Entrevista: Rômulo Estrela se comove com reviravolta na novela “Novo Mundo”

O ator Rômulo Estrela, sem sombra de dúvidas, é um dos destaques do elenco da novela “Novo Mundo” (de Thereza Falcão e Alessandro Marson). O convite para atuar na trama surgiu através do diretor Vinícius Coimbra, devido ao seu desempenho como Gaspar em “Liberdade, Liberdade” (de Mário Teixeira).

— Comecei a construir o Chalaça a partir do livro do Roberto Torero. Depois, parti para livros do período histórico, e na sequência, fomos para os ensaios de núcleo e leitura de mesa. Fiz um trabalho de prosódia durante um mês e fui até Lisboa também, para ajudar na escuta da língua portuguesa.

Questionado sobre a armação de Domitila (Agatha Moreira) e Thomas (Gabriel Braga Nunes) para afastar Chalaça de Pedro (Caio Castro) – com o objetivo de seu personagem ser acusado como cúmplice de Avilez (Paulo Rocha) pelo crime de traição contra a coroa portuguesa – o intérprete do alcoviteiro português se mostra feliz com o feedback e com a torcida do público, além de ter uma boa notícia para os fãs da trama:

— Sim, acompanho e fiquei comovido com os comentários. Acho que o público se sentiu traído também com o que aconteceu com o Chalaça. Ele volta, não sei quando, mas ele retorna.

Como Chalaça é um personagem importante para o desfecho da história de “Novo Mundo”, que chega ao fim em setembro, o ator explica que não está liberado da trama, como os telespectadores questionaram o site Noticiasdetv.com nesta semana, mas adianta que um novo projeto, que se trata do filme de longa-metragem “A Costureira e o Cangaceiro” (de Patrícia Andrade), vem por aí.

— Estou muito feliz com o filme, foi um processo de trabalho muito intenso e prazeroso. Degas é um homem sensível, idealista e apaixonado, que vive em uma sociedade intolerante e machista. Agora, estou dedicado exclusivamente à novela.

Apesar de Chalaça e Pedro serem descritos como homens farristas e mulherengos, os dois são melhores amigos há muitos anos. Neste ponto, Rômulo Estrela é parecido com seu personagem.

— Eu amo meus amigos. Tenho uma relação saudável com todos. Nos admiramos, nos respeitamos, nos consideramos e, com isso, evoluímos juntos. Amizade é isso pra mim. Gostaria de ter mais contato com os amigos que moram em São Luís, mas a correria do dia a dia não permite, o que é uma pena. Sinto saudade de todos. 

Apesar do contexto histórico de “Novo Mundo” dar voz aos homens machistas, principalmente no que se refere às atitudes de Felício (Bruce Gomlevsky), as coisas parecem não ter evoluído muito hoje em dia, apesar de as mulheres terem mais direitos e liberdade, devido aos movimentos feministas. Sobre o tratamento dado a elas na época e atualmente, tema que também é abordado no filme “A Costureira e o Cangaceiro”, o ator reflete:

— É inegável a grande diferença que sempre existiu entre o feminino e o masculino. Isso é fruto de uma sociedade equivocada. As mulheres do século XIX eram educadas de maneira rasa e ocupavam pouquíssimo espaço no mercado de trabalho, restando a elas apenas a maternidade e serem boas donas de casa, sob a batuta de um marido muitas vezes agressivo e intolerante. Hoje isso é diferente, mas ainda precisa evoluir bastante em todos os sentidos. É preciso mais espaço no mercado de trabalho e a violência contra a mulher precisa acabar de uma vez por todas.