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Cinema

Netflix investirá no desenvolvimento de 40 novas ideias nacionais para 2022

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Série Maldivas (Foto: Divulgação)

Reforçando o compromisso em colocar “Mais Brasil Na Tela”, a Netflix investirá no desenvolvimento de 40 novas ideias para 2022, fomentando a produção de mais histórias brasileiras no audiovisual para audiências ao redor do Brasil. O anúncio foi feito em evento homônimo realizado nesta terça-feira, dia 23 de novembro, com a participação de mais de 25 atores, criadores, executivos da Netflix e agentes do setor, que debateram desafios e oportunidades para uma indústria local mais robusta e plural. O encontro marca os cinco anos da Netflix produzindo conteúdo local original e  levando histórias brasileiras para o mundo todo.

“Estamos dobrando nossos esforços no Brasil com um time local com os melhores executivos de criação, produção e pós-produção do mercado para apoiar o extraordinário ecossistema audiovisual brasileiro com o propósito de trazer mais histórias brasileiras para suas telas. Queremos oferecer uma plataforma para histórias contadas por diversos talentos, tanto atrás como na frente das câmeras”, disse Francisco Ramos, Vice-Presidente de Conteúdo da Netflix para a América Latina.

Novas vozes e perspectivas sobre o Brasil foram temas levantados em declarações de executivos  do setor, que abordaram as oportunidades trazidas pelo momento de maior crescimento e demanda por conteúdo brasileiro no setor audiovisual. Rodrigo Antonio (APAN), Mauro Garcia (BRAVI), Leonardo Edde (SICAV), Belise Mofeoli (escritora e roteirista), Paulo Rogério Nunes (AFRO.TV) e Ana Luiza Azevedo (Casa de Cinema de Porto Alegre) refletiram sobre a necessidade da desregionalização na criação e produção de histórias, o papel do streaming para fomentar novos gêneros e formatos e a importância da representatividade para refletir o país em sua totalidade.

Já Elisabetta Zenatti, Vice-Presidente de Conteúdo da Netflix para o Brasil, declarou: “Os últimos 20 meses foram desafiadores. O empenho e o talento dos nossos parceiros no Brasil foi fundamental para retomarmos a produção de conteúdo com segurança e sucesso. Tivemos lançamentos de conteúdo original mensalmente, trazendo ‘Mais Brasil na Tela’. Nosso objetivo é ter cada vez mais variedade de histórias brasileiras em diferentes gêneros e formatos. Aprendemos sobre o desejo dos nossos consumidores desde que começamos a produzir aqui e consolidamos nosso conteúdo para ter mais histórias da gente, pra gente”.

Filmes 

Durante o evento, Zenatti conversou com Adrien Muselet, diretor de conteúdo e aquisição da Netflix para o Brasil. O executivo comentou: “A relação da Netflix com o cinema brasileiro é recente – o primeiro filme original, ‘O Matador’, é de 2017. Desde então, estamos construindo uma oferta ampla e diversa de filmes brasileiros. Hoje, são mais de 150, entre originais e licenciados. Uma grata surpresa que tivemos nesse processo foi descobrir a audiência do conteúdo brasileiro fora do Brasil – filmes como ‘Modo Avião’, ‘7 Prisioneiros’ e ‘Tudo Bem no Natal que Vem’ funcionaram muito bem no exterior. Nos próximos anos, o que tentaremos fazer é ir para outros gêneros que não exploramos ainda, experimentando mais em gêneros onde talvez o cinema brasileiro não tenha tanta tradição”.

Muselet revelou que, neste momento, a plataforma está filmando três filmes originais: “Depois do Universo”, um drama jovem produzido pela Camisa Listrada; “Um Natal Cheio de Graça”, segundo filme de Natal nacional original Netflix; e “Carga Máxima”, o primeiro filme de ação brasileiro da plataforma. O longa contará com o ator Thiago Martins no elenco, interpretando o personagem Roger. Na trama, Thiago Martins é Roger, um piloto de corrida de caminhão que começa a dirigir para uma quadrilha de roubo de cargas a fim de manter sua equipe. Uma vez dentro do crime, ele terá de lutar muito para sair. O elenco conta ainda com Sheron Menezes como Rainha, também piloto profissional, além de Raphael Logam, Milhem Cortaz, Evandro Mesquita e Paulinho Vilhena, entre outros. A produção é da Gullane e da TC Filmes com direção de Tomás Portella.

“Nossa grande virada estratégica foi começar a investir massivamente em desenvolvimento, com a finalidade de levantar a barra de qualidade dos projetos que vamos realizar. Estamos levando mais tempo e aumentando os investimentos financeiros para podermos fazer mais versões de argumento e roteiro, testando os efeitos em gêneros que temos menos experiência antes de filma-los e procurando os melhores talentos para cada projeto”, contou o executivo. Nesse sentido, ele citou “Biônicos”, filme que combina ficção científica e ação em uma produção da Paris Entretenimento. “Conhecemos o projeto há três anos e passamos esse tempo todo trabalhando na melhor versão dessa história. É um novo gênero que chega com muitas ambições”, disse Muselet. “Biônicos” é dirigido por Afonso Poyart e tem roteiros de Josefina Trotta.

Séries de Ficção 

Haná Vaisman, diretora de conteúdo de séries de ficção, participou do evento falando sobre as novas temporadas de “Cidade Invisível”, “Irmandade” e “Bom Dia, Verônica”, já confirmadas anteriormente, e anunciando em primeira mão a terceira temporada de “Sintonia” – “é uma das produções mais populares no Brasil. Tem muita autenticidade e personagens relacionáveis. É uma trama que fala sobre a ambição de crescer e encontrar seu espaço, e isso conversa diretamente com os brasileiros”, disse Vaisman. A terceira temporada de “Sintonia” é uma produção da Gullane para a Netflix.

A executiva também apresentou a próxima minissérie: “Todo dia a mesma noite”, inspirada no livro homônimo de Daniela Arbex que conta a história do incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria (RS), em 2013. “Estamos trabalhando para uma versão de ficção desse episódio. Produções assim contribuem para que vejamos nossos problemas e possamos construir nossas histórias para novas gerações”, pontuou. A série vai revelar os bastidores de uma das histórias mais dramáticas do país, desde a omissão de autoridades públicas até a tomada de decisões equivocadas que resultaram na tragédia. Vai abordar também o impacto na vida das famílias destroçadas pela perda de seus filhos e refazer o tortuoso caminho na busca por justiça no Brasil. Produzido pela Morena Filmes, a trama é escrita por Gustavo Lipsztein e dirigida por Julia Rezende.

Leandro Hassum, Whindersson Nunes e Rodrigo Sant’Anna também anunciaram, em primeira mão, novos projetos de comédia durante o evento – entre eles, a primeira sitcom brasileira, “A Sogra que te Pariu”, com Sant’Anna.

“O desafio pra mim é sempre ser verdadeiro, humano e sincero – é ser simples. Às vezes a gente fica buscando ‘firulas’ para uma história, sendo que o principal é ser verdadeiro. Eu acho que essa potência da Netflix de falar com muitos países faz com que cada vez mais eu olhe pra dentro. Eu sei que nossas histórias são tão lindas e potentes, que temos que mostrar para o mundo. Essa individualidade é que torna a gente plural e esse é meu grande desafio aqui na Netflix”, declarou o ator, roteirista e produtor Rodrigo Sant’Anna.

Laboratórios de desenvolvimento 

Além dos novos anúncios, Zenatti falou sobre o caminho que a Netflix precisará percorrer para atender à demanda por uma variedade cada vez maior de histórias brasileiras. O primeiro passo será o foco no desenvolvimento, um estágio anterior à produção, que permite que os criadores desenvolvam ainda mais suas histórias antes da decisão do ‘sinal verde’. Em 2022, a Netflix desenvolverá 40 novas ideias, entre filmes, séries, realities e documentários. O segundo passo é o investimento na próxima geração de criadores, por meio de programas como o Colaboratório Criativo, uma colaboração entre a AFAR Ventures e a WIP, com financiamento da Netflix.

A roteirista Marina Luísa Silva comentou sobre sua experiência no desenvolvimento de sua ideia original no segundo ano do laboratório: “Foi muito enriquecedor tudo que aprendemos, desde as aulas, as mentorias, as masterclasses, tudo foi realmente preparando a gente para estar no mercado de forma competitiva e sabendo exatamente o que estão buscando e principalmente como podemos atrelar a nossa vontade de contar histórias originais ao que a audiência vem buscando e querendo assistir. Torço muito para que outras pessoas tenham essa oportunidade de acreditar nos seus sonhos e de se ver como profissionais que o mercado precisa ouvir”.

Reality show e não-ficção

Elisa Chalfon, diretora de Conteúdo de Não-Ficção da Netflix para o Brasil, anunciou as novas temporadas brasileiras dos realities “Casamento às Cegas” e “Brincando com Fogo”, além das estreias de “Iron Chef Brasil”, com apresentação de Fernanda Souza; do formato original “Ideias às Venda”, com apresentação de Eliana; e “Quer Eye Brasil”, já em gravação. Todos estreiam na plataforma em 2022.

“É um grande desafio trabalhar em cima de formatos já conhecidos. Precisamos de grandes parceiros para adapta-los à realidade brasileira. Comprovamos que nossos consumidores se identificam com essas histórias”, afirmou Chalfon. “Além disso, também é um desafio criar formatos originais brasileiros. Importamos muitos formatos de reality show, mas vejo uma evolução enorme nesse sentido. Estamos desenvolvendo novos originais, produtos 100% brasileiros, e trabalhando com parceiros incríveis para trazer esses conteúdos. Teremos um mix entre franquias internacionais produzidas no Brasil e também formatos originais”, completou.

Crianças e Família 

“No Brasil, temos uma imensa variedade de histórias e personagens que já permeiam o coletivo imaginário. O desafio é escolher qual é o personagem, qual é a história que vai fazer uma conexão direta com a nossa audiência. Para além disso, está o desafio de criar novos personagens com trajetórias inéditas”, introduziu Daniela Vieira, gerente de conteúdo para crianças e família da Netflix no Brasil, antes de anunciar “O Menino Maluquinho”, a primeira versão animada da história. “É uma propriedade que vem dos anos 90 com uma força enorme, atravessando gerações. Já foi livro e filme e, agora, será uma série animada”, acrescentou. A produção será da Birdo com a Chatrone.

Outra animação no calendário de estreias é “Acorda, Carlo!”. A obra conta a história de Carlo, um menino brasileiro de sete anos de idade que dormiu por 22 anos e acordou, ainda criança, e encontrou seus amigos adultos, cheios de responsabilidades. “É um menino de espírito livre e irreverente, que tenta recuperar a criança interior que vive em seus amigos. É uma série para as crianças assistirem com a família. Ela vem cheia de cenários maravilhosos e que mostram muito do Brasil”, adiantou Vieira.

A executiva ainda falou que está nos planos da plataforma no Brasil investir em live-action, “para complementar essas histórias e entregas de personagens”. Segundo ela, os conteúdos falarão sobre amor, música, drama familiar, briga entre amigas e esportes, entre outros temas. “Temos que pensar em como conversamos com essa geração que atravessou uma pandemia e recebeu tanta informação. É uma geração mais consciente. Precisamos encontrar autenticidade ao produzir conteúdo pra elas”, concluiu.

Mais sobre as produções originais 

Zenatti explicou que os originais da Netflix não são feitos visando atingir um público internacional: “Quando você produz para o seu país, para a sua audiência, você atinge uma autenticidade única, e o resto do mundo consegue enxergar isso também. Essa é uma estratégia global da Netflix. A conexão com a audiência local é o que vai fazer sua série ser vista no mundo inteiro”. Vaisman complementou: “Produzimos no Brasil primordialmente para os brasileiros, afinal temos aqui um contingente enorme de audiência. É nossa especialidade. O que podemos oferecer de único é criar conteúdo brasileiro para brasileiros. Às vezes, uma série é o ponto de partida para despertar o interesse das pessoas em determinada cultura”.

A VP de Conteúdo da Netflix para o Brasil também comentou sobre a possibilidade da plataforma investir em novelas. “A gente está desenvolvendo vários projetos de novelas, mas entendendo qual vai ser a nossa versão de novela no Brasil. Com certeza não será como a novela clássica brasileira, que dura quase um ano inteiro, é escrita como um livro aberto e sente a reação do público. A nossa será uma obra fechada”, adiantou. Ela ainda falou em duas séries previstas para serem lançadas no ano que vem – “Só se for por amor” e “Olhar Indiscreto” – já têm alguns elementos da novela, como melodrama e romance. “É desse jeito que estamos desenvolvendo os novos títulos, isto é, incluindo elementos de novelas dentro das séries. Não serão novelas clássicas brasileiras, e sim um blend de diferentes formatos. Essa é a beleza: experimentar gêneros que se cruzam. Hoje, a indústria brasileira tem essa oportunidade”, concluiu.

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