Após temporada de sucesso por todo o estado do Rio com a peça “Amor e Outras Revoluções”, Tati Villela, atriz e dramaturga, se prepara para não parar. Isso porque Villela, além de chegar à São Paulo em breve com uma nova temporada do espetáculo, é autora de “Amor de Baile”, que finaliza temporada no dia 30 de junho no Sesc Tijuca, na capital carioca. Em agosto, também estreia dois novos projetos: o longa “De Pai Para Filho” nos cinemas e uma nova peça no Sesc Copacabana, no Rio de Janeiro.
Em “Amor de baile”, peça idealizada por Juliane Cruz com dramaturgia e texto assinados por Tati, o corpo negro no mundo é o tema central. A peça, sucesso de público com sessões esgotadas no tradicional teatro do Sesc Tijuca, no Rio, traz como pano de fundo um momento histórico da cidade: os bailes Soul, que chegaram a reunir até 1,5 milhão de pessoas em plena ditadura militar.
— Pessoas negras e periféricas estavam lá lutando melhores condições de vida e pela dignidade de poder assumir a própria cultura. Como reação às centenas de mortos e torturados pela ditadura, criaram-se muitos grupos de militância negra. A peça dá uma aula de história e de afeto. Por falar de amor a partir de perspectivas negras, o convite veio de encontro ao trabalho que eu desenvolvo. Ele dialoga demais com a minha linguagem artística — observa a autora.
Já em “Amor e Outras Revoluções”, o público acompanha um casal de mulheres negras e suas vivências, incertezas e alegrias em uma relação amorosa. Com texto assinado por Tati, que também atua na peça ao lado de Mariana Nunes, sua companheira na vida real, o espetáculo acaba ultrapassando as diferenças que parte do público pode experimentar por não viver a mesma realidade que as protagonistas.
— Crescemos vendo o amor sendo representado por corpos brancos. Nesse trabalho acontece o inverso, e não deixa de despertar o mesmo sentimento. Acaba que, mesmo que falemos de um amor homoafetivo entre duas mulheres negras com vivências específicas, a mensagem reverbera em outras camadas e traz identificações. É emocionante quando alguém pergunta se eu coloquei alguma câmera escondida na sua casa! — conta Tati.
No cinema, Tati estará nas telas a partir de 8 de agosto em “De pai para filho”, de Paulo Halm. No filme, a atriz interpreta Ligia, mãe do personagem de Juan Paiva (“Renascer”) e esposa do personagem de Marco Ricca (“Justiça 2”, “Um Lugar Ao Sol”).
— Ela é uma mãe que passa a cuidar do filho sozinha quando seu marido decide sair de casa para ser músico. A Ligia me enriqueceu muito como atriz, porque eu a interpreto em fases diferentes da vida. Faço ela quando jovem, adulta e, mais tarde, no hospital quando está enfrentando um câncer. Foi encantador e desafiador passar pela caracterização da personagem, de alegre e jovial à debilitada e com os cabelos cortados — diz Tati.
Essa não é a primeira passagem de Tati pelo cinema. Em maio deste ano, a atriz pôde ver “Mundo novo”, filme pelo qual recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival do Rio em 2021, nas telas do país. Depois de 3 anos, o longa percorreu salas de Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro.
— Foi o primeiro longa-metragem que participei. É um filme necessário, que traz a história de um casal interracial. Eu interpreto a advogada Conceição, que namora o artista Presto, e os dois decidem comprar um apartamento Leblon. Essa situação acarreta diversas situações e emoções — conta.
Agosto continuará agitado com a estreia da peça “SAL” no Sesc Copacabana. O espetáculo tem idealização de Adassa Martins, que também divide o palco com Tati e as atrizes Miwa Yanagizawa e Laura Samy.
— Somos quatro mulheres em cena, investigando as histórias dos salineiros e das salinas de Cabo Frio, cidade natal da idealizadora. A peça retrata afetos reprimidos, relações familiares e o mundo do trabalho. As pessoas precisam conhecer histórias que não foram contadas. O teatro tem o objetivo de gerar reflexão na sociedade, então fico feliz de estar em projetos que tem algo a dizer sobre aspectos importantes da vida.
Villela enxerga sua carreira como uma ferramenta para contar narrativas de amores periféricos, seja essa periferia espacial, corporal, cultural ou afetiva — por vezes, todos os tipos ao mesmo tempo. A atriz, autora e dramaturga busca levar o protagonismo às vivências negras que nunca deveriam ter seus destaques limitados, para começo de conversa.
— Nos meus trabalhos, tenho o objetivo de contar nossas melhores histórias. Não falo somente sobre a guerra que vivemos contra o estado ou contra o racismo. Eu retrato caminhos que são vividos mesmo em um ambiente não propício para nossos corpos. Como sobreviver? Amando! — acredita.
Perfil oficial Tati Villela: https://www.instagram.com/tativillelaa/