Entrevista: Larissa Bracher fala sobre “Novo Mundo” e outros projetos

A atriz Larissa Bracher, que estreou na televisão no ano de 2000, na pele de Cora em “Chiquititas” (de Cris Morena), a princípio, não iria voltar para o elenco da novela “Novo Mundo” (de Thereza Falcão e Alessandro Marson) – ao contrário do ator Rômulo Estrela, que é o intérprete do alcoviteiro Chalaça – mas sua passagem pela história da família real é marcante, pelo fato de sua personagem, Maria Benedita de Castro Canto e Melo, se intrometer no caso extraconjugal dos amantes Domitila (Agatha Moreira) e Dom Pedro I (Caio Castro). Por causa de repercussão da trama, ela possui uma boa notícia: 

— Fico muito feliz com esse carinho todo que venho recebendo desde a cena final da minha participação. Na rua também, as pessoas perguntam muito, até porque ela saiu jurando vingança. A princípio, era uma participação que acabaria ali, mas fui sondada para voltar, me levando a crer que tudo pode mudar. Quem sabe? Domitila atenta contra a vida da irmã algumas vezes e nunca consegue (ou quer de fato) matá-la. Ali na ficção condensaram alguns atentados em duas cenas: o tiro e a carruagem.

Questionada sobre o motivo de Maria Benedita nutrir uma inveja ferrenha de Domitila, antes mesmo de as duas conhecem Dom Pedro I, a atriz reflete:

— Na minha visão para construí-la, não li como inveja, li como raiva. Raiva da irmã, que foi um obstáculo, que a impedia de ter uma família nobre, exemplar e de bom nome, como ela talvez almejasse ter. Benedita era tão ambiciosa como a irmã, fazia as mesmas coisas. Ambas eram conhecidas por se aventurarem fora dos casamentos, mas Domitila – ao contrário de Benedita – fazia alarde das suas conquistas e ainda tinha um marido bem violento, que tornavam públicas as desavenças entre o casal. Isso devia ser um pesadelo para Benedita, que era casada com um nobre paulista, que durante a vida recebeu algumas honrarias e títulos de nobreza. Além do quê Domitila era bastante mal vista na corte, uma vez que todos se apiedavam do que a caçula dos Castro causava à Princesa Leopoldina. E claro, depois que ambas tiveram relacionamentos e filhos. Benedita teve dois filhos, mas uma morreu, restando apenas o menino, por quem Dom Pedro era apaixonado. E isso deve ter se agravado. Claro que estamos tratando aqui de um recorte escolhido pelos autores para a ficção. Não necessariamente representa exatamente como era o dia a dia da família Castro Canto e Melo.

Sobre as suas referências para interpretar uma figura histórica, sem imitar a construção de outras atrizes que viveram a mesma personagem, Larissa Bracher compartilha:

— Quis fazer uma construção com gestos mais geométricos, que caracterizassem sua inflexibilidade, fisicamente falando. E na fala, sempre pensei em construí-la como uma pessoa que desse “ponto final” em tudo e quisesse sempre ter a “última palavra” em tudo, como uma chefe de família. Um “pai” daquela época masculinamente operante. Vi muitas cenas da Robin Wright, a Claire da série “House of Cards”. Uma personagem que articula o que vai falar. 

Enquanto aguarda uma definição sobre seu futuro na novela “Novo Mundo”, a atriz se dedica ao seu trabalho como coach e também convida os leitores para assistirem seu monólogo:

— O coaching é uma grande paixão na minha vida. Foi minha maneira de conciliar meu trabalho e minha ótica como atriz com minha necessidade de ser útil e ajudar. Venho há sete anos construindo paralelos entre life coaching, PNL (programação neuro linguística), hipnose e atuação. Estou terminando de escrever um livro e disponibilizarei um curso online com essas teorias para os atores que não podem fazer o curso comigo aqui no Rio. E tenho projeto no teatro: a quarta temporada da ocupação “Rio Diversidade”, um projeto super bem recebido por onde passa (acabamos de chegar hoje de São Paulo, de uma pequena temporada de três semanas). Em julho, irá reestrear no Rio, no Teatro Ipanema. Faço um genderless (pessoa sem gênero específico) no meu monólogo.  

Para finalizar, ela também reflete sobre as mulheres que buscam ascensão social a qualquer custo, como Maria Benedita e Domitila, nos dias de hoje:

— Prefiro falar de “pessoas” que buscam ascensão social. E também é preciso, antes, definir o quê se classifica como “ascensão social”. Se isso for querer melhorar seu cargo, estudar, pleitear melhor salário, se aprofundar em algo, melhorar sua condição na vida, aí acho super válido. Porém, o que esse termo carrega, no popular, normalmente é algo pejorativo, que tem a ver com fama a qualquer custo, incluindo passar por cima de valores pessoais e de quem está à sua volta. Aí acho um horror, acho cafona, antigo.