Quando tudo desmorona, nem tudo se perde. Lições como essa conduzem o público ao longo de ‘Quem Ama Cuida’, próxima novela das nove da TV Globo, cuja trama acompanha a transformação de Adriana (Leticia Colin), uma mulher que, diante de perdas irreparáveis, descobre a força de recomeçar, movida por uma profunda sede de justiça. Ambientada em uma São Paulo devastada por uma grande enchente, a novela apresenta uma trama urbana e contemporânea que dialoga diretamente com o melodrama clássico, apostando em grandes emoções, reviravoltas e surpresas. O texto, assinado por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, com direção artística de Amora Mautner, combina amizade, conflitos familiares, amor impossível, mistério e vingança, a partir das consequências do encontro entre Adriana e Arthur (Antonio Fagundes). Quando um casamento se torna o cenário de um crime que muda o destino de todos, a obra mergulha em uma história de superação, segredos e revelações. No elenco, nomes consagrados como Tony Ramos, Chay Suede, Isabel Teixeira, Alexandre Borges, Flávia Alessandra, Mariana Ximenes, Dan Stulbach, Deborah Evelyn, Tata Werneck, Agatha Moreira, Belize Pombal, Isabela Garcia, Breno Ferreira, entre muitos outros.
O ponto de partida da história se dá em um dia que Adriana nunca esquecerá: após ser demitida da clínica onde trabalhava como fisioterapeuta, uma tempestade destrói sua casa, leva seu marido, Carlos (Jesuíta Barbosa), arrastado pelas águas, e acaba com tudo o que havia conquistado. Ainda sem entender como seguir, ela vai parar em um abrigo, onde cruza pela primeira vez o caminho de Pedro (Chay Suede), um advogado idealista e sensível às desigualdades do mundo. Ao fazer trabalho voluntário no local, ele fica impressionado com a sua força em meio a tanto sofrimento. O encontro é rápido, intenso e deixa marcas em ambos.
Em busca de um recomeço, Adriana consegue um emprego na casa de Arthur Brandão (Antonio Fagundes), poderoso empresário do ramo de joias, solitário, endurecido pelas ausências e pela frieza da própria família, especialmente dos irmãos Pilar (Isabel Teixeira), Ulisses (Alexandre Borges) e da cunhada Silvana (Belize Pombal), viúva do seu irmão Belmiro. O relacionamento entre patrão e funcionária começa em confronto, mas, pouco a pouco, se transforma em uma ligação de confiança e amizade genuína. Arthur encontra em Adriana uma companhia leal, e ela começa a enxergar, por trás da aspereza, um homem carente de cuidado.
Esse vínculo provoca um gesto radical. Para impedir que a família, ambiciosa, herde sua fortuna, Arthur pede Adriana em casamento – não por paixão, mas como um pacto de amizade, proteção e gratidão. Dividida entre o orgulho e a urgência de mudar de vida pelo bem da sua família, Adriana aceita o acordo, mesmo com o avô Otoniel (Tony Ramos) se opondo à decisão. Enquanto isso, Pedro (Chay Suede), afilhado de Arthur e filho do advogado Ademir (Dan Stulbach), vê seu mundo ruir. A mulher que nunca esqueceu desde o primeiro encontro está prestes a se casar com seu padrinho. O sentimento reprimido se transforma em dor, desconfiança e conflito moral. Tudo se intensifica quando, na noite do casamento com Adriana, Arthur é assassinado misteriosamente. A noiva, herdeira e última pessoa a estar com ele, torna-se a principal suspeita. Condenada por um crime que não cometeu, Adriana terá uma jornada marcada pelo desejo de justiça e reparação, sem abandonar a sua fé na vida e no amor.
Em ‘Quem Ama Cuida’, cada reviravolta revela que a verdadeira força nasce no limite, porque, para Adriana, cuidar é também enfrentar o impossível – e mudar o próprio destino. “Adriana não é uma mocinha frágil, mas uma mulher empoderada, capaz de enfrentar tudo na vida, por si mesma e pelos seus. A novela tem uma grande história de amor entre Adriana e Pedro, e um grande mistério, pois teremos um ‘quem matou?”, destaca Walcyr Carrasco. “Ela é uma mulher do povo, que lutou muito por tudo que conquistou. Tem a cura nas mãos, não só pela profissão, mas porque ela cuida mesmo, abraça, acolhe, está sempre fazendo um carinho para alguém. E uma grande injustiça atravessa sua vida: Adriana perde a liberdade e seu grande amor, o Pedro”, complementa Claudia Souto.
Na condução dessa história, está um trio criativo que é referência na teledramaturgia. Parceira de Walcyr em muitos projetos, Claudia Souto celebra sua estreia em uma novela das nove ao lado do autor que tanto a inspirou: “Walcyr é um mestre para mim. Fiquei emocionada quando nos falamos pela primeira vez após o convite, porque é um reencontro com uma pessoa que eu amo. Sempre vi as novelas dele, e ele comentava sobre as minhas também. Agora temos essa parceria reeditada”.
A diretora artística Amora Mautner encara mais uma jornada ao lado de Walcyr Carrasco e estreia a dobradinha com Claudia Souto, apostando nos elementos que estão por trás dos grandes títulos da dramaturgia para conduzir a trama. “O público vai se envolver com todas as armações que as famílias podem enfrentar quando o assunto é herança, e isso é só o início da história. Temos um clássico melodrama, com ideias muito originais, e o DNA de Walcyr Carrasco, agora também com as ‘tintas’ da maravilhosa Claudia Souto, trazendo a sua experiência, sempre tão importante. Tudo isso com um elenco de nomes consagrados. Vem mais novelão por aí”, destaca Amora.
‘Quem Ama Cuida’ celebra a força das histórias brasileiras, das novelas, que se reinventam continuamente. Seja como uma experiência multiplataforma, que acompanha o público onde ele estiver, seja em multiformato, expandindo suas narrativas para além das telas tradicionais e se consolidando como um gênero essencialmente multigeracional, que conecta diferentes idades em torno de histórias que emocionam, provocam conversas, estimulam reflexão e levam entretenimento de qualidade a milhões de brasileiros todos os dias.
Com estreia marcada para o dia 18 de maio, ‘Quem Ama Cuida’ é criada e escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, com colaboração de Wendell Bendelack, Martha Mendonça, Julia Laks e Bruno Segadilha. A novela tem direção artística de Amora Mautner, direção geral de Caetano Caruso e direção de Alexandre Macedo, Nathalia Ribas, Augusto Lana, Fábio Rodrigo e Rodrigo Olliveira. A produção é de Mauricio Quaresma e Isabel Ribeiro, a produção executiva, de Lucas Zardo e a direção de dramaturgia, de José Luiz Villamarim.
A TRAMA
Adriana e Pedro
Um forte temporal transforma São Paulo em cenário de caos e dá início à jornada de Adriana (Leticia Colin), que vê sua vida desmoronar. Enquanto volta para casa após ser demitida da clínica onde trabalhava, uma enchente atinge a periferia da cidade, onde mora com sua família. O marido, Carlos (Jesuíta Barbosa), o avô Otoniel (Tony Ramos), a mãe, Elisa (Isabela Garcia), e o irmão Mau Mau (João Victor Gonçalves) estão lá, e Adriana só pensa em chegar em casa, mas a água logo invade o local e força a família a fugir em meio à correnteza que se forma e destrói tudo o que eles levaram anos para construir. Durante a tentativa de ajudar uma família vizinha a escapar da enchente, Adriana e Carlos são surpreendidos por uma tromba d’água, que arrasta o marido e muda para sempre o destino de ambos.
No meio da tragédia, marcada não apenas pela perda da casa e dos bens materiais, mas também pela morte do marido, Adriana se divide entre salvar desconhecidos, proteger os seus e lidar com uma dor imensa, que redefine o rumo da sua história. Sem casa, sem emprego e amparada apenas pelos familiares, ela e os parentes que sobreviveram são acolhidos em um abrigo improvisado, onde a escassez de recursos contrasta com a solidariedade dos voluntários, entre eles, Pedro (Chay Suede), advogado que cruza o caminho de Adriana enquanto ela tenta juntar os pedaços da própria vida. Pedro vive frequentes atritos com o pai, Ademir (Dan Stulbach), construídos pelas visões opostas sobre justiça e propósito. E, como filho de um dos criminalistas mais respeitados do país, rejeita o destino de assumir o lucrativo escritório da família e dedica sua carreira a defender pessoas que não podem pagar por bons advogados, exatamente o oposto do que seu pai espera. E, se não bastassem os dramas envolvendo a relação com Ademir, o jovem é surpreendido por uma notícia envolvendo sua namorada, Bruna (Nanda Marques), que o deixa sem esperanças no amor, mas o encontro com Adriana muda tudo de perspectiva.
A relação de Arthur com a família
Em um mundo aparentemente oposto ao de Adriana (Leticia Colin), o empresário Arthur Brandão (Arthur Brandão) vive cercado de luxo material. Viúvo, com problemas de saúde e sofrendo pela perda do filho, Heitor, que desapareceu enquanto esquiava, ele vive uma batalha não-declarada com os próprios irmãos, Pilar (Isabel Teixeira) e Ulisses (Alexandre Borges), e com a cunhada Silvana (Belize Pombal). Arthur conta apenas com a ajuda do amigo e advogado criminalista Ademir (Dan Stulbach), pai de Pedro (Chay Suede), seu afilhado, para defender o que é seu e evitar que sua irmã o interdite judicialmente para assumir o controle de sua fortuna. A disputa familiar expõe ressentimentos antigos, relações de interesse e uma trajetória marcada por abandono afetivo. Arthur acredita ter sido reduzido a um “caixa eletrônico” pelos parentes e, por isso, reage com agressividade a qualquer aproximação que considere ameaçadora.
Pilar e Ulisses sempre viveram às custas de Arthur, sustentados pela mesada que recebiam, mas nunca demonstraram afeto verdadeiro. Ambos carregam uma profunda inveja do irmão mais velho, o único que prosperou por mérito próprio. Os sobrinhos, por sua vez, tampouco ligam para o tio, especialmente os filhos de Pilar: Rafael (João Vitor Silva) prefere focar em sua carreira médica, mas sempre espera um investimento a mais do empresário em sua clínica; Ingrid (Agatha Moreira) tenta manter o trabalho de design de joias na joalheria do tio e Brigitte (Tata Werneck) vive centrada apenas em seus romances fracassados e obcecada pela ideia de encontrar o amor perfeito. Já Tiago (Gui Ferraz), filho de Silvana, apesar de ter um cargo importante na joalheria, mantém uma relação fria com o tio e não se sente valorizado por ele.
Diante de tanta indiferença da família, Arthur vive cercado pelos empregados fiéis: Diná (Rosi Campos), Edvaldo (Guilherme Piva), Tilde (Luana Martau) e Rosa (Tatiana Tiburcio), com os quais convive a maior parte do tempo. O empresário sente que é mais respeitado pelo dinheiro que possui do que pela pessoa que é. E essa situação se agrava quando Arthur corta a ajuda financeira que vinha dando aos irmãos e rompe de vez com a dinâmica de dependência econômica que mantinha. Para Arthur, a decisão é um gesto de sobrevivência emocional, para Pilar, é um ataque direto ao padrão de vida que ela considera um direito adquirido. Ela, então, decide tomar uma atitude extrema, com o apoio de Ulisses (Alexandre Borges), viciado em apostas, que precisa quitar suas dívidas e garantir o padrão de vida luxuoso que sempre prometeu à mulher, Fábia (Flávia Alessandra), à filha, Carolina (Mah Duarte) e ao enteado Felipe (Pietro Antonelli).
Inconformada com a perda da mesada e temendo o colapso financeiro da própria família, Pilar faz um pedido judicial de interdição de Arthur. Amparada por um advogado, ela sustenta que Arthur não tem mais plenas condições para administrar sua fortuna e seus negócios. Ao ser surpreendido pela notícia da interdição, Arthur sente-se traído e tem a certeza de que sua família só se aproxima quando há dinheiro envolvido. A disputa deixa de ser apenas judicial e passa a ser pessoal e irreversível.
O encontro de Adriana com o empresário Arthur Brandão
É nesse “deserto emocional” de Arthur (Antonio Fagundes) que Adriana (Leticia Colin) surge. O encontro entre eles acontece de forma inesperada, Adriana o socorre após uma tentativa de assalto, sem saber que a oportunidade de emprego que surge para ela é na casa dele. É nesse ponto que os dois universos começam a se cruzar.
Por indicação de Elenice (Mariana Sena), sua amiga de infância e filha de Rosa (Tatiana Tiburcio), cozinheira do empresário, Adriana vê a vaga de fisioterapeuta de Arthur como a única chance concreta de tirar sua família do abrigo e garantir alguma estabilidade. A profissional dedicada e sensível rapidamente conquista o afeto do empresário e se torna sua confidente. A amizade evolui, marcada por muito respeito, afeto e profissionalismo. Arthur passa enxergar nela alguém “decente”, em oposição direta à ganância da sua família, que começa encarar Adriana como uma ameaça à “sua” fortuna.
E é diante da possibilidade de ver todo o seu império destinado aos irmãos e ao sobrinho que Arthur faz uma proposta à jovem. De forma direta e consciente, pede Adriana em casamento – deixando claro que não se trata de paixão nem de desejo – como forma de retribuir tudo o que Adriana tem feito, garantindo ainda proteção legal e financeira a ela após sua morte. Adriana sabe que não ama Arthur e que vai comprar uma briga grande com a família dele, mas decide se casar por gratidão e senso de justiça para proteger a si e à própria família.
O casamento é marcado por tensão, sobressaltos e tragédia. Pedro (Chay Suede) descobre que a noiva do padrinho é a mulher por quem se apaixonou no abrigo, e a hostilidade da família é aparente. Após a festa, Arthur vai brindar o novo ciclo com a noiva na varanda. Um grito interrompe a noite. Adriana o encontra caído e, atônita, cruza com Pilar, uma das últimas a deixar a festa. A morte não é vista como acidente, e a viúva passa a ser a principal suspeita.
O recomeço de Adriana
Após ser injustamente condenada a 12 anos pela morte de Arthur, Adriana enfrenta humilhações, trabalhos forçados e a tirania das detentas na prisão, mas também encontra força e acolhimento na amizade com Nancy (Jeniffer Nascimento), parceria que se torna fundamental para sua sobrevivência emocional. Determinada a recuperar sua dignidade, Adriana usa o tempo atrás das grades para trabalhar no ambulatório e descobrir um novo propósito ao ajudar outras presas.
Seis anos depois, em liberdade condicional, ela tem dois objetivos claros: se vingar de todas as pessoas que a colocaram na prisão e desvendar o crime que tirou a vida de Arthur Brandão.
Entre o clássico e o contemporâneo: a São Paulo de ‘Quem Ama Cuida’
A produção parte de um conceito visual que atravessa todas as áreas criativas da novela: uma história urbana, ancorada na São Paulo contemporânea, mas atravessada por um toque de anos 90 – visível na construção dos personagens, nos códigos de figurino, nas escolhas de cenografia e na própria linguagem da direção. Sob o comando de Amora Mautner, a novela assume uma estética menos naturalista e mais desenhada, em que os ambientes, as roupas e os corpos em cena ajudam a contar a trajetória emocional e social dos personagens. A narrativa explora contrastes de classe, circulação pela cidade, deslocamentos cotidianos e espaços de trabalho e de afeto, compondo um retrato urbano reconhecível pelo público, mas filtrado por referências afetivas e visuais que remetem a outras décadas.
A produção teve, já no capítulo de estreia, um dos maiores desafios técnicos já realizados em uma novela das nove: a sequência da enchente que abre a trama e provoca transformações na vida de Adriana (Leticia Colin). As cenas exigiram uma combinação complexa de gravações em externas em São Paulo, com a cidade em movimento, na cidade cenográfica dos Estúdios Globo, na piscina do Parque Radical de Deodoro, no Rio de Janeiro, e tecnologia digital.
“Começamos a gravar na cidade onde a trama é ambientada. Filmamos na Avenida Paulista, em frente ao MASP, no centro da cidade, e conseguimos algo que inicialmente parecia impossível: criamos chuva cenográfica em uma das ruas mais movimentadas do país, e de dia. Era muito importante para a gente começar assim, porque o primeiro capítulo mostra tudo o que a Adriana enfrenta naquele dia, do período da manhã até à noite. Ela atravessa a cidade sob a chuva forte, sai do Centro e vai à periferia, até chegar à casa dela, já inundada”, conta o gerente de produção Maurício Quaresma.
Cenografia e produção de arte: São Paulo nos detalhes
A cenografia, assinada por Cris Bisaglia, é o ponto de partida para organizar o mundo onde a história acontece. Coube a ela desenhar uma São Paulo reconhecível e dramatizada, capaz de acolher os personagens, seus deslocamentos e ações cotidianas, e transformar a cidade em um organismo vivo, feito de contrastes sociais, arquitetônicos e afetivos.
A partir disso, Cris e sua equipe planejaram boa parte dos ambientes. “O pedido da Amora era por universos bem-marcados, com personalidade visual forte, que ajudassem a contar a história”, conta a cenógrafa. Segundo Cris, a novela exigiu uma leitura detalhada de São Paulo, que desse conta de famílias tradicionais e ricas, núcleos de classe média, ambientes de trabalho, espaços públicos e casas marcadas por afeto e memória.
Alguns cenários se destacam nesse contexto, como a casa da personagem Rosa (Tatiana Tiburcio), por exemplo, que acolhe a família da protagonista em um dos momentos da história. “A Amora gosta de ação verdadeira, de ator se movimentando, fazendo coisas enquanto fala. Então os cenários precisavam permitir essa circulação orgânica. Foi a partir dessa lógica que surgiram plantas mais abertas e integradas, como na casa de Rosa, pensada para acolher gestos cotidianos e ações simultâneas – lavar um copo, atender o telefone – enquanto a cena acontece”, detalha Cris.
Outro destaque é o apartamento de Arthur Brandão, definido por um luxo clássico e silencioso, que traduz tradição, poder e dinheiro antigo. A casa do empresário aposta em um clássico contemporâneo rigoroso, com arquitetura grandiosa, materiais nobres, como mármores, dourados, veludos, papéis que remetem a tapeçarias, e jardins internos que evocam sofisticação paulistana e linhagem. Nada é ostentação fácil: tudo comunica refinamento, permanência e repertório cultural. Essa mesma lógica de excesso controlado ganha outra forma na joalheria Brandão, pensada como um espaço exuberante e vivo. Inspirada em joalherias internacionais de perfil mais opulento, o cenário aposta em dourados, vitrines iluminadas, metais reluzentes e em marcantes cortinas de correntes douradas, criando um ambiente sensorial que transforma riqueza em espetáculo visual.
Já a casa de Pilar (Isabel Teixeira) opera na contradição entre aparência e realidade. A decoração mistura estampas, brilho, cores, mármore e dourado, sempre tentando performar luxo, apesar do orçamento instável. O espaço é compartilhado e improvisado, refletindo a convivência apertada com os filhos adultos, e revela, nos detalhes, os limites financeiros por trás da exuberância estética.
A produção de arte da novela, assinada por Carolina Pierazzo, atua em conjunto com a cenografia em todos os detalhes. “Cada espaço foi desenvolvido a partir de uma lógica estética rigorosa, onde nada é gratuito: os cenários ajudam a definir personagens, relações de poder e estados emocionais, sempre dentro de uma linguagem visual controlada, urbana e contemporânea. A casa de Pilar (Isabel Teixeira) é um dos exemplos mais evidentes desse trabalho conceitual. Trata-se de um ambiente marcado por uma decadência silenciosa, que não se assume de imediato, mas vai sendo revelada aos poucos”, destaca Carolina. O cenário da personagem é denso, cheio de objetos acumulados, com sinais de economia e improviso no cotidiano, como ventilador no lugar do ar-condicionado, comida escassa, desorganização constante. Reflete uma vida que foi perdendo controle ao longo do tempo. Não é um espaço de miséria, mas de desgaste emocional e estrutural, agravado pela convivência dos três filhos adultos, Ingrid (Agatha Moreira), Rafael (João Vitor Silva) e Brigitte (Tata Werneck), dentro da mesma casa, o que intensifica a sensação de sufocamento e caos.
Em contraste direto, a joalheria de Arthur Brandão (Antonio Fagundes) é concebida como um território de poder, desejo e ostentação legitimada. “Desde o início, a proposta foi fugir de uma estética meramente cenográfica e buscar verdade material, o que motivou a utilização de joias reais em momentos-chave, aliadas a peças cenográficas cuidadosamente compostas. Buscamos também a parceria com um designer, que imprime assinatura, sofisticação e credibilidade ao espaço, um símbolo do império construído pelo personagem. Mais do que um cenário elegante, a joalheria funciona como palco de disputa, tensão e afirmação de status, traduzindo visualmente a força e a ambiguidade desse núcleo”, conta Carolina.
O apartamento de Pedro (Chay Suede), por sua vez, constrói um retrato íntimo de um jovem advogado idealista profundamente conectado a São Paulo contemporânea. É um espaço híbrido, que mistura casa e trabalho, mas, principalmente, referências culturais. A desordem aparente não é descuido: tudo é pensado para expressar intensidade, engajamento e um certo desinteresse por convenções estéticas tradicionais. “Discos de bandas brasileiras alternativas, o pôster de Sade e objetos como a caneca do MASP ajudam a desenhar um personagem sensível, fora do mainstream, com uma relação afetiva e simbólica com a cidade. O cenário respira modernidade urbana, mistura de linguagens e uma sofisticação sem ostentação”, detalha a produtora.
Um outro cenário importante para contar a história que ‘Quem ama cuida’ traz é o abrigo. Ele dá continuidade ao impacto causado pela enchente, deslocando o foco do choque imediato para a permanência pós-tragédia. Trata-se de um espaço amplo, vivo e cheio de informação, organizado para ser legível em cena e emocionalmente verdadeiro.
Colchões, roupas, doações e áreas de atendimento são distribuídos de forma a criar camadas de profundidade e circulação para a câmera. Detalhes, como malas encostadas, cobertores dobrados, tentativas de organização, introduzem um olhar humano e sensível, enquanto a paleta cromática segue controlada, preservando a identidade visual da novela mesmo em um ambiente de crise.
Figurino e caracterização: corpo urbano, memória e identidade
O conceito visual de ‘Quem Ama Cuida’ se apresenta também no desenho de figurino e caracterização, que traduzem, no corpo dos personagens, essa São Paulo urbana, contemporânea e atravessada por referências afetivas dos anos 90.
A figurinista Flávia Costa, que assina a novela ao lado de Mari Sued, conta que a equipe buscou construir uma novela formalista, de personagens bem desenhados, com esse “cheiro” de anos 90, trabalhando com referências que o público reconhece, atualizadas. Esse desenho também se estende ao cotidiano. As chamadas “roupas de casa” de malhar, pedalar, descansar, ganham protagonismo como ferramenta narrativa. “Usamos muito isso para dar organicidade às cenas. A gente vê os personagens desmontados, em estados diferentes, não só prontos para o mundo. Isso aproxima o público e movimenta a cena. Na casa de Pilar (Isabel Teixeira), por exemplo, ela e os filhos andam de pijama, a filha Ingrid (Agatha Moreira) aparece com roupa de academia”, conta a figurinista.
Adriana (Leticia Colin), assim como Arthur e Pilar, concentra códigos visuais particularmente expressivos. A protagonista tem no vermelho, e em suas variações que caminham para o vinho, o eixo principal de sua identidade visual. Trata-se de uma mulher prática, urbana, que circula pela cidade usando jeans, botas e sobreposições, em um figurino pensado para o deslocamento e para a ação. A cor funciona como um farol dramático e destaca a personagem no caos urbano, especialmente, em sequências de grande impacto, como a enchente. Mesmo quando Adriana perde tudo e passa a vestir roupas doadas no abrigo, maiores e mais desgastadas, o figurino preserva esse código cromático, e garante reconhecimento imediato e continuidade emocional.
Pilar (Isabel Teixeira) é uma vilã declarada e veste o exagero com consciência estética. Animal print em múltiplas variações, volumes amplos, capas e sobreposições marcam sua primeira fase, evocando um imaginário oitocentista e Kitsch, com referências diretas ao melodrama clássico.
A novela cruza diferentes classes sociais e estilos de vida das famílias tradicionais e riquíssimas a personagens de rotina simples, o que permitiu ao figurino assumir cores, silhuetas e texturas como códigos de status, pertencimento e transformação. “Quando um personagem ganha dinheiro, esses signos aparecem. Nem sempre como bom gosto, mas como vontade de performar um lugar social novo”, explica Flávia.
“Arthur Brandão, por exemplo, representa o arquétipo do ‘rico antigo’. Seu figurino aposta na sobriedade como código de status: alfaiataria precisa, cortes limpos e uma paleta contida, com referências a uma elegância de inspiração inglesa. O destaque simbólico do personagem é o anel com o brasão da família Brandão, criado especialmente para a novela e usado ao longo de toda a narrativa. Mais do que adorno, o objeto reafirma tradição, pertencimento e linhagem, funcionando como extensão material do poder silencioso que Arthur exerce”, completa.
Já na caracterização a proposta era assumir uma atmosfera de “novelão” com base nos anos 80 e 90, mas com acabamento contemporâneo e uma beleza popular que atravessa todos os núcleos, inclusive os mais sofisticados. Como a trama tem passagem curta de tempo logo no início, a caracterização recorreu a soluções técnicas reversíveis – postiços, laces, alongamentos – para garantir fluidez entre fases e preservar o ritmo intenso de gravações, segundo o caracterizador Marcelo Dias. O trabalho foi desenvolvido de forma integrada entre figurino, caracterização e direção, ajustando proporção, cor e textura para que os personagens se sustentem visualmente ao longo da novela. “Seis anos não mudam todo mundo. Alguns personagens seguem praticamente iguais. Em outros, a passagem aparece no detalhe: no comprimento do cabelo, numa barba diferente, num acabamento mais cuidado”, ressalta Marcelo.
Na maquiagem, a novela também assume um desenho menos naturalista em determinados núcleos, usando luz e sombra para sugerir intervenções estéticas, vaidade ou dureza emocional, sempre com sutileza e sem caricatura, como na personagem Fábia (Flávia Alessandra), que vai ter um “bocão”. “É tudo feito no pincel, cena a cena. A novela é longa, o cuidado com o ator vem sempre em primeiro lugar. Mais do que marcar estilos, essas escolhas ajudam o público a perceber o tempo, o pertencimento e as transformações individuais”, reforça o caracterizador.
Superprodução, tecnologia e drama: os bastidores da cena de enchente
Para retratar a enchente que marca um ponto decisivo da trama, os Estúdios Globo realizaram uma operação inédita, combinando efeitos especiais (FX), efeitos visuais digitais (VFX) e produção virtual com painéis de LED de alta resolução – tecnologias consagradas em grandes produções internacionais. O objetivo foi potencializar o impacto visual e emocional da cena, garantindo realismo, escala e segurança.
As gravações ocorreram em março, com um elenco formado por Tony Ramos, Leticia Colin, Isabela Garcia, Jesuíta Barbosa e João Victor Gonçalves, e envolveram locações em São Paulo, no Rio de Janeiro, na cidade cenográfica dos Estúdios Globo e na piscina do Parque Radical de Deodoro, onde foi montada a maior parte da operação. Em um lago artificial de 13 mil metros quadrados, foram construídas três casas cenográficas especialmente projetadas para reagir à força da água. A integração entre efeitos práticos em ambiente controlado e cenários virtuais permitiu capturar tudo que aparece em cena com alto grau de realismo.
Segundo a diretora artística Amora Mautner, o maior desafio foi o planejamento da realização: criar uma enchente em escala inédita, gravada “de verdade”, e não apenas simulada por efeitos. “Resolvemos fazer de um jeito diferente, para aumentar a veracidade. Estou muito feliz de ter encontrado, com a equipe, um caminho viável que vai transmitir o impacto que as cenas pedem”, comemora a diretora.
Para dar profundidade ao ambiente e representar diferentes áreas de São Paulo sob tempestade, a produção utilizou um painel de LED de 200 m², que integrou imagem, iluminação e atmosfera ao set. Dois guindastes com sistemas de iluminação especiais foram calibrados para dialogar com o conteúdo exibido no painel, ampliando a sensação de cidade viva em cena. Para a gerente de produção Isabel Ribeiro, o uso do LED trouxe mais realismo e facilitou o trabalho do elenco, que passou a atuar com a imagem da cidade já presente no momento da gravação: “Com o LED, a cidade já está ali no momento da gravação. Você grava com a imagem viva de São Paulo ao fundo, com luz, movimento, trânsito acontecendo. Isso traz mais realismo para a cena e ajuda muito o elenco, que não precisa imaginar o ambiente, como acontece no chroma-key”.
A operação mobilizou cerca de 270 profissionais ao longo de uma semana. A estrutura de FX envolveu tombadores de água, mangueiras de alta pressão, geradores de ondas, tambores de ar comprimido, veículos maquinados para flutuação e destroços cenográficos. Em paralelo, o trabalho de VFX ampliou digitalmente a cidade, intensificou chuva e partículas, complementou a movimentação da água e integrou prédios e atmosfera urbana com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, finalizando a cena com profundidade e impacto dramático.
O projeto também priorizou a sustentabilidade: toda a água utilizada retorna ao reservatório da piscina, que comporta até 30 milhões de litros. Um grid de chuva exclusivo, com 2 mil quilos e 1.200 m² de cobertura, foi desenvolvido especialmente para a sequência, considerada o acontecimento que dispara toda a história.
A cenografia, liderada por Cris Bisaglia, exigiu meses de estudos e simulações em 3D para garantir segurança e realismo. As casas foram montadas fora da água e encaixadas peça por peça, como um “Lego gigante”. Um dos destaques foi a construção de duas versões idênticas da casa da protagonista: uma submersa, para as cenas externas, e outra na cidade cenográfica, permitindo controle preciso da inundação interna. A produção de arte, por sua vez, liderada por Carolina Pierazzo, cuidou dos objetos em cena, que foram pesquisados, escolhidos e até produzidos para flutuar, mantendo a paleta cromática da obra, com predominância de vermelhos e amarelos. “Veículos adaptados, botes e a coreografia dos elementos em água reforçam a unidade visual e narrativa da sequência”, revela Carolina. Já o figurino trabalhou em diálogo constante com a produção, adotando neoprene, roupas duplicadas e logística de aquecimento e secagem para assegurar conforto, continuidade e segurança ao elenco.
Som contemporâneo e cosmopolita: a trilha sonora como motor de ‘Quem Ama Cuida’
A trilha sonora de ‘Quem Ama Cuida’ aposta na diversidade de gêneros para traduzir a atmosfera contemporânea e cosmopolita de São Paulo. Com forte presença de hits internacionais – de nomes como Bad Bunny e Sabrina Carpenter –, a novela constrói uma sonoridade vibrante e atual, que dialoga diretamente com o público. A trilha nacional também complementa esse mosaico ao reunir ritmos que vão do piseiro ao pagode, passando pela MPB, com nomes como Marisa Monte e Seu Jorge logo na abertura da trama, e Elza Soares. O encontro entre Gal Costa e Marília Mendonça em “Cuidando de longe”, além de reforçar a diversidade musical através da união desses ícones de gerações e gêneros musicais distintos, carrega também os símbolos de força, coragem e determinação que as artistas representavam, assim como a protagonista Adriana (Letícia Colin).
Essa mistura musical se amplia com a incorporação de influências latinas, como Ca7riel & Paco Amoroso e Julio Iglesias – este último ajudando a compor uma camada mais romântica ligada ao personagem Otoniel (Tony Ramos). Entre novidades e resgates, a proposta é criar uma identidade musical pop, diversa e pulsante. Na trilha original, assinada por Eduardo Queiroz e Bibi Cavalcante, a música também assume papel central, sobretudo em sequências de maior impacto, como a enchente do primeiro capítulo. “Na minha direção, a trilha não é só acompanhamento, ela participa da narrativa. É uma ferramenta dramática, assim como o enquadramento, tão importante quanto escolher um close ou um plano geral. Eu penso música sempre como função de comunicação. Não adianta ser genial, ou estar alinhada com o meu gosto pessoal, se não comunica com o público. A trilha precisa ajudar a contar a história e a fazer o espectador sentir junto com os personagens. Em ‘Quem Ama Cuida’, a gente construiu uma trilha que mistura muitos universos. Tem música clássica, que traz uma dimensão mais épica e atemporal; tem canções populares muito fortes emocionalmente; e também música pop. Para aproximar ainda mais o público também entram músicas conhecidas, afetivas, que ajudam a criar identificação imediata”, explica a diretora artística Amora Mautner.
ENTREVISTA COM OS AUTORES WALCYR CARRASCO E CLAUDIA SOUTO
Jornalista de formação e vencedor do Emmy Internacional, Walcyr Carrasco iniciou a carreira na imprensa e publicou seu primeiro livro aos 28 anos. Hoje, soma mais de 60 títulos e prêmios importantes, como o Shell, o Jabuti e reconhecimentos da Academia Paulista de Letras e da União Brasileira dos Escritores. Na TV Globo desde os anos 1980, escreveu novelas marcantes como ‘O Cravo e a Rosa’, ‘Chocolate com Pimenta’, ‘Alma Gêmea’, ‘Amor à Vida’ e ‘Verdades Secretas’, que ganhou o Emmy Internacional. Também assinou sucessos mais recentes como ‘A Dona do Pedaço’ e ‘Verdades Secretas 2’. Em 2025, escreveu ‘Êta Mundo Melhor!’ com o autor Mauro Wilson, e direção artística de Amora Mautner. Agora, assina ‘Quem Ama Cuida’ ao lado da parceira de muitos trabalhos, a autora Claudia Souto, e repete a parceria com a diretora artística Amora Mautner.
Carioca, Claudia Souto é autora e roteirista com trajetória versátil na TV, teatro, cinema e literatura. Começou nos anos 1990 no ‘Casseta e Planeta’ e escreveu diversos formatos, como séries e programas infantis (‘Sai de Baixo’, ‘TV Colosso’, ‘Carga Pesada’). Participou do grupo Obrigado Esparro, responsável por livros de humor, incluindo o sucesso “Como Educar Seus Pais”. No cinema, coescreveu ‘Eduardo e Mônica’ (2020). Na teledramaturgia, colaborou com Walcyr Carrasco antes de estrear como autora principal em ‘Pega Pega’ (2017), seguida por ‘Cara e Coragem’ (indicada ao Emmy) e ‘Volta Por Cima’. Agora, assina ‘Quem Ama Cuida’, sua primeira novela das nove, ao lado de Walcyr.
Como surgiu a ideia de ‘Quem Ama Cuida’?
Walcyr Carrasco: A ideia nasceu de uma experiência muito pessoal. Há cerca de dois anos, quebrei a perna e enfrentei um longo processo de recuperação. Convivendo diariamente com fisioterapeutas e outros profissionais da área, passei a observar não só a técnica deles, mas o cuidado, a empatia, o envolvimento humano. Percebi como o ato de cuidar transforma quem cuida e quem é cuidado. Isso me marcou profundamente e acendeu a vontade de contar uma história a partir desse universo, falando de solidariedade, superação e afeto.
Claudia Souto: Quando o Walcyr me apresentou essa base, percebi imediatamente o quanto ela era potente para falar de algo maior. A partir desse ponto de partida tão humano, começamos a construir uma história sobre injustiça, sobre alguém que dedica a vida a cuidar do outro e, paradoxalmente, é brutalmente ferida pelo sistema. ‘Quem Ama Cuida’ nasce desse contraste: o cuidado como essência e a injustiça como motor dramático.
Quais são os principais elementos da trama?
Walcyr Carrasco: A novela se sustenta em dois grandes pilares. O primeiro é o universo profissional da Adriana (Leticia Colin), sua atuação como fisioterapeuta e todo o simbolismo do cuidado físico e emocional. O segundo é uma grande história de amor entre ela e Pedro (Chay Suede), vivida com intensidade, separações e reencontros. Além disso, há um eixo forte de suspense: a morte de Arthur Brandão (Antonio Fagundes), que lança a pergunta “quem matou?” e atravessa a narrativa.
Claudia Souto: ‘Quem Ama Cuida’ é um grande melodrama, um novelão de fortes emoções e grandes embates. Os conflitos atravessam todas as relações: o Otoniel (Tony Ramos), avô de Adriana (Leticia Colin), contra Arthur (Antonio Fagundes); Pedro (Chay Suede), íntegro e idealista, contra seu pai corrupto Ademir; Pilar, a irmã interesseira, contra a própria Adriana. É uma trama cheia de confusões, e o público gosta disso. Ao mesmo tempo, há humor, especialmente no núcleo da casa de Arthur, formado pelos empregados Rosa (Tatiana Tiburcio), Tilde (Luana Martau), Edvaldo (Guilherme Piva) e Diná (Rosi Campos), que funciona como respiro emocional, mas que também carrega seus dramas.
Quem é Adriana, a protagonista da história?
Walcyr Carrasco: Adriana (Leticia Colin) é uma mulher de origem humilde, batalhadora, que ajuda a sustentar a família e constrói sua independência com muito esforço. Ela não é uma mocinha frágil, mas alguém forte, ética e determinada. É uma heroína contemporânea, que enfrenta a vida de frente.
Claudia Souto: Adriana é uma mulher batalhadora, amorosa e profundamente marcada pela injustiça. Ela tem a cura nas mãos, literal e simbolicamente. A relação com Pedro nasce de um encontro entre duas pessoas que acreditam na justiça, mas que acabam separadas por forças muito maiores. Eles lutam para se reencontrar após toda a tragédia.
Quem assume o papel de antagonista em ‘Quem Ama Cuida’?
Walcyr Carrasco: A principal antagonista é Pilar (Isabel Teixeira), irmã de Arthur Brandão (Antonio Fagundes). Ela é uma mulher ambiciosa, movida pela ganância, capaz de ultrapassar qualquer limite para colocar as mãos na herança da família. Pilar representa um tipo de vilania muito concreta, muito próxima da realidade.
Claudia Souto: Pilar é também um símbolo das injustiças estruturais que atravessam a novela. Ela usa o poder econômico e as relações familiares para manipular, excluir e destruir. O embate entre Pilar e Adriana sintetiza a luta entre quem cuida e quem explora.
Quais mensagens vocês querem levar ao público?
Walcyr Carrasco: Eu acredito muito na força do cuidado – não só aquele cuidado profissional, como o da Adriana, mas o cuidado humano, do dia a dia, que a gente tem ou deveria ter uns com os outros. ‘Quem Ama Cuida’ fala sobre isso, sobre solidariedade, empatia, sobre como pequenos gestos podem transformar a vida de alguém. Ao mesmo tempo, é uma novela que olha de frente para as injustiças: um mundo onde, muitas vezes, quem tem poder e dinheiro passa por cima dos outros. Eu quis trazer essa consciência, sem perder a emoção e a esperança. Porque também é uma história de superação, de coragem, de uma mulher que não desiste de lutar pelo que é certo. E, claro, é uma história de amor – e eu sou um romântico. No fundo, o que eu quero é que o público se emocione, se reconheça e, quem sabe, saia um pouco mais disposto a cuidar do outro.
Claudia Souto: A grande reflexão é sobre como pessoas boas, éticas, acabam sofrendo num mundo em que quem tem dinheiro e falta de escrúpulos muitas vezes leva vantagem. A novela também fala sobre a importância das boas relações familiares, da rede de apoio, da empatia. Mostra famílias amorosas e famílias disfuncionais, relações que inspiram e relações que adoecem. No fundo, fala sobre a necessidade de cultivar o bem para transformar o mundo, mesmo em uma história que é sobre vingança.
O que o público pode esperar de ‘Quem Ama Cuida’?
Walcyr Carrasco: Uma grande história de amor, cheia de emoções, reviravoltas e conflitos intensos, como toda boa novela das nove pede.
Claudia Souto: Um novelão sem pudor emocional, com personagens fortes, embates constantes e uma narrativa que não perde fôlego. Uma história sobre injustiça, amor, vingança e sobre o desejo profundo de ver o bem vencer – nem que seja pela catarse.
Como está a parceria com a Amora Mautner e com a Claudia Souto?
Walcyr Carrasco: Minha parceria com Amora Mautner é antiga. Já trabalhamos juntos em várias novelas e construímos uma relação quase de família, como irmãos. Isso torna o trabalho mais fácil, já que existe muita confiança mútua. Com Claudia Souto, a parceria também é longa. Já trabalhamos juntos em muitas novelas e temos uma relação ótima, muito criativa.
Você já trabalhou com Walcyr Carrasco como colaboradora, e agora volta a escrever ao lado dele. Como esse reencontro aconteceu e o que essa parceria representa neste momento da sua trajetória?
Claudia Souto: Eu estava começando a desenvolver uma nova ideia quando recebi o convite para dividir a autoria da novela com o Walcyr. Demorei um pouco a assimilar, porque não era só um novo trabalho, era voltar à intensidade de uma novela das nove. Mas o Walcyr é o autor que me abriu as portas da dramaturgia, com quem trabalhei por cinco anos muito felizes e que é um mestre para mim. Esse reencontro é como uma edição revista e ampliada da nossa história. É uma grande emoção e um aprendizado contínuo.
ENTREVISTA COM A DIRETORA ARTÍSTICA, AMORA MAUTNER
Amora Mautner começou na TV Globo em 1995 como assistente de direção em ‘Malhação’ e, ao longo dos anos, trabalhou em diversas novelas até se tornar diretora, assinando produções como ‘O Cravo e a Rosa’, ‘Celebridade’ e ‘Paraíso Tropical’. Estreou na direção-geral com ‘Cama de Gato’ (2009) e alcançou grande destaque com ‘Avenida Brasil’ (2012) e ‘Joia Rara’ (2013), vencedora do Emmy Internacional. Também dirigiu séries e passou a atuar como diretora artística em ‘A Regra do Jogo’ (2015). Atuou na direção de obras de Walcyr Carrasco em trabalhos como ‘A Dona do Pedaço’, ‘Verdades Secretas 2’ e ‘Êta Mundo Melhor!’. Agora, consolida a parceria com o autor em ‘Quem Ama Cuida’, que Walcyr assina com Claudia Souto.
Quais foram suas principais escolhas artísticas para a direção da novela?
O público vai ver uma novela com muita emoção, sustentada por atores absolutamente maravilhosos, que são a alma de qualquer projeto. Sem eles, não conseguimos trazer verdade nem emoção para quem está assistindo. Mas, junto a isso, existe um trabalho estético muito pensado. Eu tenho um olhar muito voltado para a forma, porque acredito que a beleza também é dramaturgia. A imagem cria atmosfera, orienta a emoção, coloca o espectador dentro daquele universo. Por isso trabalhamos com uma proposta formalista muito clara: cores fortes, vibrantes, quase melodramáticas mesmo, como o vermelho e o amarelo. Não é uma novela de tons pastéis, é uma novela que tem cor, que tem presença visual, e isso ajuda até a contrabalançar a intensidade dos conflitos. Mas essa concepção de beleza não é só paleta: está na direção de arte, na fotografia, na depuração dos enquadramentos. É uma estética que participa da narrativa, dá ritmo emocional, e sustenta a história junto com os atores. É essa combinação de emoção, forma e humanidade que eu espero que faça o público se conectar com a novela desde o primeiro capítulo.
O primeiro capítulo traz cenas dramáticas, como a enchente em São Paulo. Fale um pouco sobre os desafios.
Foi um desafio enorme, porque a gente precisava criar uma enchente em São Paulo numa escala nunca vista. Normalmente isso seria feito com efeitos especiais, mas, desta vez, resolvemos fazer tudo de um jeito diferente. Tudo foi gravado de verdade. Meu maior desafio foi pensar em como realizar isso. Estou muito feliz de ter encontrado, com a equipe, um caminho viável que dá essa emoção. Unimos o formalismo, que eu amo, com uma escala épica. Usamos LED gigante para ter realidade nos planos médios e closes. Os atores estavam vivendo aquilo ali. Usamos tecnologia muito próxima do que se faz em superproduções internacionais.
Como foi fazer externas em São Paulo?
Gravamos cerca de um mês na cidade e registramos muita coisa que vai aparecer ao longo da novela inteira. São Paulo é nosso grande universo visual, uma cidade linda. Queremos que o público realmente se sinta na cidade. Quando houver a transição dos prédios para o estúdio, a sensação tem que ser: “Estamos em São Paulo”. Esse é o nosso grande desafio.
Quais foram as principais referências estéticas para esta novela?
A estética nasce diretamente do conceito formalista que a gente desenhou desde o início, mas ela ganha força mesmo quando se junta às ferramentas que usamos para realizar isso. Trabalhamos com uma estrutura visual que envolve tecnologia, ilusão de ótica e uma busca de escala quase épica, inspirada num cinema que mistura realidade com fantasia. Essa referência ao formalismo aparece também no modo como a gente constrói a imagem: na composição, na depuração dos enquadramentos, no uso de LEDs gigantes que permitem que o ator viva a cena com verdade, com o ambiente realmente respondendo a ele. É uma estética que pede precisão, pede intenção, e que, para mim, potencializa a emoção e dá unidade ao que o público vai ver do primeiro ao último capítulo.
O que o público pode esperar de ‘Quem Ama Cuida’?
Para mim, essa é uma novela universal, porque fala de emoção, então, nossa meta é entregar isso ao público. A novela tem muitos ingredientes que o público brasileiro ama, e eu espero que eles sintam, em casa, a mesma intensidade que nós temos vivido aqui. Estamos com um elenco brilhante, um texto maravilhoso e um time genial, todos dando o sangue para que essa história chegue com verdade ao espectador. Eu acredito profundamente que essa energia que colocamos em cada cena se comunica com quem assiste. Minha esperança é que o Brasil acompanhe, se envolva e se deixe tocar por tudo o que estamos construindo.
PERFIL DOS PERSONAGENS
Núcleo de Adriana
Adriana (Leticia Colin) – Jovem determinada e batalhadora, aprendeu desde cedo a encarar a vida de frente e de peito aberto. Vive com a mãe Elisa (Isabela Garcia), com o avô Otoniel (Tony Ramos) e com o irmão, Maurício (João Victor Gonçalves), mais conhecido como Mau Mau, na periferia de São Paulo. Trabalha em uma clínica como fisioterapeuta, mas é demitida justamente no dia em que perde o marido, Carlos (Jesuíta Barbosa) e a casa onde mora em uma enchente implacável. Vai parar em um abrigo, junto dos parentes que sobrevivem, onde conhece o advogado Pedro (Chay Suede), voluntário no local, em um encontro de almas que marca a vida de ambos. Em busca de um recomeço na vida, consegue uma oportunidade para trabalhar atendendo o milionário Arthur Brandão (Antonio Fagundes). A simpatia entre os dois é quase imediata, e o trabalho evolui para uma amizade profunda. Casa-se com Arthur, após um acordo com ele, que quer evitar que sua herança fique para os familiares interesseiros e propõe a ela um casamento entre amigos. No entanto, Adriana acaba sendo acusada do assassinato do noivo no dia da celebração. Presa injustamente, seis anos depois, reconquista a liberdade, disposta a batalhar pelo amor de Pedro e lutar por justiça contra os que a colocaram atrás das grades, como Ademir (Dan Stulbach) e Pilar (Isabel Teixeira).
Carlos (Jesuíta Barbosa) – Marido de Adriana (Leticia Colin), morre na trágica enchente que acontece em São Paulo.
Otoniel (Tony Ramos) – Pai de Elisa (Isabela Garcia), avô de Adriana (Leticia Colin) e Mau Mau (João Victor Gonçalves). Trabalha em uma banca de flores na frente de um cemitério, onde conhece e se apaixona por Francesca (Nathalia Dill), mulher misteriosa que sempre aparece durante o seu turno no trabalho. É um viúvo aposentado e com valores muito rígidos e claros. Também vai ter muitos embates com Arthur (Antonio Fagundes) ao saber da intenção dele de se casar com sua neta Adriana.
Elisa (Isabela Garcia) – Filha de Otoniel (Tony Ramos). Mãe de Adriana (Leticia Colin) e Mau Mau (João Victor Gonçalves). Depois da enchente, fica doente, e a família encontra dificuldade para fechar um diagnóstico durante os atendimentos médicos. É uma filha e mãe atenciosa, amorosa, que vive intensamente para os seus.
Maurício/ Mau Mau (João Victor Gonçalves) – Conhecido como Mau Mau, filho de Elisa (Isabela Garcia), irmão de Adriana (Leticia Colin), neto de Otoniel (Tony Ramos).
Francesca (Nathalia Dill) – Mulher misteriosa que passa a frequentar a banca de flores de Otoniel (Tony Ramos) durante o turno dele no trabalho e por quem ele se apaixona.
Enéas (Glicério do Rosário) – Amigo de Otoniel (Tony Ramos). Trabalha com ele na banca de flores na frente do cemitério.
Elza (Yohama Eshima) – Dona da banca de flores do cemitério. Chefe de Otoniel (Tony Ramos), por quem tem uma queda romântica.
Elenice (Mariana Sena) – Melhor amiga e vizinha de Adriana (Leticia Colin). Casada com Tom (Allan Souza Lima) e mãe de Dafne (Valentina Cavalheira/ Arlyane Carvalho). Indica Adriana para trabalhar na casa de Arthur Brandão (Antonio Fagundes), onde sua mãe, Rosa (Tatiana Tiburcio), é cozinheira. Prestativa e batalhadora, vive uma relação tóxica com o marido, mas não percebe.
Tom (Allan Souza Lima) – Marido de Elenice (Mariana Sena), é um sujeito que vive de bicos na construção civil, se autoelogia como provedor da casa e não deixa Elenice trabalhar.
Dafne (Valentina Cavalheira/ Arlyane Carvalho) – Filha de Tom (Allan Souza Lima) e Elenice (Mariana Sena). Neta de Rosa (Tatiana Tiburcio).
Núcleo de Arthur Brandão
Arthur Brandão (Antonio Fagundes) – Milionário, dono de uma joalheria. Arthur ergueu seu império do zero. Nascido em uma família simples, começou como aprendiz em uma famosa joalheria e foi crescendo até abrir seu próprio negócio. Tem um jeito implacável de lidar com as pessoas, e, por causa disso, vive em um estado de solidão profunda. A perda da esposa e o desparecimento do filho Heitor o tornaram um homem amargurado. É cercado por uma família interesseira que só quer dinheiro. Não perde a oportunidade de humilhar os irmãos, Pilar (Isabel Teixeira) e Ulisses (Alexandre Borges), e de falar mal do falecido irmão Belmiro, marido de Silvana (Belize Pombal). Contrata Adriana (Leticia Colin) como sua fisioterapeuta, e a amizade com ela traz um novo significado à sua vida, a ponto de propor um casamento com a jovem para não deixar sua fortuna para a família.
Pilar (Isabel Teixeira) – É uma mulher amargurada e tem inveja do sucesso do irmão Arthur (Antonio Fagundes). Acha que, por ser mulher, nunca teve as mesmas chances que ele. Viveu da pensão do ex-marido, no passado, e, agora, da mesada de Arthur. Ficou viúva duas vezes. Culpa a filha, Brigitte (Tata Werneck) por ter abdicado de sua carreira e ter perdido seus melhores anos de juventude, mas não pensa isso de Ingrid (Agatha Moreira) e Rafael (João Vitor Silva), filhos do homem que ela considera ter sido seu grande amor.
Brigitte (Tata Werneck) – Filha de Pilar (Isabel Teixeira), irmã de Ingrid (Agatha Moreira) e de Rafael (João Vitor Silva). Nunca lidou bem com a rejeição da mãe e tem sérias questões em sua vida afetiva. Costuma perseguir os homens pelos quais se interessa. Depois de algumas investidas malsucedidas, encontra novo alvo em César (Rainer Cadete), que acaba de se tornar sócio de Rafael na clínica de dermatologia e estética. Decidida a conquistá-lo, ela vai entrar na vida de César e Bia (Maria Ribeiro) sem pedir licença, disposta a destruir a harmonia do casal.
Ingrid (Agatha Moreira) – Filha mais nova de Pilar (Isabel Teixeira), é designer de joias e trabalha na joalheria de Arthur (Antonio Fagundes). É irmã de Brigitte (Tata Werneck) e Rafael (João Vitor Silva). Sensível, não lida muito bem com o jeito duro e exigente do tio. Diferentemente de Brigitte, não quer viver um relacionamento sério, apenas curtir a vida sem compromisso, e tenta convencer a irmã a ser menos intensa com os pretendentes.
Rafael (João Vitor Silva) – Filho de Pilar (Isabel Teixeira), irmão de Brigitte (Tata Werneck) e Ingrid (Agatha Moreira), e sobrinho de Arthur Brandão (Antonio Fagundes). Médico bem-sucedido, é dono de uma clínica que ergueu com a ajuda financeira do tio. Vive dando dinheiro para a mãe, que alega estar sempre sem dinheiro. Rafael acusa Pilar de nunca ter dado amor suficiente aos filhos. Namora Andréia (Duda Almeida).
Ulisses (Alexandre Borges) – Irmão de Arthur (Antonio Fagundes) e Pilar (Isabel Teixeira), vive encostado na fortuna do milionário. Ao contrário de Pilar, ele tem uma certa vergonha disso e tenta disfarçar, investindo em diversos negócios. É dono de uma empresa de produtos descartáveis que não vai bem, fato que ele esconde de todos. Seu suposto desejo de sucesso é, na verdade, uma forma de impressionar sua esposa Fábia (Flávia Alessandra), que não suporta a ideia de estar casada com um fracassado e é a razão de sua vida. Ele também esconde a situação financeira da esposa, assim como o fato de que estão vivendo da mesada de Arthur. Pai de Carolina (Mah Duarte), filha do seu primeiro casamento, e padrasto de Felipe (Pietro Antonelli), filho de Fábia. Por trás da fachada de marido exemplar e homem bem-sucedido, esconde um vício que consome não apenas seu dinheiro, mas sua paz. Dependente de apostas e jogos em geral, passa horas em cassinos clandestinos e acredita que uma grande vitória pode resolver suas dívidas e garantir o padrão de vida luxuoso que sempre prometeu à mulher. O problema é que essa “vitória” nunca chega, e, enquanto insiste em arriscar, Ulisses se afunda cada vez mais em empréstimos. Com a suspensão da mesada do irmão, seu desespero.
Carolina (Mah Duarte) – Filha de Ulisses (Alexandre Borges) e enteada de Fábia (Flávia Alessandra), costuma se incomodar com os conselhos que Fábia dá sobre arrumar um bom partido. Tem uma alma independente, está se organizando financeiramente para sair de casa. Se apaixona por André (Henrique Barreiras), primo de Pedro (Chay Suede), quando ele volta para o Brasil e os dois começam a namorar.
Fábia (Flávia Alessandra) – Nascida em uma família tradicional, porém falida, e criada para casar-se, ter filhos e cuidar do marido, viu no casamento com Ulisses (Alexandre Borges) sua “tábua de salvação”. Além do suposto suporte financeiro e emocional, Ulisses assumiu o filho dela, Felipe (Pietro Antonelli). Fábia vai se aproximar do professor de dança Patrick (Igor Rickli).
Felipe (Pietro Antonelli) – Filho de Fábia (Flávia Alessandra) e enteado de Ulisses (Alexandre Borges), foi morar com o novo marido da mãe e com Carolina (Mah Duarte) aos 10 anos de idade, quando Fábia se separou do ex-marido. Tem uma ótima relação com Ulisses e já percebeu que as coisas não andam muito bem para o padrasto, mas costuma acobertar porque sabe da importância do status e do dinheiro para a mãe. É ele quem apaga alguns incêndios financeiros em casa, já que descobre no grafite uma boa fonte de renda. Tem uma boa relação com Carolina, mas questiona suas escolhas amorosas.
Batira (Celina Costa) – Trabalha na casa de Fábia (Flávia Alessandra) e Ulisses (Alexandre Borges).
Heitor (Renato Góes) – Filho de Arthur (Antonio Fagundes), sempre teve um espírito livre e personalidade forte. Gostava de viajar em busca de experiências espirituais. E foi numa dessas aventuras, enquanto esquiava, que desapareceu. Arthur nunca superou essa perda e, depois disso, tornou se uma pessoa ainda mais amarga.
Belmiro – Irmão falecido de Arthur (Antonio Fagundes). Com Silvana (Belize Pombal) teve o filho Tiago (Gui Ferraz). Belmiro criou o filho para ser o sucessor de Arthur e o ensinou a ter resiliência para lidar com o gênio difícil do empresário.
Silvana (Belize Pombal) – Intelectual, professora universitária, com doutorado. Vive às voltas com pesquisas e publicações, sendo reconhecida e bem-sucedida na vida acadêmica. Viúva de Belmiro, mãe de Tiago (Gui Ferraz). Cunhada de Arthur (Antonio Fagundes) e Pilar (Isabel Teixeira). Se une a ela contra Adriana (Leticia Colin) para brigar pela herança do filho após a morte de Arthur.
Tiago (Gui Ferraz) – Filho de Belmiro e Silvana (Belize Pombal) e sobrinho de Arthur (Antonio Fagundes) e Pilar (Isabel Teixeira). Trabalha na joalheria de Arthur e aguenta os impropérios do tio durante o trabalho. O vínculo familiar nunca rendeu a ele nenhuma regalia. Tiago sente que não cresceu o suficiente ali dentro e espera por uma oportunidade melhor. Começou como vendedor e foi crescendo. Tem profunda atração por Bruna (Nanda Marques), mas, ao mesmo tempo frustração, porque ela se envolve com Pedro (Chay Suede) e nunca lhe dá uma chance.
Rosa (Tatiana Tiburcio) – Trabalha na casa de Arthur Brandão (Antonio Fagundes). Mãe de Elenice (Mariana Sena). Ajuda Adriana (Leticia Colin) a conseguir o emprego de fisioterapeuta na casa do patrão ao saber da vaga e avisar para filha Elenice, amiga da jovem. Segue na casa, trabalhando para Pilar (Isabel Teixeira), depois da morte de Arthur.
Diná (Rosi Campos) – Governanta na casa de Arthur Brandão (Antonio Fagundes), trabalha há anos com o milionário. É a única que enfrenta as rabugices de Arthur e conhece o milionário como ninguém. Faz de tudo para manter Arthur bem e se revolta quando ele propõe casamento a Adriana (Leticia Colin), pois ama secretamente o patrão.
Fernando (Pedro Alves) – Neto de Diná (Rosi Campos). Cresceu numa cidade do interior e chega a São Paulo para estudar Medicina e morar na casa de Pilar (Isabel Teixeira). Diná convenceu Fernando de que, enquanto ele estiver na faculdade de Medicina, viver ali é a melhor opção. Para isso ele arruma emprego na clínica de Rafael (João Vitor Silva) e César (Rainer Cadete) por imposição de Pilar.
Edvaldo (Guilherme Piva) – Secretário particular de Arthur Brandão (Antonio Fagundes). Passa a trabalhar para Pilar (Isabel Teixeira) depois da morte do empresário e é humilhado por ela constantemente.
Matilde/ Tilde (Luana Martau) – Conhecida como Tilde, trabalha na casa de Arthur Brandão (Antonio Fagundes). Tenta ser influenciadora nas redes e mostra os bastidores da vida dos ricos. Também trabalha para Pilar (Isabel Teixeira) depois da morte de Arthur.
Iuri (José Loreto) – Segurança que Pilar (Isabel Teixeira) vai contratar. Vai se tornar cúmplice da patroa nas armações dela. Pilar vai ficar louca por ele, mas não deixará isso transparecer, ao menos no início.
Andréia (Duda Almeida) – Namorada de Rafael (João Vitor Silva). Apaixonada por ele, sonha em casar e ter filhos, mas percebe que essa ideia não faz brilhar os olhos de Rafael. Para ser aceita na família Brandão (Antonio Fagundes), esconde sua real condição de ser uma pessoa da periferia. Ela é ex-mulher de Joel (Ricardo Teodoro).
Núcleo de Pedro
Pedro (Chay Suede) – Filho de Ademir (Dan Stulbach), enteado de Eudora (Mariana Ximenes) e afilhado de Arthur (Antonio Fagundes). Conhece Adriana (Leticia Colin) quando ela perde tudo durante a enchente. Voluntário em um abrigo, é o primeiro a oferecer ajuda à família. Fica impressionado com a força da jovem e se apaixona por ela. É um advogado que se vê lutando contra um sistema judicial implacável. Sua determinação em ajudar Adriana desde o início revela um lado sensível e compassivo. Fica devastado ao saber que ela se casará com seu padrinho Arthur (Antonio Fagundes). Ainda assim, a apoia quando, ela precisa de ajuda jurídica durante o julgamento. Ao longo do tempo, sua relação com Adriana se estreita e eles se apaixonam. Durante a prisão, Adriana se vê obrigada a se afastar de Pedro por condições alheias à sua vontade. Vive em crise com o pai Ademir, também advogado, por não concordar com a forma de o pai trabalhar.
Ademir (Dan Stulbach) – Homem de ética questionável e sem muitos escrúpulos. Pai de Pedro (Chay Suede) e casado com Eudora, conhecida como Dora (Mariana Ximenes). Um dos maiores criminalistas do país e amigo de Arthur Brandão (Antonio Fagundes). Ademir é um sujeito que usa de todos os recursos para ganhar uma causa, ainda que nem todas sejam legais. Nunca aceitou o fato de Pedro não trabalhar em seu escritório e ter escolhido criar um pequeno escritório. O interesse de Pedro por Adriana (Leticia Colin) vai ser mais um motivo de discórdia entre pai e filho.
Eudora/ Dora (Mariana Ximenes) – Esposa de Ademir (Dan Stulbach) e madrasta de Pedro (Chay Suede). Por causa do jeito duro de Ademir, é mais próxima do enteado do que do próprio marido. Está sempre intermediando o conflito entre pai e filho. Vai se aproximar do sobrinho de Ademir, André (Henrique Barreira), quando ele retornar para o Brasil. Herdou uma escola de Dança de Salão de sua família e estava afastada do lugar, até que o professor Patrick (Igor Rickli) a convoca para salvar a escola, ou fechar de vez as portas.
André (Henrique Barreira) – Primo de Pedro (Chay Suede) e sobrinho de Ademir (Dan Stulbach). Estuda no exterior desde menino. Vai se aproximar de Eudora (Mariana Ximenes) quando retornar ao Brasil, se apaixonando por ela.
Cléber (Breno Ferreira) – Advogado. Amigo e sócio de Pedro (Chay Suede). É uma das vítimas do amor obsessivo de Brigitte (Tata Werneck) no início da novela. Tem grande atuação na defesa de Adriana e em apoiá-la na prisão.
Bruna (Nanda Marques) – Noiva de Pedro (Chay Suede) e filha de Carmita (Deborah Evelyn). Fica revoltada ao saber do interesse de Pedro por Adriana (Leticia Colin) e é manipulada pela mãe Carmita (Deborah Evelyn), que sonha em casar a filha com um homem rico.
Carmita (Deborah Evelyn) – Mãe de Bruna (Nanda Marques). Teve um relacionamento com Arthur (Antonio Fagundes) no passado. Insiste para que a filha conquiste um bom partido e é capaz de tudo para isso.
Núcleo da Clínica
César (Rainer Cadete) – Dermatologista respeitado, entra como sócio na clínica de Rafael (João Vitor Silva). Casado com Bia (Maria Ribeiro), morre de ciúmes da esposa. Apaixonado por ela, acredita que nada possa abalar o seu casamento, até que Brigitte (Tata Werneck) entra em sua vida, embora ele não tenha o menor interesse nela.
Bia (Maria Ribeiro) – Jovem artista, especializada em visual merchandising, criação de vitrines de alto luxo. Casada com César (Rainer Cadete), que afirma ser o grande amor de sua vida, é bastante insegura e morre de ciúmes do marido – ainda que ele não dê motivos para isso. Ela gosta de justificar os acontecimentos da vida pelo movimento dos astros.
Luísa (Maya Dias) – Filha do casal Bia (Maria Ribeiro) e César (Rainer Cadete). Ela vai ser uma das primeiras a perceber que Brigitte (Tata Werneck) não é flor que se cheire.
Núcleo do Restaurante Mineiro
Nancy (Jeniffer Nascimento) – Conhece Adriana (Leticia Colin) na prisão, onde se tornam amigas. Tenta reconstruir sua vida, após cinco anos de reclusão, acusada pela morte do ex-marido. Tem o irmão Laurentino (Alan Rocha) como aliado, mas enfrenta o desprezo do filho Camilo (Antonio Caramelo), que não a perdoa por ter matado o pai sem saber o que estava por trás da atitude da mãe.
Laurentino (Alan Rocha) – Irmão de Nancy (Jeniffer Nascimento), batalhador que precisou trancar a faculdade de Administração para trabalhar. Criou a duras penas o sobrinho Camilo (Antonio Caramelo), quando a irmã foi presa. Assim que ela sai da cadeia, vai morar com ele. Tem um restaurante mineiro que faz sucesso na cidade.
Camilo (Antonio Caramelo) – Filho de Nancy (Jeniffer Nascimento), não perdoa a mãe pela morte do pai. Foi criado por Laurentino (Alan Rocha) nos anos em que a mãe ficou na cadeia.
Joel (Ricardo Teodoro) – É o chef do restaurante mineiro de Laurentino (Alan Rocha). Autodidata, tem muito talento na cozinha, sem nunca ter feito cursos. Tudo que sabe aprendeu com receitas de família. É boa gente e otimista. Vai se apaixonar por Adriana (Leticia Colin) quando ela for encontrar Nancy (Jeniffer Nascimento) no restaurante da família.
Miro (Rafa Vachaud) – Funcionário do restaurante mineiro.
Outros personagens
Nicolau (Rodrigo Fagundes) – Garçom do bar que Brigitte (Tata Werneck) gosta de frequentar. Já virou uma espécie de conselheiro dela. Percebeu que Brigitte tem um jeito impulsivo e obsessivo de amar, mas não tem intimidade suficiente para questionar suas atitudes. Por isso, tenta dar conselhos de maneira mais sutil, e vai se tornar um grande amigo dela. É irmão de Lyris (Pri Helena), e fica feliz quando ela sai da cadeia em condicional.
Lyris (Pri Helena) – Conhece Adriana (Leticia Colin) e Nancy (Jeniffer Nascimento) na cadeia e se une a elas quando saem da prisão. Apoiando umas às outras e especialmente a Adriana na sua vingança contra as pessoas que a colocaram atrás das grades. Vai se envolver com Ulisses (Alexandre Borges), que conhece num cassino clandestino que ele frequenta e onde ela trabalha. É irmã de Nicolau (Rodrigo Fagundes) e esconde do irmão que está trabalhando no local, o que é um risco para sua condicional.
Patrick (Igor Rickli) – Professor da escola de dança de Eudora/ Dora (Mariana Ximenes). Quer salvar o lugar e convoca Eudora/ Dora para voltar a cuidar da escola. Com ela, cria uma competição de dança de salão que reergue a escola. Se aproxima e se envolve com Fábia (Flávia Alessandra) ao longo do tempo.
Gilda (Cecília Beraba) – Vendedora da joalheria de Arthur (Antonio Fagundes).
Luan (Bruno de Mello) – Assessor de Ademir (Dan Stulbach).
Suzana (Eloise Yamashita) – Secretária de Ademir (Dan Stulbach).
Sheila (Haonê Thinar) – Secretária de Rafael (João Vitor Silva) na clínica com César (Rainer Cadete).
