaury Lorenzo) – Professor e diretor pedagógico da Escola Maria Firmina dos Reis, onde estudam Peixe (Cauê Campos), Glorinha (Laura Luz), Ítalo (Fabrício Assis) e Samuca (Kadu Spinola). É um homem de bom coração, honesto e dedicado, com verdadeira vocação para o ensino. Com a morte de Juli (Lucy Ramos), aproxima-se de Bela (Sheron Menezzes) a partir de um vínculo de cuidado com as crianças, o que abre espaço para o surgimento de uma paixão entre os dois.

Margô (Regiane Alves) – Professora da Escola Maria Firmina dos Reis, onde estudam Peixe (Cauê Campos), Glorinha (Laura Luz), Ítalo (Fabrício Assis) e Samuca (Kadu Spinola), e amiga de Lucas (Amaury Lorenzo), por quem nutre uma grande admiração. Apesar do desejo, não conseguiu realizar o sonho de ser mãe, e acabou transformando a escola e os alunos numa família.

Sabugo (Adanilo) – Zelador da Escola Maria Firmina dos Reis, Nataniel – mais conhecido como Sabugo – enfrenta uma intensa batalha interna. Sua vida muda quando perde a guarda da filha, Tom-Tom (Laura Chuff), após deixá-la sozinha em casa para trabalhar. Determinado a transformar o rumo de sua trajetória, luta para recuperar legalmente a menina.

Tom-Tom (Laura Chuff) – Uma criança esperta, comunicativa, acolhedora e dona de uma grande imaginação, Antônia, conhecida carinhosamente como Tom-Tom, torna-se amiga de Samuca (Kadu Spinola) quando os dois se conhecem na casa de acolhimento de menores. Sem perder as esperanças, aguarda, ansiosa, pelo dia em que o pai, Sabugo (Adanilo), conseguirá levá-la de volta para casa.

Dudu (Pedro Guilherme) – Colega de Glorinha (Laura Luz) e Ítalo (Fabrício Assis) na escola, Dudu é um menino tímido, observador e extremamente focado nos estudos. Seu sonho é se tornar engenheiro aeroespacial. É altamente exigente consigo mesmo e carrega responsabilidades muito além do que um adolescente de 15 anos deveria dar conta.

O comércio local

Juarez (Milhem Cortaz) – Marido de Iara (Noemia Oliveira) e pai de Dalila Cristina (Lívia Silva). É um homem amoroso e protetor com a família. Trabalha com a esposa na feira livre, vendendo frutas e queijos, e é querido pelos fregueses. Devoto da Virgem de Guadalupe, é íntegro e trabalhador, mas terá o caráter e a ética postos à prova depois de se envolver no acidente que tira a vida da amiga Juli (Lucy Ramos).

Iara (Noemia Oliveira) – Nascida e criada na Vila Maravilha, é uma grande amiga de juventude de Bela (Sheron Menezzes) e Juli (Lucy Ramos). Irreverente e alegre, trabalha como feirante e é muito conhecida no local por sua barraca de frutas e queijos de qualidade. É casada com Juarez (Milhem Cortaz) e mãe de Dalila Cristina (Lívia Silva). Tem dificuldade em lidar com o desejo da filha de investir na carreira de influenciadora e seguir um caminho diferente do da família.

Dalila Cristina (Lívia Silva) – Filha de Iara (Noemia Oliveira) e Juarez (Milhem Cortaz). É uma adolescente inspirada, brincalhona e sonhadora. Fora do horário escolar, ajuda os pais na feira, mas seu sonho é se tornar uma influenciadora digital. Tira a mãe e o pai do sério com seu jeito agitado, gravando tudo o que faz na feira e batalhando por curtidas nas redes sociais. É a melhor amiga de Peixe desde a infância (Cauê Campos).

Suelen (Bia Santana) – Melhor amiga de Dalila (Lívia Silva) e sobrinha de Nelma (Ariane Souza), gosta de se apresentar como “Suelen, com ‘Su’, de sucesso”. Intensa, mergulha de cabeça em tudo e se apaixona com facilidade. Incentivada por Dalila, se envolve com Peixe (Cauê Campos).

Zé (Angelo Antônio) – Mecânico e dono de uma oficina nos arredores da Vila Maravilha, é respeitado e temido por muitos na comunidade. Mantém negócios escusos, explora os comerciantes locais em troca de segurança e cobra, com juros, os favores que lhe devem. Será uma pedra no caminho de Juarez (Milhem Cortaz).

Próspero (José de Abreu) – Pai de Toy (Rodrigo Lelis), palmeirense convicto e dono do Próspero Bar, ponto tradicional nas imediações do Hospital & Maternidade Luz. Descendente de italianos, é um viúvo comicamente ranzinza, e seu mau humor já virou marca registrada pela região. Por trás da rabugice, esconde a saudade da esposa, Augusta, seu grande amor. As memórias dela, no entanto, ele divide com o arquirrival – na vida, no comércio e na torcida de futebol – Clemente (Antonio Pitanga), dono do bar em frente ao seu.

Clemente (Antonio Pitanga) – Dono do Bar do Clemente, localizado em frente ao estabelecimento de Próspero (José de Abreu), com quem mantém uma rivalidade antiga, que começou na concorrência pela clientela do bairro e se estendeu na disputa pelo coração da falecida Augusta e na torcida por clubes oponentes. Flamenguista raiz, sarcástico, competitivo e vaidoso, diverte-se ao provocar o concorrente com cutucadas bem-humoradas.

Toy (Rodrigo Lelis) – Hamilton, mais conhecido como Toy, é um rapaz preguiçoso, divertido, impulsivo e cativante na mesma medida. Testa diariamente a paciência do explosivo Próspero (José de Abreu), seu pai, ao ajudá-lo – ou atrapalhá-lo – no bar. A ideia de trabalhar sempre lhe pareceu um castigo, até o dia em que Leandra (Giovana Grigio) cruza seu caminho. A jovem médica não apenas desperta sua curiosidade e faz seu coração bater mais forte, como também se torna sua maior motivação. Forçado pelo pai a trabalhar por conta própria, vai abrir sua barraca de pastel na feira, a Pastoylaria, onde contará com a ajuda de Maike (Igor Jansen).

Maike (Igor Jansen) – Ajudante de Toy (Rodrigo Lelis) em sua barraca de pastel, embarca em todas as maluquices do amigo. Algumas noites, toca teclado e anima a feira com seu forrózinho.

Academia Dança em Movimento

Silvia (Fernanda de Freitas) – Bailarina desde a infância, Silvia construiu sua vida em torno da dança. Sempre disciplinada e determinada, perseguiu, quando jovem, o sonho de integrar uma companhia de dança no exterior, mas viu seus planos ruírem no auge da carreira, diante de uma gravidez inesperada que a afastou dos palcos. Após o nascimento da filha, Hanna (Pietra Quintela), encontrou uma nova forma de se manter próxima à dança como professora. Rígida, exigente e marcada por frustrações e inseguranças, busca no controle uma forma de compensação. Na juventude, foi grande amiga de Vanessa (Alinne Moraes), com quem compartilha um passado ligado a um segredo que as distanciou. Quando casou, mudou-se para o Sul. E agora, divorciada, está de volta ao Rio, à frente da academia Dança em Movimento.

Hanna (Pietra Quintela) – Filha de Silvia (Fernanda de Freitas), Hanna, desde pequena, foi apresentada ao universo da dança, sem ter muito espaço para desejar qualquer outra coisa que não fosse o balé. Sua vida se divide entre a escola e os ensaios, comandados com rigor por Silvia. Vive o sonho da mãe e está sempre tentando atender às suas expectativas, buscando em seu olhar a aprovação materna. Vai se aproximar de Glorinha (Laura Luz) e Ítalo (Fabrício Assis).

Outros personagens

Aroldo (Humberto Morais) – Charmoso, sedutor e dono de um talento especial para escapar das responsabilidades, Aroldo é o típico malandro que espera que a vida lhe ofereça sempre o melhor caminho. Avesso ao trabalho, vive de bicos, favores e promessas que raramente cumpre. Manteve uma relação de idas e vindas com Juli (Lucy Ramos), que insistia em dar novas chances ao marido. Pai de Peixe (Cauê Campos), Glorinha (Laura Luz), Ítalo (Fabrício Assis) e Samuca (Kadu Spinola), jamais assumiu plenamente seu papel dentro da família e se tornou uma ausência marcante na vida dos filhos, até o dia em que desapareceu de vez, sem deixar rastros.

Lia dos Anjos (Domithila Cattete) – Sobrinha de Iracema (Ana Rosa). Alto astral e dona de um grande coração, a jovem chega de Belém do Pará para morar com a tia e trabalhar na casa de Bela (Sheron Menezzes). Do tipo despachada e multitalentosa, Lia ajuda a organizar a rotina da médica e de Peixe (Cauê Campos), Glorinha (Laura Luz) e Ítalo (Fabrício Assis), além de estabeler uma conexão quase imediata com Samuca (Kadu Spinola).

Manoel (Reginaldo Faria) – Viúvo e empresário aposentado, teve sua vida ressignificada após receber um diagnóstico. Diante da notícia, decidiu adotar um estilo de vida itinerante, mudando de endereço de tempos em tempos e explorando diferentes lugares, sem vínculos ou amarras. Enfrenta o tratamento com otimismo, sustentado pela convicção de que ainda tem muito a viver. Espirituoso e inquieto, está sempre em busca de novas experiências. Mantém um relacionamento distante com o filho, que mora fora do país.

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