Entrevista: “Uma mulher não apoiar outra é um reflexo do machismo”, diz Agatha Moreira

Após “Malhação – Intensa” (de Rosane Svartman e Paulo Halm), “Em Família” (de Manoel Carlos), “Verdades Secretas” (de Walcyr Carrasco e Maria Elisa Berredo) e “Haja Coração” (de Daniel Ortiz), a atriz Agatha Moreira está fazendo bastante sucesso como Domitila de Castro Canto e Melo na novela “Novo Mundo” (de Thereza Falcão e Alessandro Marson). 

— Cada personagem tem uma personalidade singular, uma preparação única. Para Domitila, tivemos aula de preparação corporal, equitação, caligrafia, etiqueta e história. Tive que estudar bastante, fazer uma vasta pesquisa sobre história do Brasil. Foi um processo bem bacana. Estou adorando participar desse projeto.

Questionada sobre o motivo da rivalidade entre Domitila e Maria Benedita (Larissa Bracher), a atriz explica a orientação recebida para a trama:

— Com base no que eu pesquisei para a construção da personagem e nos livros que li, não há menção do tipo de relação entre elas, antes de Benedita engravidar de D. Pedro. Então, que eu saiba, historicamente essa rixa surge depois disso e a Domitila, ao se sentir traída pela irmã, até tenta matá-la. As duas passam a se odiar. Domitila era extremamente apaixonada por D. Pedro e a irmã sabia disso, então, após o ocorrido, a rivalidade entre elas perdura.  

Ela também reflete sobre o machismo feminino e masculino de hoje em dia, tendo em vista as agressões de Felício (Bruce Gomlevsky) contra sua personagem:

— A melhor coisa que temos a fazer nesse momento em que observamos, cada vez mais, o quanto o machismo é presente no nosso cotidiano e na sociedade, é dialogar. É muito difícil que as coisas mudem de uma hora pra outra. As pessoas precisam se reeducar porque, em muitos casos, as pessoas são machistas “sem querer”. É algo que está enraizado. Existem muitas pessoas que apoiam o machismo e, por mais que eu não ache que elas estejam certas, é preciso respeitar a opinião do outro e ter paciência (mesmo não concordando). Há também pessoas menos instruídas perante o assunto. Nesse caso, o melhor recurso é uma conversa. Conseguirmos ilustrar o nosso ponto de vista e fornecer conhecimento. O conhecimento é o melhor caminho e as pessoas precisam se reeducar mesmo. Primeiramente, uma mulher não apoiar outra mulher já é um reflexo do machismo. A gente precisa se unir para que possamos ser ouvidas. A acusação de uma mulher contra a outra e culpabilizar a vítima é algo muito sério e que não resolve nada. 

Como será que está sendo para ela a experiência de trabalhar ao lado dos atores Caio Castro (intérprete de Dom Pedro I) e Rômulo Estrela (intérprete de Chalaça)?

— Eles são super parceiros de cena. Adoro trabalhar com eles.  

Será que tem algum perfil de personagem que ela gostaria de interpretar futuramente?

— Pra mim é muito difícil escolher. Todas as personagens são muito bem-vindas e eu aprendo muito com todas elas. Não teria um desejo pré-definido. 

Para quem é fã de Agatha Moreira, boas notícias: ela faz parte do elenco do filme “Pixinguinha – Um Homem Carinhoso” (de Manuela Dias) e está reservada para a novela “Deus Salve O Rei” (de Daniel Adjafre), que estreia em janeiro.

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