Amor proibido, disputas familiares, traições e reviravoltas intensas. Com todos os ingredientes de um clássico melodrama, mas pensada para um formato mais ágil, ‘Nas Profundezas do Amor’ chega ao Globoplay nesta terça-feira (25) com 50 episódios de aproximadamente dois minutos, produzidos pelos Estúdios Globo, sob medida para o consumo vertical no celular e com todos os capítulos abertos para não assinantes.
A trama acompanha a história de Serena (Jeniffer Dias) e Romualdo (Joaquim Lopes), herdeiros de famílias rivais do setor de mineração, cujo romance desencadeia uma teia de mentiras, crime e um desejo inabalável de justiça. Contar uma narrativa tão densa em pílulas de curto tempo exigiu da equipe criativa uma reprogramação na forma de fazer dramaturgia.
Para liderar essa experiência, a produção une a bagagem do autor Paulo Ferreira, especialista em conteúdo de ficção (dramaturgia longa e novelas verticais) dos Estúdios Globo, com a experiência de Cristiano Marques, diretor com mais de duas décadas de trajetória na TV Globo e responsável pela direção geral de sucessos recentes como as novelas ‘Vale Tudo’ e ‘Vai na Fé’, além de ‘Dona Lurdes – O Filme’.
A seguir, autor e diretor detalham os desafios do texto sem “barrigas”, a construção de ganchos fortes a cada dois minutos e a convivência do novo formato com a tradição das novelas brasileiras.
Como é o desafio de escrever pensando no formato vertical?
Paulo Ferreira: A novela vertical tem na sua gênese o fato de que a gente tem que prender a atenção do público a cada dois minutos. E para isso, você tem que dar uma informação importante para o público naquele capítulo, alguma revelação, colocar alguma ação dramática de impacto ou gerar catarse, seja pela emoção ou por uma briga. Outro desafio é a gente trabalhar isso tudo numa história que aparentemente é curta, mas tem suas camadas. Quis colocar camadas em cada personagem: conflitos, medos, traumas, para não fazê-los serem muito planos ou bidimensionais. Neste formato, a gente não tem muito tempo para trabalhar os arcos dos personagens, as nuances de cada um, a trama em si. Você não pode ter ‘barriga’ numa novela vertical de jeito nenhum. Nenhum capítulo pode não ter nada, ele tem que ter sempre alguma função, estar sempre entregando alguma coisa para o público.
Quais foram os desafios de passar de uma novela tradicional para a linguagem vertical e como funcionou a escalação do elenco?
Cristiano Marques: A gente teve que se reprogramar para esse olhar de uma trama que acontece mais dinamicamente, mas que ao mesmo tempo preserva a sua estrutura e o seu interesse, sem ser só uma sucessão de acontecimentos. Especificamente falando de escalação dessa novela, alguns nomes surgiram bem no começo. Como da Ana Beatriz Nogueira, da Thaila Ayala. Mas o processo de escalação é coletivo. Penso em pessoas com quem já trabalhei, pessoas que sei que não vão poder porque estão no ar em outra coisa. Na primeira leitura, vem sempre alguém na sua cabeça. Eu debato com o produtor de elenco, debato com o Paulo (autor), levo para a nossa gestão nos Estúdios, é um processo coletivo mesmo.
Como encontrar o ritmo certo da escrita e amarrar a história sem torná-la apenas uma sucessão de reviravoltas?
Paulo Ferreira: Eu criei uma escaleta prevendo o que aconteceria naqueles cinquenta capítulos. Na verdade, eu desenho todo o arco dramático da história porque, apesar de os capítulos serem curtos, a novela vertical tem que ter fôlego para cinquenta capítulos, que no caso é a proposta das novelinhas originais Globoplay. Não é só escrever rapidinho, com uma escrita acelerada. Você tem que ter uma história, tem que ter um mistério. Outra particularidade é que ela só conta uma história: a trama central. Não tem espaço para subtrama, não posso fragmentar a história em várias para não perder a atenção do público. Tudo tem que estar a serviço da trama central.
Vocês consideram que o formato vertical é o futuro das novelas?
Cristiano Marques: Na verdade, acho que é o oposto. A novelinha não é uma versão menor da novela como a gente conhece, mas obviamente a inspiração inicial das nossas tramas verticais é a novela. Encontrar estímulo para fazer e encontrar público para assistir à novela feita para o celular é uma força da novela, não diminui nem um pouco.
Paulo Ferreira: Acho que é mais um formato. A gente tem série, minissérie, filme. Acho que todos podem conviver entre si. É um formato novo, que vem para somar.
Produzida pelos Estúdios Globo, ‘Nas Profundezas do Amor’ é escrita por Paulo Ferreira, com direção artística de Cristiano Marques, produção de Juliana Castro e produção executiva de Lucas Zardo. A direção de gênero é de José Luiz Villamarim.
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