Conheça a história e os perfis de todos os personagens da novela “Órfãos da Terra”

Júlia Dalavia (Foto: Thais Caselli)

Diversas culturas, crenças, sonhos, sotaques e uma só nação: o Brasil. Surpreendidos pela paixão e fugindo de uma nação em guerra, Laila (Julia Dalavia) e Jamil (Renato Góes) desembarcam no país para tentar viver o amor que os uniu ainda no Oriente Médio. Ela, uma refugiada síria. Ele, libanês, empregado do poderoso sheik Aziz Abdallah (Herson Capri), que tomou Laila à força, como uma de suas esposas.

No pano de fundo dessa história de amor, o universo de pessoas de diversos lugares do mundo, refugiados de guerras, fugindo de perseguição política ou religiosa, ou ainda deslocados por razões econômicas ou acidentes naturais. ‘Órfãos da Terra’ mostra que essas pessoas vieram, vêm e continuam vindo para o Brasil, um país que tem por tradição o acolhimento e o convívio pacífico entre as diferenças, para recomeçarem suas vidas. E que, apesar das dificuldades, trazem um patrimônio cultural que nos enriquece e constitui. Uma só ancestralidade vivendo sobre a mesma terra.

Escrita por Thelma Guedes e Duca Rachid, com Dora Castellar, Aimar Labaki e Carolina Ziskind e com a colaboração de Cristina Biscaia, ‘Órfãos da Terra’ é uma novela que fala de empatia, amor e união dos povos. A trama tem direção artística de Gustavo Fernández, direção geral de André Câmara e direção de Pedro Peregrino, Alexandre Macedo e Lúcio Tavares.

Uma noite de celebração muda o destino da família Faiek

Fardús significa “paraíso” em árabe. O nome da fictícia cidade do interior da Síria entrega o clima de alegria e paz de seus moradores, apesar do conflito que assola o país. Lá, vive a família de Elias Faiek (Marco Ricca), um competente engenheiro, e Missade (Ana Cecília Costa), cozinheira, dona de um bem-sucedido restaurante na região. Eles são pais de Laila (Julia Dalavia) e Khaléd (Rodrigo Vidal), que está prestes a completar cinco anos, a serem celebrados em uma festança para todos os familiares. Missade conta com a ajuda das mulheres da família para dar os últimos retoques no salão de seu restaurante e preparar os quitutes sírios do banquete.

O aniversário do menino é um sucesso, e todos celebram com alegria, dançando o dabke, uma dança tradicional síria. Até que rebeldes invadem o local, assustando a todos. Fardús é alvejada por bombas aéreas, causando destruição por toda parte, inclusive na casa dos Faiek. Elias, Laila e Missade não são atingidos pelo bombardeio, mas Khaléd fica gravemente ferido na perna. Com a cidade em ruínas e depois de perderem tudo, Laila e sua família atravessam a fronteira da Síria a pé em direção ao Líbano. Eles buscam abrigo em um campo de refugiados, na capital Beirute, para cuidar da saúde de Khaléd.

Centenas de pessoas, como eles, vindas de todas as partes da Síria, vivem em barracas, em situação de contingência. Sem perspectiva de futuro e lamentando o que deixou para trás, a família Faiek passa seus dias juntando os cacos do que restou e se organizando para buscar refúgio no Brasil. A ideia de Elias é usar todo o dinheiro que conseguiu recuperar dos escombros de sua casa para comprar passagens para São Paulo, onde mora Rania (Eliane Giardini), prima de Missade.

O poderoso sheik das arábias

Na mesma Beirute que abriga o campo de refugiados, está localizada a suntuosa mansão de Aziz Abdallah (Herson Capri), um poderoso sheik árabe, radicado no Líbano. Multimilionário e dono de inúmeros negócios, ele vive com suas três mulheres e filhas. Soraia (Letícia Sabatella) é a sua primeira esposa e mãe de Dalila (Alice Wegmann). As outras duas, Fairouz (Yasmin Garcez) e Áida (Darília Oliveira), têm ainda menos importância dentro do harém de Aziz. Além de terem vindo depois, nenhuma delas, assim como Soraia, foi capaz de dar ao sheik um filho homem.

Na falta de um herdeiro varão, Aziz elege Dalila como a filha preferida. Ele a vê como sua sucessora na presidência das empresas. Para isso, a jovem está sendo educada nas melhores escolas de Londres. Machista e obcecado por poder, Aziz percebe nela uma inteligência incomum, além de arrojo, determinação e ambição. Características que o pai está convicto de que ela herdou dele. Justamente por isso, Dalila é o orgulho de Aziz.

Além da família Abdallah, na mansão também vive o séquito de empregados e homens de confiança do sheik. Um deles é Jamil Zariff (Renato Góes). Mais do que um funcionário, Jamil é afilhado de Aziz. O sheik o resgatou, ainda criança, junto de seu primo, Houssein (Bruno Cabrerizo), em um orfanato para lhes dar casa, comida e estudos. Em troca, Aziz exige extrema lealdade e dedicação, em qualquer ocasião e circunstância.

E, justamente para manter-se leal, Houssein Zarif (Bruno Cabrerizo) esconde a paixão que sente por Soraia (Letícia Sabatella). Uma lealdade quase cega também move Fauze (Kaysar Dadour), outro guarda-costas de Aziz, e Youssef Abdallah (Allan Souza Lima), sobrinho do sheik. Louco por Dalila (Alice Wegmann), ele faz de tudo para provar ao tio que merece se casar com sua filha.

Mas é Jamil (Renato Góes) o escolhido para se casar com a filha do sheik. Escolha feita pela própria Dalila, que o deseja em segredo desde de muito jovem. A mão da moça é então oferecida por Aziz ao jovem empregado, como recompensa, após um grande ato de lealdade do rapaz para com seu patrão.

Jamil, no entanto, sonha se casar por amor, com uma jovem de sua escolha.  Ele rechaça o enlace com Dalila, uma moça cujo rosto jamais viu.

O amor desperta em meio ao drama dos refugiados

O campo de refugiados de Beirute funciona como um grande mercado para Aziz Abdallah (Herson Capri). É lá que ele, aproveitando-se do estado miserável em que muitos se encontram, busca pessoas dispostas a trabalhar a troco de muito pouco ou quase nada. No local, também costuma procurar moças “para sua diversão”, em troca de dinheiro. Mas, numa dessas visitas, o sheik se encanta por Laila (Julia Dalavia), que está prestes a viajar para o Brasil junto de sua família, e resolve tomá-la como sua quarta esposa.  Assim, propõe um belo acordo financeiro a Elias (Marco Ricca) em troca da mão de Laila. Mesmo estando numa situação muito difícil, Elias recusa a proposta do sheik.

Jamil (Renato Góes) também está no campo e, por uma artimanha do destino, é surpreendido pela visão de uma bela jovem brincando com algumas crianças. Esta jovem é Laila. Numa troca de olhares, Laila e Jamil se encantam um pelo outro. O encontro é rápido demais para se conhecerem melhor, mas suficiente para acender uma chama em seus corações.

Apesar do interesse por Jamil e da negativa do pai à proposta indecorosa de Aziz, Laila é forçada a tomar uma dolorosa decisão: casar-se com o sheik Aziz Abdallah para salvar seu irmão Kháled. Os ferimentos do menino se agravaram e ele vai morrer, se não for atendido num bom hospital. A família ficou sem dinheiro algum, depois que Elias foi roubado, a mando do próprio Aziz, que fez isso de caso pensado, a fim de tornar os Faiek ainda mais vulneráveis ao seu assédio.

Quando Laila chega à mansão de Aziz para casar-se com o sheik, Soraia (Letícia Sabatella) se compadece da pobre moça, já que viveu a mesma situação no passado. A primeira esposa de Aziz, então, revela para Laila que  foram os capangas de Aziz que assaltaram Elias, deixando a família na miséria. E anuncia a morte de Kháled, ocorrida logo depois de uma cirurgia de emergência.

Sem motivos para seguir adiante no sacrifício de se casar com Aziz, Laila foge da mansão do sheik, com a ajuda de Soraia. Como homens e mulheres não se misturam nas cerimônias de casamento, Aziz só se dá conta dessa fuga ao chegar ao quarto para consumar a união.

Inicia-se então a longa jornada de Laila para escapar da perseguição do sheik. De volta ao campo de refugiados, ela se junta aos seus pais, e a família segue para a Grécia, de onde embarca, num navio turístico, rumo ao Brasil.

Ciente da fuga, Aziz encarrega Jamil de trazê-la de volta. Ao descobrir que a mulher que deve capturar, a esposa de seu patrão, é a mesma moça por quem se apaixonou – Laila –, Jamil decide aceitar a incumbência a fim de protegê-la. Os dois se encontram no navio. E, certos de que serão muito felizes no Brasil, essa terra que abraça e acolhe a todos, o casal faz um trato, e deixa marcado um encontro, dentro de alguns dias, em São Paulo.

A chegada ao Brasil e o Instituto Boas-Vindas

Ao chegar sem renda nem o endereço de Rania (Eliane Giardini), prima de Missade (Ana Cecília Costa), a família Faiek é encaminhada para o Instituto Boas-Vindas, uma instituição que apoia e acolhe pessoas em situação de refúgio e/ou deslocadas.

Administrado pelo Padre Zoran (Angelo Coimbra), o Instituto abriga pessoas de várias etnias e culturas. Entre elas, Marie Patchou (Eli Ferreira), uma jovem congolesa que perdeu tudo em seu país após a guerra civil. Simpática e prestativa, a professora Marie se torna uma das grandes amigas de Laila (Julia Dalavia) no seu lar temporário. O namorado de Marie, Jean Baptiste (Blaise Musipère), do Haiti, fica bastante próximo de Elias (Marco Ricca). Músico nas horas vagas, Jean é mecânico em uma oficina na Vila Mariana, na zona sul de São Paulo. E, ao saber que Elias é engenheiro, consegue um emprego para ele no mesmo local.

No Instituto, Laila e seus pais conhecem também a Dra. Letícia Monteiro (Paula Burlamaqui), que presta assistência médica como voluntária, Rogério Pessoa (Luciano Salles), advogado e braço direito do Padre Zoran (Angelo Coimbra) na administração do local, e o médico sírio, refugiado, Faruq Murad (Eduardo Mossri), que vai lutar para ter seu diploma revalidado, a fim de exercer a medicina no Brasil.

Jamil, por sua vez, assim que desembarca no Brasil, vai direto ao encontro de seu amigo Ali Al Aud (Mohamed Harfouch) e é recebido com muita alegria. Filho de palestinos, Ali mora com a irmã Muna (Lola Fanucci) e o avô Mamede (Flávio Migliaccio). Com eles, toca a casa de chá ‘Aletria’, na Vila Mariana, local muito frequentado pela comunidade árabe de São Paulo.

Na vizinhança, mora uma família de origem judaica, liderada por Bóris Fischer (Osmar Prado), pai de Eva (Betty Gofman) e avô de Sara (Verônica Debom). Por ter tido a casa destruída pelo exército israelense, Mamede tem horror a qualquer aproximação entre as famílias. A tal ponto de não suportar que seu cão Sultão chegue perto da cachorra Salomé, do vizinho judeu.

A relação entre os vizinhos vai ganhar contornos tragicômicos quando Sara (Verônica Debom) se apaixonar por Ali (Mohamed Harfouch). O namoro entre eles acontece ao mesmo tempo em que Ester Blum (Nicette Bruno), a também vizinha das famílias de Bóris e Mamede, tenta arranjar o casamento de Sara com seu filho Abner (Marcelo Médici).

A ouriçada família Nasser

Alegre, falante e muito expansiva, Rania (Eliane Giardini) é síria e casada com Miguel Nasser (Paulo Betti), um comerciante brasileiro, também de origem síria. Os dois têm três filhas: Zuleika (Emanuelle Araújo), Aline (Simone Gutierrez) e Camila (Anaju Dorigon). Aline é a filha mais velha, casada com o nordestino e dono de uma oficina mecânica, Caetano (Glicério do Rosário). Os dois são pais do adolescente Benjamin (Filipe Bragança) e do menino Arturzinho (Rafael Sun). Aline e Caetano têm uma vida feliz, porém, incompleta. O sonho de Aline é ter uma filha, e por isso ela não dá sossego ao marido.

Zuleika (Emanuelle Araújo) é a filha do meio e braço direito do pai nos negócios da família. Juntos, eles tocam a Importadora Nasser. A casa de artigos de decoração, que vende peças importadas do Oriente Médio e do Extremo Oriente, fora construída por seu bisavô, e permanece na família até hoje. Durona e despachada, porém um pouco atrapalhada no campo afetivo, Zuleika conta com o auxílio de sua filha Cibele (Guilhermina Libanio) nos assuntos do coração. A jovem ativista e feminista dá apoio à mãe para sair de casa ao descobrir que ela está sendo traída por seu marido, pai de Cibele.

A mais nova das filhas de Rania e Miguel é também a mais mimada e fútil. Camila (Anaju Dorigon) gosta de boa vida e não esconde isso de ninguém. Ela dita as próprias regras e não aceita “não” como resposta.

Sempre ocupada entre cuidar da casa e de sua família, Rania não deixa de pensar em Missade (Ana Cecília Costa). Está aflita com a situação dos parentes na Síria, pois já faz algumas semanas que não tem notícias deles. Até que, numa ida à oficina de seu genro Caetano, Rania reconhece o marido de sua prima e descobre que, além de Elias, Missade e Laila sobreviveram à guerra e estão vivendo no Brasil e procurando por ela há muitos meses. A mulher de Miguel (Paulo Betti) vai imediatamente ao centro de refugiados com Elias reencontrar sua prima e buscá-la, junto do marido e da filha, para viverem em sua casa.

Um anjo brasileiro no meio do caminho

Bruno (Rodrigo Simas) é um jovem fotógrafo, de perfil humanista, cuja trajetória se cruza com a de Laila (Julia Dalavia). Bem-nascido, o filho de Norberto (Guilherme Fontes) e Teresa (Leona Cavalli) quase atropela a jovem, em uma das principais vias da capital paulistana.

Para ir ao encontro de Jamil, Laila sai do Instituto Boas-Vindas de bicicleta, rumo ao restaurante onde os dois combinaram de se ver. Laila sente uma tontura repentina e cai da bicicleta entre os carros. Desmaiada, é levada por Bruno (Rodrigo Simas) para o hospital.

Apesar do susto, a jovem desperta imediato interesse no fotógrafo, que ouve atento e comovido o relato de sua trajetória. É ela que apresenta a Bruno o Instituto Boas-Vindas. Não tarda para ele se apaixonar por Laila e ficar impactado com as histórias que ouve, o que vai mudar sua vida.

E também a vida de Teresa (Leona Cavalli), sua mãe. Os dois têm uma relação muito próxima e uma visão de mundo que destoa completamente da de Norberto (Guilherme Fontes). Enquanto o empresário obrigou a mulher a largar a carreira artística e se revolta com a falta de ambição do filho, os dois cultivam a solidariedade e empatia em suas relações.

Empatia e solidariedade também não são práticas muito exercidas por Valéria (Bia Arantes). Interesseira e manipuladora, a namorada de Bruno logo percebe que o relacionamento deles estremece com a chegada de Laila.

O desafio de retratar diferentes culturas

Damasco, Beirute, Londres, São Paulo. ‘Órfãos da Terra’ transita por várias capitais mundiais sem sair do país. Esse foi o desafio proposto para as equipes de produção de arte e de cenografia, que reproduziram essas realidades dentro dos Estúdios da Globo ou em locações pelo país.

Além da pesquisa em livros especializados, as áreas contaram com o auxílio de consultores das etnias retratadas na história, que trouxeram uma rica referência sobre objetos típicos dessas culturas. Na casa dos Fischer e da família Blum, o núcleo judaico da trama, a produtora de arte Nininha de Médicis investiu nos principais itens desse povo. “Em geral, no lar dessas famílias temos a Hamsá, uma espécie de escudo contra o mau-olhado, e também a Menorá, um castiçal que representa a luz de Torá. Outros símbolos como a Estrela de Davi também compõem os ambientes”, contou ela.

Segundo a cenógrafa Danielly Ramos, a principal referência para o núcleo sírio-libanês é Dubai, a maior cidade dos Emirados Árabes, com sua riqueza e modernidade. Em São Paulo, o destaque é para a Vila Mariana, bairro conhecido por abrigar diferentes culturas e atrair públicos de diferentes estilos. Construída nos Estúdios da Globo, a cidade cenográfica de seis mil metros quadrados é formada por um centro comercial, com acesso ao metrô e ao trem; a Importadora Nasser, comandada por Miguel (Paulo Betti), que comercializa itens do Oriente Médio; a casa de chá Aletria, de propriedade de Ali (Mohammed Harfouch); além das residências das famílias que ali vivem. O estilo arquitetônico do bairro é eclético, já que cada casa se molda ao estilo de sua cultura.

Outro lar que merece destaque é a residência do poderoso sheik Aziz Abdallah (Herson Capri), que, na história, fica em Beirute. Para representá-lo, foi escolhido o Palácio Quitandinha, um marco arquitetônico de Petrópolis, cidade a 80 quilômetros da capital do estado do Rio de Janeiro. O antigo hotel-cassino construído nos anos 1940, em estilo normando, tem salões grandiosos espalhados por seus 50 mil metros quadrados. “A novela vai apresentar esse universo do sheik de uma forma moderna e minimalista. Muitos tons de dourado, bege e ouro velho compõem a decoração da mansão de Aziz, além de flores em tons discretos como branco e verde”, afirma Nininha de Médicis.

Após uma breve temporada em Petrópolis, a equipe da novela aterrissou com cerca de 100 figurantes em São Paulo, cidade que ambienta a história. No topo do edifício Martinelli, construção icônica dos anos 1920, foram feitas as cenas do aguardado reencontro do casal protagonista, Jamil (Renato Góes) e Laila (Julia Dalavia), no Brasil. Outras sequências foram produzidas em regiões como o Centro, Vila Mariana, Avenida Paulista, Parque do Ibirapuera e no bairro da Liberdade, onde uma mesquita foi usada como locação. A equipe da novela ainda gravou as cenas que marcam a travessia feita pela família Faiek, em Arraial do Cabo, na região litorânea do Rio de Janeiro, e a bordo de um transatlântico, no percurso entre o Rio e São Paulo.

Para as cenas do campo de refugiados, para onde Laila e sua família fogem depois do bombardeio, a equipe de cenografia e produção de arte de ‘Órfãos da Terra’ construiu um campo cenográfico em uma área de 15 mil metros quadrados, no bairro de Santa Cruz, zona oeste do Rio de Janeiro. As gravações duraram uma semana e envolveram mais de 300 figurantes, sendo 30 de origem árabe. A novela selou um acordo de parceria técnica com o ACNUR – Agência da ONU para Refugiados, que contou com a colaboração de uma arquiteta da agência para a montagem do campo cenográfico, com a disponibilização de uniformes e tendas reais de operações humanitárias – que foram substituídas pela Globo por novas unidades habitacionais – e com o compartilhamento de informações sobre o contexto de deslocamento forçado e integração sociocultural das pessoas refugiadas.

A parceria inclui ainda uma agenda de colaboração permanente com elenco, as autoras Thelma Guedes e Duca Rachid e o diretor artístico Gustavo Fernández. “Era um cenário que, para funcionar e causar impacto, tinha que ser grande, mas que é apenas uma passagem dos personagens principais, o que não justifica um investimento maior do que o que fizemos. Criamos ele mais realista, mais organizado. Funcionou muito, e o público vai perceber esse resultado na tela”, comentou o diretor Gustavo Fernández.

Cores e texturas atemporais e cosmopolitas

A caracterizadora Gilvete Santos sabia do tamanho de sua missão para compor o conceito visual de personagens de diferentes culturas retratadas na novela, e, por isso, se debruçou em uma extensa pesquisa. “Eu navego na internet todo dia, principalmente por conta do núcleo da Síria, que tem uma paleta de cores bem colorida e marcante, com que eu nunca tinha trabalhado. Vi que o kajal nos olhos, por exemplo, é muito usado”, explica ela.

A caracterizadora destaca o visual da libanesa Dalila (Alice Wegmann) como um dos mais elaborados. Gilvete aposta em um visual clean, porém marcante. “Dalila vem com uma pele linda, muito rímel e um traço roxo no delineador, além de muito blush em tons terrosos ou rosa, e uma boca natural”, define. A tatuagem de Dalila é sua marca registrada e também foi idealizada por Gilvete: “Ela é muito intensa e tem firmeza em tudo o que faz. A inscrição em árabe no seu pulso esquerdo significa “vida e fogo”, o que traduz a personalidade da herdeira do sheik”.

Bruno (Rodrigo Simas) e Valéria (Bia Arantes) também abusam das tatuagens. “O Bruno é um fotógrafo apaixonado pela profissão. Ao pesquisar sobre as tatuagens, descobri mais de 45 tipos de desenhos que retratam na pele essa paixão”. Em Valéria, os triângulos assimétricos no antebraço refletem a modernidade da paulistana. Todas as tatuagens estão sendo produzidas pelo departamento de efeitos especiais dos Estúdios da Globo e são aplicadas com o método de estêncil, de fácil remoção.

Em relação à ala masculina da novela, Gilvete aposta em barba e cabelos mais curtos. A ideia veio do visual dos jogadores de futebol árabes, que será adotado pelos capangas do sheik como Fauze (Kaysar Dadour) e Houssein (Bruno Cabrerizo). “O que mais vi foi libanês com cabelo raspado na lateral, com topetão liso, com cabelo e barba desenhados, que pode ser muito grande, média ou curta”, explica.

O hijab, lenço marcante da cultura árabe, tem protagonismo no conceito definido pela equipe de figurino liderada por Mariana Sued. “Descobrimos que o hijab pode ser fashion e assumir as formas mais variadas. Para nós, ocidentais, o elemento pode parecer incômodo, mas, para elas, é um símbolo cultural e de status”, explica Mariana, que procurou inspiração em filmes e livros. A figurinista aposta também em outro item para virar febre entre as brasileiras: “As batas são lindas, bordadas e com aplicações de pedras. Acho que vai virar moda”.

Entrevista com as autoras Duca Rachid e Thelma Guedes

Paulista, nascida em Mogi das Cruzes, São Paulo, Duca Rachid estreou na TV Globo como colaboradora de Walcyr Carrasco, em ‘O Cravo e a Rosa’ (2000) e ‘A Padroeira’ (2001). Em 2005, assinou a temporada de ‘Sítio do Picapau Amarelo’, ao lado de Julio Fischer e Alessandro Marson. Iniciou a bem-sucedida parceria com Thelma Guedes, em 2006, com a novela das seis, ‘O Profeta’. As duas assinaram juntas, na sequência, as novelas ‘Cama de Gato’ (2008), ‘Cordel Encantado’ (2011) e ‘Joia Rara’ (2013), vencedora do Emmy Internacional de Melhor Telenovela. Em 2016, Duca supervisionou Manuela Dias na minissérie ‘Ligações Perigosas’.

Antes de formar dupla com Duca, a carioca Thelma Guedes lançou seu primeiro livro de contos, ‘Cidadela Ardente’, em 1997, e, ao mesmo tempo, fez a Oficina de Autores da Globo. Foi roteirista do programa ‘Angel Mix’ (1999) e trabalhou como colaboradora na novela ‘Vila Madalena’ (1999), de Walther Negrão, logo após ‘A Turma do Didi’. Em 2002, iniciou uma parceira longa com Walcyr Carrasco, de quem foi colaborada em ‘O Sítio do Picapau Amarelo’, ‘Esperança’ (2002), ‘Chocolate com Pimenta’ (2003) e ‘Alma Gêmea’ (2005).

Como surgiu a inspiração para construir a história de ‘Órfãos da Terra’?

Thelma Guedes – Houve um período em que, a todo momento, chegava uma notícia, uma imagem, uma reportagem nova sobre o conflito no Oriente Médio, e isso nos tocou bastante. Eu sou filha de nordestinos – meus pais vieram para o Sudeste para fugir da seca do Nordeste. Eles também se sentiam como refugiados. Estamos fazendo uma novela amorosa, humana. É um novelão, com vilão, tramas se desenrolando, e, nesse contexto, tem a questão do refúgio.

Duca Rachid – A gente ficou muito sensibilizada com as histórias que vinham não só da Síria, como da África. Também pelo fato de sermos descendentes de imigrantes. Meu avô era libanês. Minha avó veio de Portugal. Minha família é metade árabe, metade portuguesa. Ao pesquisar sobre esse assunto, tivemos contato com histórias de pessoas de vários lugares, ouvimos relatos impactantes, e isso foi nos comovendo muito. A gente foi pensando em como contar essa história do ponto de vista do folhetim, da influência cultural e da história de superação dessas pessoas, que é muito bonita. ‘Órfãos da Terra’ é uma novela com uma grande trama de amor e que se desenrola nesse contexto, que é bem atual.

A novela fala muito das misturas das culturas e dos povos que formam uma única nação, o Brasil. Teremos personagens de diferentes continentes em ‘Órfãos da Terra’. Podem falar um pouco sobre isso?

Thelma Guedes – Eu acredito muito no potencial do nosso país, que é uma terra miscigenada e acolhedora. Muitas culturas somadas formam o povo brasileiro. A nossa intenção em retratá-las é valorizar as nossas origens e reforçar o conceito chave da novela, de que todos nós pertencemos a uma só ancestralidade.

Duca Rachid – A dramaturgia vem para trazer essa mensagem de que não existem fronteiras geográficas que limitem a nossa empatia com o próximo. Além de brasileiros, congoleses, sírios ou libaneses, somos cidadãos desse planeta. Na trama, vamos trazer o que o nosso povo tem de melhor, que é o carinho em acolher, nossa vocação para tirar das adversidades lições de vida e de superação, além, é claro, do nosso reconhecido bom humor.

E qual a mensagem a novela pretende passar?

Thelma Guedes – Desde a nossa primeira novela, a gente sempre buscou o tema da compaixão, a premissa do caminho do meio. ‘Joia Rara’ tinha isso muito forte, ‘Cama de Gato’ e ‘Cordel Encantado’ também. A mensagem principal dessa vez é a empatia, se colocar no lugar do outro e pensar no Brasil como um país grande, rico, receptivo, como sempre foi. O Cristo Redentor está de braços abertos. Todo mundo que vem aqui gosta, porque é um lugar alegre e acolhedor. E, mesmo passando por problemas, somos esse povo feliz e miscigenado.

Duca Rachid – A novela também mostra que o planeta em que a gente vive é esse, não temos outro. Por enquanto, a gente tem que viver aqui e conviver com as diferenças. A metáfora que a gente pode usar é o abraço: abrace o diferente. Não vamos perder a empatia, os valores humanos e empáticos, como a compaixão.

Como está sendo a parceria com o diretor artístico Gustavo Fernández?

Duca Rachid – A nossa parceria com o Gustavo é histórica e muito feliz. Teve início em ‘Cama de Gato’ e, mais recentemente, em ‘Cordel Encantado’. Seu trabalho é minucioso e muito competente, o que colabora muito para o resultado final do produto.

Thelma Guedes – Nós escrevemos a obra, mas ficamos sempre atentas às cenas que vão ao ar. Várias vezes, tanto em ‘Cama de Gato’, quanto em ‘Cordel Encantado’, nós nos surpreendíamos positivamente com algumas cenas, que, após finalizadas, descobríamos que haviam sido dirigidas por ele. Ficamos muito seguras e satisfeitas de entregar essa novela aos cuidados do olhar sensível e coerente do Gustavo.

Entrevista com o diretor artístico Gustavo Fernández

‘Órfãos da Terra’ marca a primeira direção artística do gaúcho Gustavo Fernández na TV Globo. Ele estreou na emissora, em 1999, na minissérie ‘Os Maias’, como assistente de direção. Em 2004, na mesma função integra a equipe da novela ‘Um só Coração’. No mesmo ano, passou a integrar o time de diretores de ‘Começar de Novo’. Em seguida, dirigiu ‘Belíssima’ (2005), ‘Pé na Jaca’ (2006), ‘Duas Caras’ (2007), ‘A Favorita’ (2008), ‘Cama de Gato’ (2009), ‘A Cura’ (2010), ‘Cordel Encantado’ (2011), ‘Avenida Brasil’ (2012) e ‘Velho Chico’ (2016). Como diretor-geral, assinou a minissérie ‘O Brado Retumbante’ (2012), as novelas ‘Além do Horizonte’ (2013) e ‘Boogie Oogie’ (2014) e a série ‘Os Dias Eram Assim’ (2017).

Do ponto de vista da direção, como você define ‘Órfãos da Terra’?

É uma novela romântica e com muita ação dentro da trama. As histórias acontecem muito rápido, com ganchos e viradas o tempo todo. As tramas parecem que se resolvem, mas tomam outro caminho. E acredito que é aí que o público vai se surpreender com a novela.

Que estética conceitua ‘Órfãos da Terra?

No que diz respeito à imagem que vai para a tela, pude contar com a parceria do Alexandre Fructuoso, diretor de fotografia. Nós definimos uma linguagem muito própria para os primeiros momentos marcantes da trama. No campo de refugiados, optamos por uma imagem mais sépia e dramática. Já no núcleo de Aziz, o tom predominante é o branco e verde oliva, deixando o ar mais sóbrio, com muita influência mediterrânea. Já quando o núcleo protagonista desembarca no Brasil, a novela ganha mais cor com uma paleta plural e diversificada, retratando esse país que acolhe as diferentes culturas.

Como é dirigir uma novela com tantas culturas diferentes?

É um desafio em vários aspectos. O principal é dar credibilidade a esses núcleos, que precisam realmente representar cada uma das culturas. A gente “fez” a Síria, o Líbano, a Grécia e Londres… tudo no Brasil. Eu gosto de pensar nisso. É estimulante. O fato de a gente não ter viajado para esses países, de não ter ido para esses lugares, talvez tenha tornado a novela ainda mais realista. Se a gente tivesse viajado, talvez optaríamos por lugares turísticos, lugares mais facilmente identificáveis. Aqui, a gente pode se concentrar na essência e procuramos locações que traduzissem essa essência. Era o maior desafio. E o que me deixou mais feliz foi a reação do Kaysar Dadour, ex-participante do ‘BBB 18’ e refugiado sírio, no campo de refugiados cenográfico e em várias locações. Ele chegava e dizia “caramba, mas está muito igual”. Teve uma vez em que estávamos fazendo uma cena dele fumando narguilé com os amigos. Ao ver um figurante caracterizado de árabe, ele já chegou falando com ele em árabe. O maior desafio virou a coisa que mais está nos dando prazer e nos emocionando.

Como contar uma história de amor, tendo como pano de fundo a questão do refúgio?

Uma das coisas que eu mais acho bacana na novela é a forma como ela é escrita. Ela é um folhetim clássico, com todos os recursos que conhecemos, mas acho que tem uma releitura adaptada para a cultura desses personagens. Os gatilhos que detonam um folhetim aqui são detonados em função desses personagens. Além do fato deste amor acontecer num campo de refugiados, um lugar improvável. Mas quando pesquisamos, descobrimos muitos casos de pessoas que se encontram, se casam e se relacionam em situações similares às de Laila (Julia Dalavia) e Jamil (Renato Góes). Também temos a preocupação de não reforçar estereótipos. A maneira como o tema vem sendo tratado é muito consistente. Para nos aproximarmos dessa realidade, teremos, por exemplo, refugiados reais em cena, tanto na figuração quanto no elenco, como é o caso de Kaysar Dadour e também o Blaise Musipère, ator congolês que faz um haitiano.

O que mais atraiu você nesse projeto?

É muito bom fazer um projeto que é dramaturgicamente consistente, e ainda se propõe a levar uma mensagem para as pessoas de compreensão, de fraternidade, de respeito ao que nos é diferente, que nos é desconhecido. É um tema muito contemporâneo, não só no Brasil, mas no mundo.

Como o humor está presente nessa novela?

O humor está presente na novela como um todo. Há alguns núcleos onde isso será mais marcado como, por exemplo, o núcleo da Vila Mariana, onde as famílias de judeus e palestinos são vizinhas, e a relação entre eles vai ser apresentada com um misto de animosidade e leveza. Mas, em algum momento, eles vão se aproximar, para dar essa ideia de fraternidade e transmitir uma das mensagens centrais da novela, de que todos somos filhos da terra e temos uma só ancestralidade.

Como está sendo a parceria com as autoras Thelma Guedes e Duca Rachid?

Nossa relação tem sido de muito trabalho, mas muito prazerosa artisticamente. Thelma e Duca são autoras muito sensíveis e interessantes. Desde o início conversamos muito sobre tudo o que diz respeito ao produto e isso gerou uma relação de muita confiança, bem bonita. Acredito muito no que estamos realizando como uma equipe.

Perfil de Personagens

Casal protagonista

Laila Faiek (Julia Dalavia) – Decidida e com muita personalidade, a jovem síria vê a vida ruir quando sua casa é destruída em um bombardeio. No campo de refugiados, no Líbano, se apaixona à primeira vista por Jamil (Renato Góes). O sentimento é recíproco, mas eles enfrentam obstáculos para viver esse amor. O maior deles é o sheik Aziz Abdallah (Herson Capri), que nutre por ela uma verdadeira obsessão.

Jamil Zarif (Renato Góes) – O libanês é leal, determinado e foi adotado na infância, junto com o primo Houssein (Bruno Cabrerizo), por Aziz Abdallah (Herson Capri). É o homem de confiança do sheik a ponto de ser prometido em casamento a Dalila (Alice Wegmann), filha dele. Quando Laila (Julia Dalavia) foge de Aziz, Jamil recebe do patrão a missão de levá-la de volta, e vai buscá-la sem imaginar que ela é a mulher por quem se apaixonou.

Família Abdallah– Núcleo Beirute

Aziz Abdallah (Herson Capri) – O poderoso sheik não aceita ser contrariado. É casado com três mulheres, mas só tem amor pela filha Dalila (Alice Wegmann), do relacionamento com Soraia (Letícia Sabatella). Volta toda sua ira para Laila (Julia Dalavia), após a fuga dela na noite de núpcias, e, em seguida, para Jamil (Renato Góes), por não perdoar a traição do mais leal de seus homens.

Dalila Abdallah (Alice Wegmann) – Arrogante e mimada, a filha de Aziz Abdallah (Herson Capri) e Soraia (Letícia Sabatella) estuda em Londres e, por isso, é uma jovem à frente do seu tempo para os padrões locais, mas conservadora, quando lhe interessa. É apaixonada por Jamil Zarif (Renato Góes). Ao descobrir o romance entre ele e Laila, fará de tudo para se vingar do casal.

Soraia Abdallah (Letícia Sabatella) – Submissa e conformada, a primeira esposa de Aziz (Herson Capri) e mãe de Dalila (Alice Wegmann) nutre uma paixão platônica por Houssein (Bruno Cabrerizo). Num lampejo de insubordinação, por sonhar com um destino diferente do seu para Laila (Julia Dalavia), ajuda a jovem a fugir do sheik antes do casamento deles ser consumado.

Fairouz (Yasmin Garcez) – A segunda esposa de Aziz (Herson Capri) mantém uma relação maternal com Soraia (Letícia Sabatella), a quem tenta proteger do sheik.

Áida (Darília Oliveira) – A terceira e mais jovem esposa de Aziz (Herson Capri) é falsa e ambiciosa. Ela não mede esforços para conseguir o posto de primeira esposa do sheik.

Houssein Zarif (Bruno Cabrerizo) – Primo de Jamil (Renato Góes), foi adotado com ele por Aziz (Herson Capri). É um dos capangas do sheik, mas em seu íntimo carrega uma paixão secreta por Soraia (Letícia Sabatella).

Jamil (Renato Góes) – Mantém uma relação fraterna e de extrema confiança com o primo Houssein (Bruno Cabrerizo), fundamental quando ele descumpre as ordens de Aziz (Herson Capri) para buscar sua felicidade com Laila (Julia Dalavia) no Brasil.

Youssef Abdallah (Allan Souza Lima) – É o sobrinho que Aziz (Herson Capri) envia para o Brasil, quando descobre que Jamil (Renato Góes) e Laila (Julia Dalavia) estão tendo um romance. Apaixonado por Dalila (Alice Wegmann), ele faz de tudo para provar ao sheik que merece se casar com sua filha.

Fauze (Kaysar Dadour) – Extremamente leal ao patrão Aziz Abdallah (Herson Capri), Fauze é um dos capangas que vem com o sheik ao Brasil capturar Laila e Jamil.

Paul Abbás (Carmo Dalla Vecchia) – Paul conheceu Dalila (Alice Wegmann) na faculdade, em Londres, e atende seu chamado para ajudá-la na vingança contra Jamil (Renato Góes) e Laila (Julia Dalavia). Mas, no Brasil, declara seu amor por ela.

Núcleo Faiek – Síria/São Paulo

Elias Faiek (Marco Ricca) – Casado com Missade (Ana Cecília Costa), pai de Laila (Julia Dalavia) e de Kháled (Rodrigo Vidal), o engenheiro sírio perde a casa num bombardeio. Saído dos escombros com a família e o filho caçula ferido, foge para o Líbano. No campo de refugiados, eles iniciam uma jornada até o Brasil, onde tentam uma nova vida.

Missade Faiek (Ana Cecília Costa) – A mãe de Laila (Julia Dalavia) e Kháled (Rodrigo Vidal) é uma mulher devotada à família que formou com Elias (Marco Ricca). Cozinheira de mão cheia, vê seu pequeno restaurante na Síria ser destruído pela guerra. Entre os parentes, é quem mais sofre com saudade da terra natal.

Kháled (Rodrigo Vidal) – Filho de Elias (Marco Ricca) e Missade (Ana Cecília Costa) e irmão mais novo de Laila (Julia Dalavia). Por conta do seu aniversário de cinco anos, toda a família se reúne em uma grande festa no Líbano, que termina tragicamente.

Laila (Julia Dalavia) – Filha mais velha de Elias (Marco Ricca) e Missade (Ana Cecília Costa) é uma jovem amorosa e determinada.

Helena Torquato (Carol Castro) – Viúva de Rodrigo Torquato (Rafael Sieg), amigo brasileiro de Elias Faiek (Marco Ricca), morto na guerra da Síria. Quando ele entrega o presente que Rodrigo comprou para ela antes de morrer, nasce uma química. Ela se aproxima de Elias, que foge a todo custo desse romance proibido.

Família Monte Castelli – São Paulo

Bruno Monte Castelli (Rodrigo Simas) – O filho de Norberto (Guilherme Fontes) e Teresa (Leona Cavalli) é idealista, solidário, escolhe ser fotojornalista para retratar injustiças sociais. Tem uma relação morna com Valéria (Bia Arantes) e se encanta imediatamente por Laila (Julia Dalavia). Nascido em uma família rica, abandona uma vida confortável para realizar seu sonho profissional. No Instituto Boas-Vindas, monta uma exposição com fotos dos refugiados.

Norberto Monte Castelli (Guilherme Fontes) – Casado com Teresa (Leona Cavalli), o pai de Bruno (Rodrigo Simas) é um empresário do ramo imobiliário, ambicioso e autoritário, que não mantém uma boa relação com o filho. Sustenta a ambiciosa Valéria (Bia Arantes), namorada do jovem, com o intuito de controlar todos os passos do filho.

Teresa Monte Castelli (Leona Cavalli) – Ex-cantora de sucesso, a mãe de Bruno (Rodrigo Simas) abandonou a carreira artística para se casar com Norberto (Guilherme Fontes) e sofre por isso.

Valéria Augustin (Bia Arantes) – A namorada interesseira de Bruno (Rodrigo Simas) perde seu trono quando ele se apaixona por Laila (Julia Dalavia). Com o passar do tempo, se decepciona com a falta de ambição de Bruno.

Núcleo da família Nasser – Vila Mariana

Rania Anssarah Nasser (Eliane Giardini) – Apaixonada por Miguel (Paulo Betti), a prima de Missade (Ana Cecília Costa) deixou a família síria para se casar com ele. No Brasil, os dois tiveram Aline (Simone Gutierrez), Zuleika (Emanuelle Araújo) e Camila (Anaju Dorigon). Rania faz questão de abrigar em sua casa a família Faiek, refugiada da guerra.

Miguel Nasser (Paulo Betti) – Brasileiro nato, o marido de Rania (Eliane Giardini) é dono da Importadora Nasser, que herdou do avô. Tem um bom coração, mas seu vício por jogos vai trazer sérios problemas para sua família.

Aline Nasser Batista (Simone Gutierrez) – Casada com Caetano (Glicério do Rosário), é mãe de Benjamin (Filipe Bragança) e Arturzinho (Thales Miranda / Rafael Sun). A felicidade do casal só não está completa porque Aline está obcecada pela ideia de ser mãe de uma menina.

Caetano Batista (Glicério do Rosário) – Nordestino, pai de Benjamin (Filipe Bragança) e Arturzinho (Thales Miranda / Rafael Sun), tem uma oficina mecânica e emprega Elias (Marco Ricca), recém-chegado da Síria. Ri das manias dos parentes árabes e, por amor a Aline (Simone Gutierrez), encampa o projeto dela de tentar ter outro filho.

Zuleika Nasser (Emanuelle Araújo) – A filha do meio de Rania (Eliane Giardini) teve Cibele (Guilhermina Libanio) e casou-se muito jovem. Quando o relacionamento termina, ela volta a morar com os pais, levando a filha. Através de um aplicativo, marca um encontro às escuras e, ao chegar, descobre que seu pretendente é o delegado Almeidinha (Danton Mello). Apaixonada por ele, mas traumatizada pelo fim do primeiro casamento, ela foge de toda e qualquer tentativa dele de oficializar a relação.

Camila Nasser (Anaju Dorigon) – A filha caçula de Rania (Eliane Giardini) e Miguel (Paulo Betti) é fútil e interesseira. Logo na chegada dos parentes refugiados, é hostil com Laila (Julia Dalavia) e não tem dilema ético algum em trair a confiança e pôr em risco a vida da própria família.

Benjamin Nasser Batista (Filipe Bragança) – O filho mais velho de Aline (Simone Gutierrez) e Caetano (Glicério do Rosário) nutre uma paixão platônica por Laila (Julia Dalavia). Fera na informática, dá aulas para os refugiados do Instituto Boas-Vindas.

Artur Nasser Batista, o Arturzinho (Thales Miranda / Rafael Sun) – O caçula de Aline (Simone Gutierrez) e Caetano (Glicério do Rosário) é uma criança alegre e travessa.

Cibele Nasser (Guilhermina Libanio) – Empoderada, feminista, ativista, a filha de Zuleika (Emanuelle Araújo) e neta de Rania (Eliane Giardini), por sua visão de mundo, entra em choque constante com a “tia” Camila (Anaju Dorigon).

Santinha (Cristiane Amorim) – Atrapalhada e fofoqueira, a arrumadeira da casa de Rania (Eliane Giardini) acredita estar fazendo tudo certo, mas sempre acaba metendo os pés pelas mãos e leva bronca da patroa, que no fim releva, já que sabe que Santinha tem um grande coração.

Antonio Carlos Almeida, o Almeidinha (Danton Mello) – Por meio de um aplicativo de encontros, o delegado conhece e começa a namorar Zuleika (Emanuelle Araújo). Ele quer casar, mas ela resiste à ideia. O policial também vai ajudar Laila (Julia Dalavia) e Jamil (Renato Góes) a combater Aziz (Herson Capri) e Dalila (Alice Wegmann).

Tomás (Leandro Firmino) – Policial, melhor amigo e confidente de Almeidinha, é quem vai servir de ombro amigo quando Zuleika (Emanuelle Araújo) recusar o pedido de casamento do amigo.

Família Aud –  Vila Mariana

Ali Al Aud (Mouhamed Harfouch) – O dono da casa de chá “Aletria”, localizada na Vila Mariana, é um homem alegre, de bom coração. Ele e a irmã Muna (Lola Fanucci) nasceram no Brasil, depois que sua mãe e avô Mamede (Flávio Migliaccio), ambos palestinos, foram morar em São Paulo, fugidos de um ataque do exército israelense que destruiu a casa deles em Gaza. Se apaixona por Sara (Verônica Debom), judia que se muda com a família para a mesma rua onde ele mora.

Mamede Al Aud (Flávio Migliaccio) – Imigrante palestino, não simpatiza com seu vizinho israelense Bóris (Osmar Prado). Ambos travam uma cômica rivalidade, já conhecida por todos na Vila Mariana. Mamede fica ainda mais contrariado quando descobre que seu neto está apaixonado por Sara (Verônica Debom), neta de Bóris. Para que Ali (Mohamed Harfouch) esqueça de vez a neta de seu rival, Mamede traz de sua terra a jovem Latifa (Luana Martau).

Muna Al Aud (Lola Fanucchi) – A irmã de Ali (Mohammed Harfouch) é professora de dança do ventre e ajuda a família como garçonete no restaurante “Aletria”.

Latifa (Luana Martau) – A jovem palestina é trazida por Mamede (Flávio Migliaccio) para se casar com Ali (Mohammed Harfouch) e afastá-lo de Sara (Verônica Debom).

Família Roth Fischer – Vila Mariana

Sara Roth Fischer (Verônica Debom) – Brasileira de origem judaica, se interessa pela cultura árabe, especialmente pela dança do ventre. Por conta da rixa entre seu  avô  Bóris (Osmar Prado) e o vizinho Mamede (Flávio Migliaccio), adota uma nova identidade para namorar Ali (Mohamed Harfouch). A moça vive às turras com Abner Blum (Marcelo Médici), pretendente arranjado por sua família.

Bóris Fischer (Osmar Prado) – Judeu, é avô de Sara (Verônica Debom) e pai de Eva (Betty Gofman). Bóris faz questão que sua neta se relacione apenas com outros judeus, por isso não aceita o namoro de Sara com Ali (Mohamed Harfouch). Não suporta sequer a ideia de ver sua cadela Salomé se aproximar de Sultão, o cão de Mamede (Flávio Migliaccio), seu vizinho palestino, com quem mantém uma cômica rivalidade.

Eva Roth Fischer (Betty Gofman) – Mãe de Sara (Verônica Debom) e de Davi (Vitor Thiré), que foi lutar no exército israelense, apoia o namoro da filha com Ali (Mohamed Harfouch), apesar de não concordar com a falsa identidade criada por ela.

Davi Roth Fischer (Vitor Thiré) – Por influência do avô, contra a vontade da mãe, Eva (Betty Gofman), e da irmã, Sara (Verônica Debom), se alista no exército israelense e luta na Faixa de Gaza.

Família Blum – Núcleo Vila Mariana

Abner Blum (Marcelo Médici) – Produtor, assistente, faz-tudo e melhor amigo de Bruno (Rodrigo Simas). Ainda não se encontrou na vida para desespero de sua mãe, Ester Blum (Nicette Bruno). Típica mãe judia, ela enlouquece o filho único na tentativa de lhe arranjar um bom casamento e sonha vê-lo casado com Sara (Verônica Debom). Mas a implicância inicial de Abner com a jovem dá lugar a uma paixão.

Ester Blum (Nicette Bruno) – A mãe de Abner (Marcelo Médici) é extremamente controladora e passional, e se une a Bóris (Osmar Prado) para casar o filho com Sara (Verônica Debom), a neta dele. A ideia é fazer do herdeiro sócio na floricultura da família Roth.

Instituto Boas-Vindas – Núcleo São Paulo

Marie Patchou (Eli Ferreira) – Imigrante congolesa, busca abrigo no Brasil, depois de perder o filho que ela pensa ter sido morto por rebeldes em seu país. É uma das melhores amigas de Laila (Julia Dalavia) e a contrata para trabalhar em seu salão de beleza em São Paulo.

Jean-Baptiste Enfant (Blaise Musipère) – Imigrante haitiano, músico, trabalha como mecânico na oficina de Caetano (Glicério do Rosário) e, nas horas vagas, dá expediente como cantor na noite paulistana.  Namora Marie (Eli Ferreira), mas a música o aproxima de Teresa (Leona Cavalli), ex-cantora profissional e mãe de Bruno (Rodrigo Simas).

Padre Zoran (Angelo Coimbra) – O diretor do instituto de acolhimento a pessoas em situação de refúgio é filho de imigrantes croatas. A tristeza pela morte da mãe, que não se adaptou ao Brasil, o fez optar pelo sacerdócio.

Dra. Letícia Monteiro (Paula Burlamaqui) – Médica do centro de acolhimento aos refugiados se apaixona pelo médico sírio Faruq (Eduardo Mossri) e faz de tudo para ajudá-lo na equiparação do diploma. Mas o namoro balança por conta do machismo de Faruq e das diferenças culturais entre os dois.

Faruq Murad (Eduardo Mossri) – Refugiado sírio, médico em sua terra natal, luta para ter seu diploma reconhecido no Brasil. Enquanto isso não acontece, é convidado para trabalhar como recepcionista na clínica da Dra. Letícia (Paula Burlamaqui). Mesmo sentindo-se humilhado, aceita o cargo.

Dr. Rogério Pessoa (Luciano Salles) – Advogado do centro de acolhimento, braço direito de Padre Zoran (Angelo Coimbra).

Participações

Rodrigo Torquato (Rafael Sieg) – Brasileiro, está na Síria a trabalho e faz amizade com Elias (Marco Ricca). Casado com Helena (Carol Castro).

Samira (Beatrice Sayd) – Mãe do menino Ahmed (Álvaro Brandão), conhece e ajuda Laila (Julia Dalávia), Missade (Ana Cecília Costa) e Elias (Marco Ricca) no campo de refugiados.

Ahmed (Alvaro Brandão) – Filho de Samira (Beatrice Sayd), se torna um amigo fiel de Laila (Julia Dalavia) no campo de refugiados.