Entrevista: Vinicius Wester fala sobre construção de personagem em “Malhação”

Apesar de estar sendo apresentado ao público como Maurício Bernardo – ou simplesmente MB – em “Malhação – Viva a Diferença” (de Cao Hamburger), Vinicius Wester já apareceu na televisão antes, em uma participação, como primo de Uodson (Lucas Lucco) e Alina (Pâmela Tomé), em “Malhação – Seu Lugar no Mundo” (de Emanuel Jacobina).

— Estudei teatro durante seis anos em Santa Catarina e trabalhei como ator por três anos (também em SC). Depois disso, decidi me mudar para o RJ para alçar voos maiores e investir na minha carreira. Também fiz participação em um longa-metragem chamado “Lua em Sagitário”.  

Para entrar no elenco, o ator teve que passar por entrevistas, testes e workshops com seus colegas de trabalho. Como será que foi essa experiência para ele? 

— Acredito que a maioria dos atores passa por um processo de ansiedade e frio na barriga no período entre testes, mas passar e fazer preparação é uma delicia. Tenho me dedicado 100% à novela e estudado muito. Aprendi a tocar guitarra para viver o MB, me aprofundei totalmente no movimento Beatnik, não só na parte das influências musicais, mas em todo o movimento cultural dos anos 60. Me identifico bastante com o estilo musical do MB. Ele tem uma influência muito grande de Nirvana e The Doors. Nirvana é uma das minhas bandas preferidas.

Na história, MB forma um quarteto amoroso com seus três melhores amigos, que são Clara (Isabella Scherer), Felipe (Gabriel Calamari) e Lica (Manoela Aliperti). Questionado sobre sua opinião sobre o assunto e se já passou por alguma situação semelhante, seu intérprete revela:

— Nunca passei por isso. Ufa. MB e Lica se entendem, já Felipe e Clara é um caso um pouco diferente.  Ninguém compreende muito a relação do MB e da Lica, mas acho que as pessoas não entendem justamente porque é uma coisa muito deles. Pra quem olha de fora, parece que eles estão o tempo todo brigando, mas tem a ver com a fase que a Lica está vivendo. O MB não tem como preencher o vazio que a separação dos pais dela causou e o Felipe acaba sendo a melhor pessoa pra suprir isso. Como consequência, a Clara fica um pouco de lado, momentaneamente, e tudo isso, misturado, também faz com que amizade dos dois melhores amigos (Felipe e MB) também se abale. É muita coisa em jogo né? 

Além da vertente amorosa, MB possui seus próprios conflitos, que se desenrolam ao longo da temporada da novelinha teen. Além de ser machista por natureza, o personagem é diagnosticado com alcoolismo e a abordagem do tema é possível graças à queda da classificação indicativa, no ano passado. O que será que vem por aí?

— Acho ótimo e necessário quando um personagem de TV aborda estes temas. O alcoolismo é um problema que assola a sociedade brasileira, principalmente os jovens. Hoje, 19% dos jovens brasileiros são dependentes químicos. É um número absurdo e precisamos falar disso. O machismo é um dos assuntos mais urgentes atualmente no Brasil e “Viva a Diferença” chega como um tapa na cara da sociedade, mostrando o poder da mulher brasileira. Quanto ao MB, quem sabe, ao longo da trama, ele não aprende? Enquanto isso, ele está aí pra mostrar todas as consequências que o alcoolismo e o machismo podem ter na vida de uma pessoa e nas da que os cercam.